Por HENRIQUE MATTHIESEN - Via Instituto João Goulart -
A história brasileira é
cíclica. Dentre seus momentos decisivos há personagens que entram para o esgoto
da história, são os pulhas os desprovidos de caráter, os traidores das causas
que se curvam às benesses momentâneas de seus atos covardes.
Joaquim Silvério dos Reis fora
coronel comandante do Regimento de Cavalaria Auxiliar de Borda do Campo,
participou da Inconfidência Mineira, aceitou a promessa da Cora, o perdão de
suas dívidas, e consequentemente delatou seus companheiros inconfidentes e
entrou pra história como um traidor.
Outro personagem, cuja a
mediocridade o marcou a ferro foi cabo Anselmo, traidor, agente infiltrado que
traiu Jango e a democracia brasileira.
Dizia Brizola, “a política
ama a traição, mas não perdoa o traidor”.
Contemporaneamente, o Brasil
vive uma profunda crise, onde o retrocesso democrático corre inconteste risco,
as forças do atraso, inconformadas com a falta de perspectiva de poder, aliadas
ao comprovadamente delinquente presidente da Câmara dos Deputados Federais,
Eduardo Cunha, tentam rasgar a Constituição e promover um golpe à democracia.
Neste contexto, encontram o
seu Joaquim Silvério dos Reis, nada menos que o vice-presidente da República
cuja biografia não inspira maiores benevolências. Michel Temer, homem de
Eduardo Cunha, conspira com os golpistas traindo seu papel de garantidor
constitucional.
A mera perspectiva de poder
por meio do atalho golpista faz de Michel Temer a caricatura mais fiel do
delator inconfidente, e de tantos outros personagens torpes de nossa história.
A baixeza deselegante de
homens de estaturas de camundongo, articulam despudoradamente esse crime contra
a democracia, ignoram a história regressa de lutas por essa conquista que
deveria ser inalienável de nossa sociedade.
Argumentos torpes,
manipulações grosseiras, falácias vazias, moralismo hipócrita, tentam macular a
vontade soberana do povo que elegeu pelo voto direto e universal a presidenta
da República.
Remédio para governo ruim
não é e não pode ser o golpe de Estado.
Existe eleição para
substituir governos.
Vale lembrar de outro
mineiro que entrou para a história pela porta da frente José Alencar, que
morrera vítima de um câncer, dizia: “Não tenho medo de morrer. De forma alguma.
Mesmo porque, se Deus quiser me lavar. Ele não precisa do câncer. Tenho medo é
da desonra.”
Infelizmente, os Silvérios
pretéritos ou contemporâneos não temem a desonra, afinal o que vale é o poder
pelo poder, independente de honra.
É essa a biografia destes
senhores que querem dar um golpe no Brasil e no voto do povo.



