18.3.14

CHEGOU A HORA DO MENSALÃO TUCANO. BARÃO DA MÍDIA GLOBAL ESTÁ NEGOCIANDO O CONTROLE DA REDE RECORD COM O BISPO. PETISTAS PEDEM APOIO À “REPÚBLICA DOS BANQUEIROS”, QUEREM O ESTADÃO

DANIEL MAZOLA –

Chegou à vez do outro lado da moeda. É hora do mensalão tucano. No dia19 de fevereiro o deputado Eduardo Azeredo renunciou ao mandato na Câmara dos Deputados. A carta, entregue pelo filho de Azeredo, Renato Azeredo, foi lida em plenário, oficializando o afastamento do político, réu no processo do mensalão do PSDB.

O ministro relator Luis Roberto Barroso emitiu despacho, no dia 27 de fevereiro, após ter recebido as alegações finais do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aguardando o julgamento pelo plenário da questão de ordem sobre a competência da Corte. No processo em análise do STF Azeredo foi apontado pelo procurador-geral da República, como o "maestro" no suposto esquema.

22 anos de prisão pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro, é o que pede o procurador-geral. Segundo Janot, o ex-governador de Minas desviava recursos públicos em benefício próprio para financiar sua campanha política. Acho que já vimos esse filme, parece reprise com estreia atrasada.

O sentimento geral dos brasileiros é ver a justiça prevalecer, vivemos novamente a expectativa de mais um caso de corrupção que abala o país. A lama não para de se acumular na falsa oposição, não é exclusividade petista, nunca foi, estão aí os casos Delta, Siemens, Máfia dos Fiscais de São Paulo, Carlinhos Cachoeira e, recentemente, os escândalos na Confederação Brasileira de Vôlei, que fez Ary Graça deixar sua presidência.

Vivemos o cotidiano da corrupção na esfera política, lugar comum, banalidade, é a lógica da “governabilidade”, do apoio da base “aliada”, a esfera do poder está sempre envolvida em casos obscuros, que sangram os cofres públicos, lesam a população e, acima de tudo, causam indignação. Só queremos uma Nação de verdade, precisamos varrer o velho estado, lugar de mensaleiros, após julgados e condenados, é na CADEIA. Pedrinhas seria o ideal.

Alegações do PGR na ação penal do mensalão tucano 

"Há nos autos conjunto probatório robusto que confirma a tese acusatória e afasta por completo a tese defensiva, estando claramente demonstrado ao longo da instrução processual que tanto o desvio de recursos públicos do Estado de Minas Gerais, quanto a lavagem desses capitais tiveram a participação direta, efetiva, intensa e decisiva de Eduardo Brandão de Azevedo que, além de principal beneficiário dos delitos cometidos, também teve papel preponderante em sua prática. Com vistas a delinear, de forma clara, todos os meandros das práticas delitivas descritas na denúncia, torna-se necessária a apresentação de tópicos específicos nas presentes alegações finais, considerando-se a complexidade da trama criminosa na qual o ora réu, o então Governador de Minas Gerais, esteve envolvido, ocupando posição de destaque".

"Ao desviar recursos públicos, Eduardo Azeredo pretendeu, ao fim e ao cabo, praticar mais um episódio de subversão do sistema político-eleitoral, ferindo gravemente a paridade de armas no financiamento das despesas entre os candidatos, usando a máquina administrativa em seu favor de forma criminosa e causando um desequilíbrio econômico-financeiro entre os demais concorrentes ao cargo de governador de Minas Gerais em 1998".

"Chama a atenção nesse período após a eleição de 1998 a intensa troca de ligações entre Eduardo Azeredo, a SMP&B, a DNA Propaganda e Marcos Valério. Entre julho de 2000 e maio de 2004 foram 72 ligações, sendo que conversas diretas entre o réu e Marcos Valério totalizaram 57. Esse número expressivo de ligações denota, a mais não poder, um relacionamento muito próximo entre o réu e Marcos Valério, sendo mais um elemento que, somado aos demais, comprova a inconsistência da versão defensiva de que Eduardo Azeredo não teria nenhum conhecimento sobre o desvio de valores públicos para emprego em sua campanha eleitoral".

"Não há se exigir que Eduardo Azeredo praticasse por suas próprias mãos, o 'iter' de cada conduta criminosa. Exatamente para isso havia a colaboração ('lato sensu') de outros agentes, todos devidamente denunciados na medida de suas ações e responsabilidades. O que se demonstrou no caso em tela é que os fatos não teriam como ser praticados na forma em que provados se não tivessem a participação essencial e decisiva, como verdadeiro coordenador e maestro, ditando as linhas de condutas, de Eduardo Azeredo. Não se trata de presunções, mas de compreensão dos fatos, segundo a realidade das coisas e a provados autos".

Eduardo Azeredo divulga nota:

“O teor das alegações finais da Procuradoria Geral da República ainda é desconhecido”. O deputado Eduardo Azeredo manifesta sua confiança no Supremo Tribunal Federal, que decidirá ouvindo também as alegações da defesa. Manifesta ainda total estranheza com a contradição entre o relatório da Procuradoria e as provas apresentadas ao processo.

Azeredo reitera sua inocência com relação às acusações e espera que as questões sejam esclarecidas o quanto antes. Reforça que não houve mensalão, ou pagamento a parlamentares, em Minas Gerais e que as questões financeiras da campanha de 1998, alvo da ação penal que tramita no STF, não eram de sua responsabilidade.

Reafirma ainda que a aquisição de cotas de patrocínio por estatais mineiras, também questionada, não é da alçada de um governador de Estado e não houve sua a determinação para que ocorresse".

Televisa e petistas estão de olho na Rede Record

Edir Macedo, o bispo e líder da Igreja Universal do Reino de Deus, pode estar interessado em se desfazer de sua participação na Rede Record de Televisão ou, na pior hipótese, negociar o controle acionário.

Macedo sabe que amigos de Lula desejam investir na aquisição de um grande grupo de comunicação, mas antecipadamente, o poderoso bispo não irá ceder as pressões de petistas para uma parceria.

O maior interessado seria o grupo mexicano Televisa, que pertence ao bilionário Carlos Slim, dono da Claro e da Embratel. Slim, (o Roberto Marinho do México) quer se expandir para cá depois que o Instituto Federal de Telecomunicações do México ameaça impor sanções mais duras contra o que considera “agentes econômicos hegemônicos no mercado de radiodifusão e de telecomunicações”.

Comentam nos bastidores que a emissora tem consumido mais recursos da igreja que o necessário, e que seria viável fazer o negócio porque Macedo não considera mais a Record estratégica para a IURD. A Record interessaria ao PT, mas tal negócio não sai. Sendo assim, o principal alvo dos petistas seria a aquisição do jornal O Estado de São Paulo.

Na “república dos banqueiros” a cúpula petista já estaria fazendo pressão sobre os bancos que controlam o “grande” jornal paulista, para que facilite sua venda para empresários aliados do governo, e parceiros de negócios de Lula. As Organizações Globo teriam a preferência para adquirir o controle do Estadão.

Falam que as negociações estão quentes, mas podem esfriar de repente. Quem poderia viabilizar o negócio (para felicidade geral e delírio da elite petista), cuidando das negociações, é Henrique Meirelles, ex-BC e presidente do Conselho de Administração do grupo JBS, que comanda a marca Friboi. Um jornalão, ainda mais, uma televisão, faz toda a diferença no jogo do poder.