DANIEL
MAZOLA -
Está circulando desde a semana passada em “análises”
de conjuntura produzidas por assessorias em gestão de comunicação, marketing e
lobby que trabalham para grandes empresas multinacionais e “megainvestidores”
privados que atuam no Brasil, advertência sobre os riscos reais de um
“aparelhamento do STF” para o futuro da economia brasileira.
Existe medo, temor, acerca dos perigos da “relação
pessoal e política” de integrantes da suprema corte com os interesses do grupo
que ocupa o poder. Tudo comentado, abertamente, em rodas de conversa de
dirigentes de grandes empresas, sobretudo do setor financeiro e de energia. O
medo tende a alimentar uma “oposição” mais aberta ao PT nos meios empresariais.
Textual: “Um STF, aparelhado por pessoas claramente
ligadas e identificadas com teses defendidas pelos governantes do Partido dos
Trabalhadores, representa uma ameaça à segurança jurídica, elevando ainda mais
o já alto risco dos investimentos e dos negócios com o governo brasileiro. O
problema tende a se agravar, desaconselhando que se invista no Brasil, caso o
grupo do ex-presidente Lula consiga reeleger Dona Dilma Rousseff para mais
quatro anos no poder, pois todos os 11 integrantes do Supremo, em breve, terão
sido indicados conforme os interesses estratégicos petistas”. A “justiça”
aparelhada começa a incomodar essa turma mal acostumada e riquíssima.
A turma que vive dos investimentos constata que no
Brasil existe uma perigosa crise de legitimidade, o que agrava a insegurança
jurídica, viabilizando a corrupção e a impunidade. Os “investidores” ganham
muito dinheiro por aqui, mais que em qualquer lugar do mundo.
No entanto, também existem os investidores de
verdade, gente que trabalha e aplica seu dinheirinho no jogo capitalista.
Porém, o custo disso se torna cada vez mais alto e perigoso. Tudo fica pior
quando se perde a confiança na Justiça. Os cidadãos já não confiam muito.
Agora, a elite empresarial também explicita tal desconfiança.
Na nossa democracia, o Supremo Tribunal Federal é o
guardião da Constituição, mas parece que se transformou em uma instância máxima
nos quais, alguns integrantes, julgaram a favor da impunidade, depois de um
malabarismo processual produzido na base da retórica contorcionista. O julgamento
da Ação Penal 470 acabou, agora vai começar o esperado mensalão mineiro ou
tucano. Os “mensalões” parecem não ter fim, e a fratura no STF ficou exposta
para a sociedade.
Muitos avaliam que o resultado final do julgamento da
Ação Penal 470 agravou a crise institucional, sempre negada pelas conveniências
políticas.
Os “donos” do mundo dependem do Brasil como
fornecedor de commodities a baixo custo e importador de tecnologia a alto
custo. Eles querem cada vez mais, precisam sugar e explorar ao máximo. Reclamam
que a visível incompetência gerencial e a corrupção sistêmica saíram do
controle. Na avaliação dos controladores globalitários, tais “vícios políticos
e econômicos” inviabilizam a segurança dos empreendimentos que dependam direta
ou indiretamente do governo, em um país que, além de cobrar impostos elevados,
pratica extorsão direta contra os poderosos empreendedores.
Essa “oposição” econômica, pode se transformar em
terrível oposição política, caso não agrade e atenda todas as suas necessidades.
Substituir Dona Dilma Rousseff, Lula, postes e agregados por outro grupo que
crie mais facilidades e menos dificuldades para os “negócios” globais no Brasil
é facílimo no jogo reeleitoral da “república dos banqueiros”.
Podem precisar mudar a aposta, inicialmente,
“investiriam” em Eduardo Campos ou na falsa social democracia de Aécio Neves.
Os dois são palatáveis para a oligarquia financeira nacional e internacional,
já que não vão mexer no modelo econômico e nem na essência do modelo de Estado
Autoritário de Direito, mas para atendê-los e agradá-los poderiam alterar o
quadro de insegurança jurídica agravada pelo aparelhamento e a impunidade.
E mesmo que mantenham o apoio financeiro ao partido
de Lula, e que vençam a reeleição presidencial, tendem a acumular um desgaste
político tão alto que, fatalmente, terá o próximo mandato presidencial marcado
por instabilidades e uma enxurrada de protestos por falta de credibilidade e
denúncias de corrupção.
Economicamente a crise já entrou em campo. O resultado
final do jogo ainda é imprevisível. O Brasil caminha para o agravamento da
bagunça institucional. A desmoralização generalizada já é uma triste realidade.
Cabe aos brasileiros transformar o Brasil em uma
Nação de verdade, se esperarmos essa tarefa de PT-PSDB (as duas faces da mesma
moeda), seremos mais irresponsáveis que eles, deixaremos o país desadministrado
e servil. Só com pressão popular, (manifestações nas ruas, nas portas das casas
legislativas e palácios), poderemos avançar na tentativa de um verdadeiro (e
salvador) projeto de Nação, com independência e soberania.
“Beleza” de negócio, títulos podres
Em depoimento à delegada Andréia Pinho Albuquerque,
da Polícia Federal, a modelo Luciane Lauzimar Hoepers confirmou que oferecia
propina a prefeitos em troca de investirem, em títulos podres, o dinheiro de
fundos de pensão municipais dos servidores.
Chamadas pelo código de “Pastinhas”, mulheres
bonitas eram usadas pela organização de Fayed para convencer prefeitos a
aplicar recursos de fundos de pensão de servidores em títulos podres. Elas
indicavam os investimentos de alto risco para os prefeitos e, nos mesmos
encontros, ofereceriam propinas como contrapartida, caso os negócios se
concretizassem.
O grupo movimentou pelo menos R$ 300 milhões, ao longo
de 18 meses de investigação.
Em entrevista publicada no portal Terra, antes da Operação
Miqueias da PF ser deflagrada, Luciane, 33 anos, listou os vários trabalhos (na
mídia corporativa) como modelo: "assistente de palco do programa 'Brothers',
na Rede TV, 'Casa Bonita', no Multishow, participações no 'Zorra Total' e
'Faustão', da Globo, e ensaios para revistas masculinas". Segundo ela, ser
bonita ajuda, "porque abre portas".
Medalha Manoel Congo rejeitada
Infelizmente, ontem (18), a
maioria dos vereadores presentes no plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro
rejeitou a proposição feita pelo vereador Renato Cinco (PSOL) de entrega da
medalha Pedro Ernesto à ocupação Manuel Congo (grupo de 42
famílias que mora num prédio abandonado do INSS), vizinha da Câmara.
Carlos Bolsonaro (neonazista do PP), tal pai tal filho, pediu que fosse feita uma votação nominal para a aprovação da honraria, o que normalmente não é feito. Com isso, 15 votos contra e apenas 12 a favor. As discussões entre membros da base do governo e da oposição foram inevitáveis, o que consumiu praticamente todo o tempo de sessão.
“É essa mesma a mensagem dos vereadores do RJ: estuprador
pode ter a medalha Pedro Ernesto? Estuprador é condenado pela Justiça e os
vereadores desta Casa se recusam a cassar a medalha do estuprador. Mas o
trabalhador, a trabalhadora que se organizou e, com sua luta, fez com que o
Estado não fizesse nada além de cumprir sua obrigação, essas pessoas não
merecem? Depois, os vereadores não sabem por que, quando junta gente lá fora,
há quem tenha de sair dentro do camburão, com escolta. É porque esta Casa, mais
uma vez, se revelou inimiga, inimiga do povo do Rio de Janeiro!”,
discursou Renato Cinco.
Vale lembrar que esta casa de
leis já aprovou a mesma medalha (a principal homenagem da Câmara) não só para
um estuprador condenado (o pastor Marcos Pereira), mas também para outros
criminosos notórios e “bem sucedidos” (e não foram poucos nas diversas
legislaturas anteriores, é só pesquisar), mas rejeitou a homenagem aos
trabalhadores que lutam por espaço de moradia próximo ao local de trabalho.
Atualmente, contraditoriamente, o
prédio da Manuel Congo está sendo reformado com recursos públicos. Os
nobres legisladores deveriam é aprovar leis garantindo moradia e ocupações em
prédios e imóveis abandonados, seja públicos ou privados.



