HELIO
FERNANDES –
Em Outubro, escrevi: “A taxa Selic, em março, chegará
em 11 por cento”. Estava em 9,50%. Foi a 10%. 10,50%. 10,75%. Irá para 11%. O
resto “depende” do BC independente.
Fernanda Venturini, (a maior levantadora do vôlei mundial)
disse que seu marido, Bernardinho, “jamais conversara com o PSDB sobre
candidatura a governador em 2014”. Delicadamente contei a verdade.
“Fernanda
MENTIU, Bernardinho não DESMENTIU”
Líderes da cúpula do PSDB, que no Estado do Rio não têm
votos, eleitores ou candidatos, começaram por convidar o ex-Ministro da Fazenda
de FHC, Malan nem quis conversar, tem mais o que fazer.
O técnico disse textualmente, como publiquei: “Se fosse
em 2016 eu examinaria. Para 2014 não da, quero ganhar outra Olimpíada, além do
mais em casa”. Agora, o próprio Bernardinho confirma o repórter.
Sobraram
três, talvez quatro nomes
Garotinho, Lindberg, Pezão, candidatos certos, à espera
de um vice eleitoralmente suntuoso. O primeiro, liderando pesquisa, o que no
momento não representa a vitória. Lindberg à espera que o seu partido, o PT,
resista à pressão de cabralzinho. E o vice, no cargo ou fora do cargo, é
preciso saber, difícil, se foi atingido pelo desgaste do governo.
O candidato que coloquei como “talvez”, para o segundo
turno, é o senador Crivella. Depende exclusivamente, não dele, mas dos
evangélicos. Foi derrotado duas vezes para prefeito do Rio. Garante que se
recuperou com eles, “votarão em massa no meu nome”. No momento, impossível
negar ou concordar.
O Combate
dos traficantes bombardeando as UPPs
Desde ontem, os primeiros raios de sol aparecendo, os
bandidos assaltando essas comunidades, assassinando até o próprio comandante da
UPP, tomando conta dessas enormes comunidades, nominalmente “pacificadas”. Foi
uma vitória, mas durou pouco tempo.
O secretário Beltrame se cansou de afirmar: “Não basta
tomar posse eventual, é preciso acrescentar e complementar a conquista, com os
serviços essenciais”. Essas populações de centenas de milhares, no total quase
2 milhões, reivindicavam a participação administrativa do governo.
Exigiam saneamento básico, hospitais, liberdade,
retirada de lixo, pavimentação, em suma, tudo que é indispensável no dia a dia
das pessoas, das famílias, o mínimo e o máximo do que se chama viver. Nas UPPs,
só quem está vivendo e assassinando, são os traficantes. E comandados de dentro
das cadeias, por BANDIDOS, assim com letra maiúscula. Ninguém faz nada?
Perguntas
e respostas desse povo sequestrado
Pesquisas feitas nas mais diversas favelas, e o que
disseram: “Queremos saneamento básico, escolas, saúde, liberdade”. Na Rocinha,
responderam: “Não queremos teleférico, isso é para turista. Sempre andamos a
pé, subimos e descemos. Mas entrem em qualquer casa sem saneamento, sairão
correndo, enojados. Nós temos que ficar”. Quem quiser, do governo, conteste, ou
então, construam.
Em
quem votarão?
A campanha eleitoral movimenta candidatos a presidente,
mas também estados e municípios. Os habitantes dessas UPPs, pacificadas ou hostilizadas,
só votarão porque são obrigados. Exijam, protestem, gritem, vocês são cidadãos,
parte importante dos 200 milhões de brasileiros.
O “esporte”
do racismo, ou o racismo no esporte
Todo preconceito é odioso, tenebroso, perigoso. No
Brasil, antes da Lei Afonso Arinos, era explicito e horroroso. Casas, sem
exceção, edifícios, tinham duas entradas. A principal, e a que chamavam de
serviço, por motivos óbvios.
Depois da criminalização imposta pela grande figura do
deputado e senador duas vezes, (não seguidas), tudo mudou. Mas que dificuldade.
Obrigatória
uma Lei Afonso Arinos para o esporte
É preciso punição dura contra “cartolas” e “órgãos”
presididos a “vida inteira” pelos mesmos. Fifa, Uefa, Comebol, CBF têm que
pagar pelo fato de protegeram o preconceito. Mas não esse ridículo de fingirem punição,
“interditando” estádios do interior. Precisam punir também os clubes, são eles
que “incentivam” essas “organizadas protegidas”. Mas isso, com urgência.
Aplausos
para atletas negros
Hoje estamos tratando apenas de esporte. Citaram
muitos, justíssimos. Esqueceram outros, injustíssimos. O “divino” Domingos da
Guia. Fausto, “a maravilha negra”. O “mestre” Didi, o mesmo para Zizinho.
E Por que não falar do extraordinário e inimitável
Garrincha? Não é negro? Ou branco? Ele é como todos nós, leitores e seguidores
de Gilberto Freyre. (Quem quiser se informar e se emocionar, leia o livro, “O
negro no futebol brasileiro”, do grande Mario Filho).
Fugindo
um pouco do futebol
Só ligeiramente, temos que lembrar de Pixinguinha, Gil,
Milton Nascimento, Martinho da Vila, Milton Gonçalves. E menção especial para
Camila Pitanga, grande atriz e personalidade, perseguida até profissionalmente.
Fifa
e CBF afastaram a atriz e personalidade
Estava indicada para ser apresentadora do sorteio dos
32 países que disputarão a Copa do Mundo. Fifa e CBF “se acertaram”, concluíram
nos bastidores: “Não podemos colocar uma negra divulgando espetáculo que será
visto por milhões no mundo inteiro”.
Foi vetada, desconvidada, desprezada. Colocaram outra,
insinuaram que pela beleza. Até nesse item, nota zero, Camila Pitanga é
lindíssima. Ninguém noticiou, comentou, condenou. Sem falar nas dezenas de
milhões de negros, sem oportunidade.
E
o Ministério Público?
Não se manifesta? O preconceito, no esporte e fora
dele, é crime. Discriminação. Ofensa. Hostilidade. Exaltação ao prejuízo
profissional. Se os órgãos como a Fifa e CBF, os dirigentes dos clubes e os
próprios torcedores não tomam posição, temos que exigir providencias do
Ministério Público. Prestigiadíssimo pela Constituição de 1988, a famosa “Constituição
cidadã”.
Dona
Dilma “percebeu” os negros, por causa da repercussão
O silêncio de Dona Dilma, assustava tanto quanto os
ataques e perseguições a negros, atletas, famosos ou apenas cidadãos. Agora
disseram a ela, “os negros votam”, arregalou os olhos, mandou chamar dois
deles. O jogador Arouca, do Santos, com passagem pela televisão. E o arbitro do
jogo em quem atiraram bananas e chamaram de macaco, teve a vida revirada.
Eles não querem ouvir ou tirar fotos com a presidente
Dilma. Ela é que está interessadíssima nesse muito bem identificado “selfie”.
Obtidos os resultados, nada aconteceu ou irá acontecer.
Lembrando
Osvaldo Cruz e a vacina obrigatória
PS –
O Ministério da Saúde, está tentando vacinar mulheres de todo o país,
prevenindo contra o mortífero câncer de colo de útero. Agora, serão ou seriam
vacinadas meninas de 11 a 13 anos. A partir do ano que vem, mulheres de várias
idades.
PS2 –
O condicional que coloquei, se refere à resistência de pais, que acreditam que
a “sexualidade das meninas”, textual, seria adiantada ou acelerada. Têm o
direito de restringir, mas também o de se informar.
PS3 –
Osvaldo Cruz, Secretário de Saúde do Distrito Federal, criou a vacina
obrigatória. Massacrado pelos grandes jornais da época. Diziam: “Como é que
esse médico quer furar (assim mesmo) o corpo de todo mundo”.
PS4 –
Foi excomungado, odiado, quase linchado. Há muito tempo, pais e mães, assim que
os filhos nascem levam imediatamente para a vacina múltipla ou geral.
A
Avenida Brasil nada a ver com doença
PS5 –
Henrique Dodsworth, grande figura, professor de duas cátedras no Pedro Segundo,
deputado excelente, foi prefeito do Distrito Federal em 1937. Em 1940 abriu
essa avenida, larguíssima, sofreu violenta campanha.
PS6 –
Em jornais ditos importantes, escreviam: “Esse prefeito é maluco. Está
desperdiçando o dinheiro do povo, quem é que vai passar nessa avenida que não
tem fim?”.
PS7 –
Com 30 anos, estava intransitável, completando 70, a avenida é a mesma, mas a
palavra mudou: vive “engarrafada”, a qualquer hora.
PS8 –
Os dois casos, tudo a ver embora não pareça. É preciso pensar, analisar, olhar
para o futuro. Lógico, não abandonar os filhos nem desprezar o trânsito. Dodsworth
ficou até 1945, foi nomeado embaixador em Portugal, elogiadíssimo.


