HELIO
FERNANDES –
A moeda americana, que passou a ser a oficial do mundo,
a partir de 1944, em Bretton Woods, continua pesadelo, assombração, susto
completo. Jogada tenebrosa dos EUA. Jamais a moeda de um país, os EUA, deveria
servir de troca universal. Nessa mesma Bretton Woods, ainda em plena Segunda
Guerra Mundial, o ouro estava para ser substituído por moeda nova, que já tinha
até nome: BANCOR.
OS
EUA DERROTARAM O MUNDO
Já estavam ganhando a guerra, com a abertura da
“Segunda Frente” invasão dramática e trágica da Normandia, exigência dos
“aliados”. Mas queriam a contrapartida: encherem o mundo de dólar “papel
pintado”. Como rotulei logo que o BANCOR foi desbancado, trocado por esse
dólar, fabricado nas gigantescas máquinas dos subterrâneos de Omaha.
Os
economistas que serviam a todos os governos do mundo
Desde aquela época, esses economistas dominavam todos
os setores, se dividiam em dois grupos. Os ESPECIALISTAS, que sabiam pouco de
quase nada. E os ECLÉTICOS, que não sabiam nada de quase tudo. Principalmente
da potência em que transformaram os EUA.
Em
1955, conselho de Salazar a Juscelino
Depois de trabalhar quase 1 ano na campanha de JK, como
ele disse quando me convidou: “não há dinheiro para nada”, e eu aceitei
imediatamente com a resposta, “não há dinheiro que pague viajar pelo Brasil
todo”.
Eleito e depois dos dois golpes de 11 de novembro de
1955, um para não lhe dar posse e outro para garantir a vitória e a posse, ele
resolveu viajar como presidente eleito e ainda não empossado.
Com ele, apenas mais três pessoas. E este repórter,
convidado especialmente, num almoço num apartamento da Avenida Atlântica de
Horacinho de Carvalho, dono do Diário Carioca. Jornal que eu já dirigira.
Aceitei, claro. Mas disse a Juscelino: “Presidente, sou
jornalista, quero estar sempre ao seu lado, onde as coisas vão acontecer”.
Garantiu, fomos recebidos durante 30 dias por reis, rainhas, presidentes,
Primeiros Ministros, até ditadores como Salazar.
“Não
faça reforma cambial”
Recebido no maravilhoso palácio da Luz, naqueles
jardins belíssimos, inesperadamente, JK e Salazar ficaram sozinhos, e eu,
lógico, do lado. Palavras textuais de Salazar: “Presidente, se o senhor quiser
governar todo o mandato, não faça reforma cambial, não tire os olhos do dólar”.
Chegou muita gente, acabou a solidão, fomos embora. No
carro Juscelino me perguntou: “Helio, o que o Salazar queria me dizer?”.
Resposta do repórter: “presidente, antes de ser Ministro da Fazenda e derrubar
o presidente General Garmona, que o nomeara, Salazar era respeitadíssimo
professor de Economia e Finanças da Universidade de Coimbra”. Juscelino não
esqueceu da conversa e do conselho.
Palavras
de Dona Dilma
A presidente do Brasil, que não é economista,
especialista, eclética, nem mesmo intuitiva, veio a público com a declaração:
“A alteração do dólar não tira a tranquilidade do país”.
Dona Dilma, tão medíocre e ridícula quanto na conversa
com o Papa, desperdiçando o tempo de Francisco, com a “pergunta indireta”,
sobre o gol de Maradona com a mão de Deus. Além de 2014, mais quatro anos
disso, até 2018?
Dilma
tenta espantar o medo de Lula, realidade
Se os pretensos ou supostos adversários não fossem tão
frágeis ou fracos, a ainda presidente não estaria tão animada e acreditando nas
pesquisas. Que na verdade não são tão satisfatórias ou auspiciosas para ela.
Nada
tem dado certo para Dona Dilma, na economia e na política
Ela tem feito uma força enorme para dar a impressão
otimista de que teremos um final de 2014 e um reinício de 2015 maravilhoso. É a
forma dela combater os resquícios ou rescaldos do “volta, Lula”. Embora sua
atitude seja meio barroco-barroso, é a obrigação. Se não acreditar nela mesma,
quem irá acreditar?
Lula:
de Pernambuco a São Paulo, mas lembrado como se fosse Itabira
É impossível definir o que fará o ex-presidente. Querer
o Poder novamente, é lógico que não pensa noutra coisa. Tem chances disso se
transformar em fato rigorosamente verdadeiro? Aí só adivinhando, o que não
vale.
Desconhecido em Pernambuco, foi para São Paulo, onde se
transformou em nome nacional, numa longa trajetória. Chegou a presidente depois
de três derrotas seguidas, continuou tentando até que ganhou na quarta eleição.
Ninguém
no mundo conseguiu isso
É uma façanha conseguida por Lula, ser presidente da
República na quarta vez seguida, sem interrupção. Allende foi presidente do
Chile na terceira eleição, mas não seguida. Perdeu em 1958 e 1962, cumprimentou
os adversários, se retirou. Em 1966 não quis ser candidato, apesar dos apelos.
A
vitória em 1970, e o assassinato no Palácio
Ganhou, começou a governar, o Chile completamente
DIVIDIDO, tão ou mais do que a Venezuela de hoje. Com a diferença de que
Allende era competente, tinha plano, projeto e compromisso de governo. Por isso
foi morto. E depois de 40 anos continuam mentindo que se SUICIDOU.
Lula
não volta agora, acredita em 2018
Falei que não valia adivinhação, isto é apenas a
conclusão de uma análise isenta e sem qualquer espécie de adesão ou eliminação.
O grupo de Lula não “desembarcou” de sua candidatura.
Ele se lembra de Pernambuco, quer influir em São Paulo,
mas só citam seu nome, lembrando do grande poeta de Itabira. E para Lula jamais
doeu. Mesmo nas três derrotas para presidente, ainda acreditou que chegaria.
Em 2002, chegou. Chegará neste 2014 que avança em
velocidade? Em 2010 tentou o terceiro mandato, era muito, não conseguiu. Só que
está longe de se considerar ausente da política e principalmente do Poder.
Dona
Dilma otimista, num Brasil surrealista
Além dos milhares (isso mesmo) de cargos, o PMDB tem o
vice presidente da República, o presidente da Câmara, o presidente do Senado.
Sem nenhuma surpresa, animam, incentivam, festejam a criação do que chamam de
“Blocão”. Terá, perdão, teria 200 deputados.
Colocado
no condicional
No Planalto, na Câmara, no Senado ninguém acredita
nessa debandada. Alguns nem escondem que “é uma forma de pressão”. Em qualquer
regime ou sistema de governo, existe pressão. Principalmente nesse único do
mundo, presidencialismo-pluripartidário.
O
presidente se elege, seu partido em minoria
É o que acontece sempre no Brasil. Com Collor, FHC,
Lula, Dilma, carregada por Lula. O partido de todos esses presidentes, não
passava nem passa de 80 ou 85 deputados. Como são 513, precisam no mínimo de
257, para maioria simples.
Pode
ser chantagem
Não acredito muito nesse “blocão”. Mas estão ameaçando
criar fatos que tumultuarão o país. Por exemplo: CPI para investigar supostos
atos de corrupção na Petrobras.
CPI
de verdade é válida
É lógico que não somos contra investigar corrupção. Mas
por que sem maiores provas, e logo quando a empresa passa por fase terrível?
Por que não investigaram quando FHC COMPROU A REELEIÇÃO?
Pagou
á vista
Teve a sabedoria ou a falta de constrangimento de ter
entregue o dinheiro antes da votação. Não era dele, o seu íntimo amigo e
Ministro pagador, morreu logo. FHC ficará impune, embora crime de corrupção não
prescreva.
PS
– Nesta
quinta feira, ainda estamos no carnaval. Dentro de 4 ou 5 dias a tranquilidade
do abismo.
PS2 –
Mas ainda teremos que esperar o 5 de abril, para a primeira definição, ao mesmo
tempo política e eleitoral.


