Por LÚCIO FLÁVIO PINTO - Via blog do autor -
Em 2014, a inflação oficial brasileira ficou em 6,41%. No ano passado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo saltou para 10,67%. Superou, com folga preocupante, o teto da meta inflacionária estabelecida pelo governo federal, que era de 6,5%. É a taxa mais elevada desde 2002, quando bateu em 12,53%, por causa da primeira eleição de Lula para a presidência da república.
Desde que o PT assumiu o governo, em 2003, é a primeira vez
que a inflação oficial superou a meta estabelecida Conselho Monetário Nacional,
embora tenha ficado abaixo do máximo previsto por alguns analistas, que
chegaram a 10,77%.
Em 2015, o brasileiro passou a pagar mais caro por todos os
grupos de produtos e serviços que compõem o custo de vida. Os mais pesados
foram habitação (alta de 18,31%, contra 8,80% em 2014), alimentação e bebida
(12,03% e 8,03%, respectivamente), e transporte (10,16% e 3,75%).
Ao longo de 12 meses, o garrafão de água potável (mas não
mineral, ao contrário do que diz o seu rótulo) que compro perto de casa subiu
de cinco para oito reais. Não há inflação medida que justifique essa majoração.
Mas há uma explicação: o vendedor está se antecipando a uma presumível (na pior
das hipóteses, que é a que prevalece) inflação.
De exagero em exagero, numa espiral cada vez mais
especulativa e irracional, chega-se ao custo de vida galopante. É o mais
poderoso vírus em ação na sociedade econômica. Quem já viveu meses de inflação
a 80% tem todos os motivos para temer da disparada dos preços na vida real.
Quem não viveu, não tem ideia do que lhe aguarda. Por isso, toda atenção no
dragão dos preços.



