DANIEL
MAZOLA –
Chegou à vez do outro lado da moeda. É hora do mensalão
tucano. No dia19 de fevereiro o deputado Eduardo Azeredo renunciou ao mandato
na Câmara dos Deputados. A carta, entregue pelo filho de Azeredo, Renato
Azeredo, foi lida em plenário, oficializando o afastamento do político,
réu no processo do mensalão do PSDB.
O ministro relator Luis Roberto Barroso emitiu despacho,
no dia 27 de fevereiro, após ter recebido as alegações finais
do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aguardando o julgamento
pelo plenário da questão de ordem sobre a competência da Corte. No processo em
análise do STF Azeredo foi apontado pelo procurador-geral da República, como
o "maestro" no suposto esquema.
22 anos de prisão pelos crimes de peculato e
lavagem de dinheiro, é o que pede o procurador-geral. Segundo Janot, o ex-governador
de Minas desviava recursos públicos em benefício próprio para financiar
sua campanha política. Acho que já vimos esse filme, parece reprise com estreia
atrasada.
O sentimento geral dos brasileiros é ver a justiça
prevalecer, vivemos novamente a expectativa de mais um caso de corrupção que
abala o país. A lama não para de se acumular na falsa oposição, não é exclusividade
petista, nunca foi, estão aí os casos Delta, Siemens, Máfia dos Fiscais de São
Paulo, Carlinhos Cachoeira e, recentemente, os escândalos na
Confederação Brasileira de Vôlei, que fez Ary Graça deixar sua presidência.
Vivemos o cotidiano da corrupção na esfera política, lugar
comum, banalidade, é a lógica da “governabilidade”, do apoio da base “aliada”,
a esfera do poder está sempre envolvida em casos obscuros, que sangram os
cofres públicos, lesam a população e, acima de tudo, causam indignação. Só
queremos uma Nação de verdade, precisamos varrer o velho estado, lugar de
mensaleiros, após julgados e condenados, é na CADEIA. Pedrinhas seria o ideal.
Alegações do PGR na ação penal do mensalão tucano
"Há nos autos conjunto probatório robusto
que confirma a tese acusatória e afasta por completo a tese defensiva, estando
claramente demonstrado ao longo da instrução processual que tanto o desvio de
recursos públicos do Estado de Minas Gerais, quanto a lavagem desses capitais
tiveram a participação direta, efetiva, intensa e decisiva de Eduardo Brandão
de Azevedo que, além de principal beneficiário dos delitos cometidos, também
teve papel preponderante em sua prática. Com vistas a delinear, de forma clara,
todos os meandros das práticas delitivas descritas na denúncia, torna-se
necessária a apresentação de tópicos específicos nas presentes alegações
finais, considerando-se a complexidade da trama criminosa na qual o ora réu, o
então Governador de Minas Gerais, esteve envolvido, ocupando posição de
destaque".
"Ao desviar recursos públicos, Eduardo Azeredo pretendeu, ao
fim e ao cabo, praticar mais um episódio de subversão do sistema
político-eleitoral, ferindo gravemente a paridade de armas no financiamento das
despesas entre os candidatos, usando a máquina administrativa em seu favor de
forma criminosa e causando um desequilíbrio econômico-financeiro entre os
demais concorrentes ao cargo de governador de Minas Gerais em 1998".
"Chama a atenção nesse período após a
eleição de 1998 a intensa troca de ligações entre Eduardo Azeredo, a SMP&B,
a DNA Propaganda e Marcos Valério. Entre julho de 2000 e maio de 2004 foram 72
ligações, sendo que conversas diretas entre o réu e Marcos Valério totalizaram 57.
Esse número expressivo de ligações denota, a mais não poder, um relacionamento
muito próximo entre o réu e Marcos Valério, sendo mais um elemento que, somado
aos demais, comprova a inconsistência da versão defensiva de que Eduardo Azeredo
não teria nenhum conhecimento sobre o desvio de valores públicos para emprego
em sua campanha eleitoral".
"Não há se exigir que Eduardo Azeredo
praticasse por suas próprias mãos, o 'iter' de cada conduta criminosa.
Exatamente para isso havia a colaboração ('lato sensu') de outros agentes,
todos devidamente denunciados na medida de suas ações e responsabilidades. O
que se demonstrou no caso em tela é que os fatos não teriam como ser praticados
na forma em que provados se não tivessem a participação essencial e decisiva,
como verdadeiro coordenador e maestro, ditando as linhas de condutas, de
Eduardo Azeredo. Não se trata de presunções, mas de compreensão dos fatos,
segundo a realidade das coisas e a provados autos".
Eduardo Azeredo divulga nota:
“O teor das alegações finais da Procuradoria
Geral da República ainda é desconhecido”. O deputado Eduardo Azeredo manifesta
sua confiança no Supremo Tribunal Federal, que decidirá ouvindo também as
alegações da defesa. Manifesta ainda total estranheza com a contradição entre o
relatório da Procuradoria e as provas apresentadas ao processo.
Azeredo reitera sua inocência com relação às acusações e espera
que as questões sejam esclarecidas o quanto antes. Reforça que não houve
mensalão, ou pagamento a parlamentares, em Minas Gerais e que as questões
financeiras da campanha de 1998, alvo da ação penal que tramita no STF, não
eram de sua responsabilidade.
Reafirma ainda que a aquisição de cotas de
patrocínio por estatais mineiras, também questionada, não é da alçada de um
governador de Estado e não houve sua a determinação para que ocorresse".
Televisa e petistas estão de olho na Rede Record
Televisa e petistas estão de olho na Rede Record
Edir Macedo, o bispo e líder da Igreja Universal do
Reino de Deus, pode estar interessado em se desfazer de sua participação na
Rede Record de Televisão ou, na pior hipótese, negociar o controle acionário.
Macedo sabe que amigos de Lula desejam
investir na aquisição de um grande grupo de comunicação, mas antecipadamente, o
poderoso bispo não irá ceder as pressões de petistas para uma parceria.
O maior interessado seria o grupo mexicano Televisa,
que pertence ao bilionário Carlos Slim, dono da Claro e da Embratel. Slim, (o
Roberto Marinho do México) quer se expandir para cá depois que o Instituto
Federal de Telecomunicações do México ameaça impor sanções mais duras contra o
que considera “agentes econômicos hegemônicos no mercado de radiodifusão e de
telecomunicações”.
Comentam nos bastidores que a emissora tem consumido
mais recursos da igreja que o necessário, e que seria viável fazer o negócio porque
Macedo não considera mais a Record estratégica para a IURD. A Record
interessaria ao PT, mas tal negócio não sai. Sendo assim, o principal alvo dos
petistas seria a aquisição do jornal O Estado de São Paulo.
Na “república dos banqueiros” a cúpula petista já estaria
fazendo pressão sobre os bancos que controlam o “grande” jornal paulista, para
que facilite sua venda para empresários aliados do governo, e parceiros de
negócios de Lula. As Organizações Globo teriam a preferência para adquirir o
controle do Estadão.
Falam que as negociações estão quentes, mas podem esfriar de repente. Quem poderia viabilizar o negócio (para felicidade geral e delírio da elite petista), cuidando das negociações, é Henrique Meirelles, ex-BC e presidente do Conselho de Administração do grupo JBS, que comanda a marca Friboi. Um jornalão, ainda mais, uma televisão, faz toda a diferença no jogo do poder.
Falam que as negociações estão quentes, mas podem esfriar de repente. Quem poderia viabilizar o negócio (para felicidade geral e delírio da elite petista), cuidando das negociações, é Henrique Meirelles, ex-BC e presidente do Conselho de Administração do grupo JBS, que comanda a marca Friboi. Um jornalão, ainda mais, uma televisão, faz toda a diferença no jogo do poder.



