HELIO
FERNANDES –
É evidente que o dinheiro arrecadado para pagar
condenações de mensaleiros, surpreendeu. Por três motivos: o alto valor, a
velocidade, a falta de transparência. Por que não identificar os doadores? Aí
não haveria dúvidas ou suspeitas, quem doou, podia doar, ponto final. Ou não
podia doar, alguma coisa teria que ser feita.
Financiamento
de campanha
É claro que haverá repercussão e influência para
candidatos aos mais diversos cargos, e não apenas a presidente. Constatado que
o dinheiro pela internet, entra assim tão facilmente, o veio será aprofundado e
explorado. Sem qualquer contratempo ou prejuízo para doadores e recebedores.
Bloomberg,
prefeito de Nova Iorque
Há 13 anos, decidiu que a agência de notícias que leva
seu nome, tem repercussão mundial e pode andar sozinha, resolveu ser prefeito
da mais importante cidade dos EUA. Não apenas prefeito, era uma travessa aberta
no caminho para a presidência do país.
Um
homem dos mais ricos, com 13 bilhões de dólares
As revistas de fofocas financeiras, principalmente
Forbes e Fortune, sempre colocavam Bloomberg entre os 10 mais ricos, com 13
bilhões de dólares. Resolvido, chamou um dos maiores amigos com trânsito no
setor de propaganda, contou seu plano. E pediu que planejasse a campanha, os
custos e formasse a equipe.
Custo
inicial: 270 milhões de dólares
O amigo começou a trabalhar, sempre em contato. Mais ou
menos 40 dias depois, apresentou a equipe. E o orçamento para a campanha, esse
que está no título. Bloomberg aprovou, tirou o talão de cheques, preencheu, 270
milhões de dólares.
Reforço
de campanha
Faltando alguns meses para o final, o chefe da campanha
comunicou: “Precisamos mais 60 milhões”. Novo cheque, foi eleito. Tomou posse.
Só que adversários fizeram a acusação de corrupção. O órgão especial investigou
a fundo, concluiu: “Como pode haver corrupção, o dinheiro é dele, todo
declarado à Receita”. E arquivou a acusação.
O
sonho da presidência, desapareceu em 4 anos
Fez uma excelente administração, foi reeleito com um
custo de campanha muito menor. Mas por circunstâncias teve que romper com o
Partido Democrata. Não podia entrar no Republicano, as relações eram de
inimigos e não de adversários.
Dedicou-se então à Prefeitura. Completou o terceiro
mandato, não quis mais. Desistira da presidência, um pedaço do sonho, 12 anos
de prefeito andando de metrô era o suficiente.
A
fortuna pós-prefeitura
Ganhava 1 dólar por ano, pagava suas despesas e das
pessoas que conviviam com ele. Convidava personagens para o café da manhã,
almoço ou jantar, pagava tudo com o seu próprio dinheiro. Agora a Fortune
publicou: “Bloomberg tem 13 bilhões de dólares, o mesmo total registrado antes
de ser prefeito”.
No
Brasil, as mais variadas e inúteis “constituições”
A última Constituição do Império é de 1843. Até 1889,
quando surgiu a República, 47 Primeiros Ministros, média de 11 meses para cada
um. E praticamente, respeitada na hierarquia do Imperador, cada Primeiro
Ministro uma nova Constituição.
A
República “viveu” de golpes e “constituições”
A grande geração dos “abolicionistas” e dos “propagandistas
da República”, esmagada e ultrapassada por dois marechais que como coronéis
vieram brigados da estranha Guerra do Paraguai. Saíram da cama da madrugada de
15 de novembro, para se reconciliarem e massacrarem a República.
Fizemos
tudo indireto
Deodoro assumiu como Chefe do governo provisório.
Floriano como vice, nenhuma eleição. Em 25 de fevereiro de 1891, a primeira
Constituição da República, lógico, indireta. Como já estavam nos cargos, foram
mantidos. Deodoro fingindo de presidente, Floriano mandando mesmo como vice,
reforçado pela nomeação para Ministro da Guerra. Deodoro tinha o cargo, a força
com Floriano.
Essa
primeira República, um tumulto só, de 41 anos
Até o golpe de 1930, a confusão era geral. Por isso, esses
41 anos se transformaram na “república velha”, conspirações em cima de conspirações.
Depois de Deodoro e Floriano se devorarem, vieram três paulistas seguidos, e
outros depois de breve interrupção.
Em 1930 aparentemente haveria eleição aproximada da
verdade. Julio Prestes, governador de São Paulo, Getúlio Vargas, governador do
Rio Grande do Sul. Vargas perdeu, aparentemente estavam conformados. Mas com o
assassinato de João Pessoa, governador da Paraíba, a paixão pelo golpe falou
mais alto. O presidente Washington Luiz foi derrubado 16 dias antes de terminar
o mandato. E exilado nos EUA, junto com o chanceler Otávio Mangabeira.
Vargas
assume como chefe do governo provisório
Não se incomodou, seu título era igual ao de Deodoro, o
primeiro a ocupar o cargo na República. Como era do seu estilo, formação e
convicção, governou ditatorialmente, sem Constituição. Os paulistas sofreram a tremenda
queda de receita com a crise da economia mundial, em 1932 exigiram a
Constituição. Foi convocada a constituinte de 1933 para promulgar a Constituição
de 1934 e marcar eleições diretas dentro de 60 dias.
Democracia
de 1930 a 1934, ditadura cruel de 34 a 1945
Sem nenhum caráter ou convicção, Vargas manobrou, criou
os pelegos, fez promessas, conseguiu que essa eleição de 1934 fosse novamente
indireta, com ele como candidato. Explicou: “A eleição direta será em 3 de
outubro de 1938, não serei candidato”.
O
Estado Novo chegou antes
Como era um obstinado pelo Poder, não esperou outubro
de 1938, se entronizou como ditador absoluto em 10 de novembro de 1937. Golpe
diferente do de 30. Começou com violência total, durou até 1945, garantido
pelos militares. Toda e qualquer ditadura, só pode ser mantida com garantia
militar.
15
anos no Poder pelo golpe, foi derrubado por outro golpe
Fez tudo para continuar, lançou a “Constituinte” com o
comunista Luiz Carlos Prestes, que estava preso, foi solto para isso. Voltou,
atropelou tudo, jogou no lixo a tão esperada democracia. Morto em 1954 no golpe
genial, (o próprio suicídio) deixou o país à beira do assassinato, das “constituições”
e dos Atos Institucionais.


