15.3.14

BAND NEGA IRREGULARIDADES TRABALHISTAS, MAS ADMITE REVER POLÍTICA DE SEGURANÇA PARA OS JORNALISTAS. VÂNDALOS? HOUAISS INFORMA QUEM COMEÇOU A BADERNA. A TARTARUGA NO POSTE

DANIEL MAZOLA -
A presidente do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ), Paula Máiran, anunciou a criação de uma campanha com o objetivo de ampliar os procedimentos de segurança e proteção dos jornalistas. Ela defende a criação de um canal de diálogo com os funcionários sobre a importância das medidas para os profissionais de imprensa que atuam na rua. Os mais vulneráveis.
Na verdade, a ficha começou a cair para muitos profissionais de imprensa após a morte do repórter cinematográfico Santiago Andrade, da TV Bandeirantes, atingido na cabeça por um rojão, no dia 6 de fevereiro, quando registrava imagens de uma manifestação contra o aumentos das tarifas de ônibus, realizada no centro da cidade. Assim como todos os profissionais da “grande” mídia, Santiago não recebia os equipamentos de segurança necessários e acumulava a função, diariamente, como motorista do veículo da emissora.
Denúncias contra a Band
O Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro, a partir de uma denúncia apresentada pelo SJPMRJ, está investigando a TV Bandeirantes sobre as más condições de trabalho na emissora. A empresa prestou esclarecimentos aos procuradores na semana passada.
A empresa da família Saad, negou quaisquer irregularidades trabalhistas em suas redações, e afirmou que é rigorosa com o banco de horas, que não obriga estagiário a trabalhar como jornalista profissional. Essa foi outra denúncia encaminhada ao Sindicato. Isso além das questões de segurança, claro. Insustentável e irresponsável. Caso o cinegrafista estivesse protegido, estaria trabalhando e no convívio da família.
A Band disse que está disposta a rever a política de treinamento em segurança para os jornalistas. Mas se comprometer mesmo, ainda não. A empresa negou, porém, que vá abolir a prática de repórteres cinematográficos serem também motoristas. O funcionário que acumula a função ganha adicional de 40% sobre o salário, segundo a empresa. Mas será opcional?
Escrevi quando ocorreu a morte, e volto a afirmar: acumulamos funções, fomos rebaixados, e não recebemos EQUIPAMENTOS de SEGURANÇA. O Ministério Público do Trabalho precisa exigir que as emissoras constituam um protocolo de segurança para garantir os equipamentos de proteção individual, logística adequada, equipe de apoio e treinamento periódico.
A Copa do Mundo se aproxima rapidamente, as grandes manifestações também, exigimos URGÊNCIA!
Quem começou a baderna?
"Baderna" é ao lado de "vândalos" um dos termos mais utilizados pelo monopólio das comunicações, para atacar a explosão de revolta das massas que ocorreu a partir de junho do ano passado, e que esperamos volte com toda força na Copa do Mundo. E qual é a origem desse termo tão utilizado pelo monopólio midiático e pelos plantonistas do velho Estado.
O dicionário Houaiss designa baderna como "situação em que reina a desordem, confusão, bagunça; divertimento noturno, boemia, noitada; conflito entre muitas pessoas; briga, rolo" e cita Marietta Baderna, uma bailarina italiana que provocou frisson durante sua passagem pelo Brasil em meados do século XIX.
Marietta Maria Baderna nasceu em Castel San Giovanni, Parma, em 5 de julho de 1828, e estreou como bailarina profissional em 1843. Jovem talento tornou-se bastante conhecida na Itália e fez turnê em vários países da Europa. Em 1848, foi apresentada como "prima ballerina assoluta" (primeira bailarina absoluta) e destacava-se entre as mais importantes bailarinas de sua geração.
Há relatos de que seu pai, o cirurgião republicano Antonio Baderna, grande entusiasta do movimento democrático que estremeceu os pilares da velha Europa em 1848, com a derrota desse movimento na Itália, teria convencido Marietta a emigrar com ele para o Brasil.
Marietta estreou em terras brasileiras no dia 29 de setembro de 1849, no balé "Il Ballo delle Fate" (A Dança das Fadas). Mas foi do contato com a dança das negras e com o canto de resistência dos escravos que Marietta Baderna fez-se uma bailarina do povo. Ela se encantou com os ritmos africanos e com a ginga das negras e mulatas e incorporou os passos do lundu, da cachuca e da umbigada, danças de passos fortes e sensuais.
Dançava nos salões da alta sociedade, mas se realizava nas ruas, provocando aglomerações e causando furor. Seu público e inspiração eram trabalhadores, homens e mulheres do povo que bebiam, riam, falavam alto e maculavam a velha sociedade que se espelhava nas decadentes cortes europeias. Em meio ao povo, Marietta passou a ser conhecida como Maria Baderna e seu público passou a ser chamado de "badernistas" ou "baderneiros".
Algumas passagens da biografia de Marietta contam que um empresário deixou de pagar os artistas da casa em que se apresentavam sem dar explicações. Ela e suas colegas entraram em greve e não houve apresentação. Sempre que aparecia, era aclamada pelo povo que gritava seu nome e batia com os pés no chão.
Atacada pela crítica conservadora, sem contrato para espetáculos, Marietta foi para a Recife e fez apresentações de lundu no teatro Santa Isabel. Latifundiários e empresários tentaram a todo custo expulsá-la. Estudantes e trabalhadores elegeram-na símbolo da nascente brasilidade.
Os jornais das classes dominantes, que no princípio adotaram o termo "baderna" como sinônimo de elegância, passaram a utilizá-lo para designar arruaça e libertinagem.
Marietta Baderna foi uma rebelde, que desafiou o conservadorismo e os reacionários de sua época. Foi uma dançarina das calçadas, da areia das praias, uma artista dos negros, dos mulatos, dos pobres. Uma bailarina do lundu.
Conta-se que ela faleceu em 1870, mas não há muitos detalhes.
O que se sabe é que hoje, nas ruas do Rio de Janeiro, de Porto Alegre e Vitória, de Manaus e Belo Horizonte, de São Paulo, Porto Velho, Recife, em todo o Brasil, Marietta Baderna vive e dança atraindo multidões: milhares, milhões. E segue assombrando, assuntando e aterrorizando a “república dos banqueiros” e as classes dominantes que, mais uma vez, apavoradas e raivosas, sibilam seu nome: Baderna! E porque não, também vândala!
Tartaruga no poste
Circula na internet esta fábula adaptada à politicagem brasileira:
Enquanto suturava um ferimento na mão de um velho gari (cortada por um caco de vidro indevidamente jogado no lixo), o médico e o paciente  começaram a conversar sobre o país, o governo e, fatalmente, sobre
Lula e Dilma.
O velhinho disse:
- Bom, o senhor sabe, a Dilma é como uma tartaruga em cima do poste...

Curioso, o médico perguntou o que significava uma tartaruga num poste e  o gari respondeu:

- É quando o senhor vai indo por uma estradinha, vê um poste e lá em  cima tem uma tartaruga tentando se equilibrar.  Isso é uma tartaruga em um poste.

 Diante da cara de bobo do médico, o velho acrescentou:

- Você não entende como ela chegou lá;
- Você não acredita que ela esteja lá;
- Você sabe que ela não subiu lá sozinha;
- Você sabe que ela não deveria, nem poderia, estar lá;
- Você sabe que ela não vai fazer, absolutamente nada, enquanto estiver lá;
- Você não entende porque a colocaram lá;
- Então, tudo o que temos a fazer, é ajudá-la a descer de lá, e  providenciar para que nunca mais suba, pois lá em cima definitivamente,  não é o seu lugar! 

*Com informações de A Nova Democracia.