RALPH LICHOTTI -
Pesquisas
mostram que MAIS DE 97% DOS BRASILEIROS ACHAM QUE VÃO PARA O CÉU, incluindo a
população carcerária, assim concluo que Friedrich Nietzsche, não conhecia o
Brasil quando profetizou que “Deus morreu” e errou feio sua previsão, pois as
igrejas estão bem obrigado.
Nunca
tiveram tantos fiéis na história do Brasil, é a crença no divino e a descrença
no humano. Não quero taxar ser certo ou errado, bom ou ruim o crescimento da
fé, quero somente refletir sob um contexto geral, pois vejo que todos nós
acreditamos que o pecado sempre mora ao lado, nunca em nossa casa, e percebo que
cresce a crença que só milagre para salvar o Brasil que é feito por homens e
pela gente.
Mas
ao mesmo tempo quase todos os brasileiros estão absolutamente seguros de sua
própria salvação, e na incompetência de seus pares, e que esses sim vão pro
inferno. E é por isso que ninguém quer reconhecer tantos avanços sociais que
tivemos na última década, e ninguém aceita perder o luxo, "Deus me livre
tirar o ar condicionado dos quartos do meus filhos" ouvi um novo rico
falando outro dia.
Tudo
na vida tem altos e baixos, eu não faço mais o que fazia com 15 anos, e a
economia também historicamente tem altos e baixos, mas o Brasileiro não é como
os orientais que poupam, nosso cultura e de aproveitar tudo agora, e se der
errado a culpa é do governo que não barrou a queda do barril de petróleo no
mercado internacional, nunca vivemos um período de tanta prosperidade, nunca
vivemos um período tão longo de democracia nesse país.
E
enquanto os tupiniquins cada dia mais exaltam os Deuses e se acham livres do
pecado, os coitados representantes do povo, eleitos pelo povo, estão cada dia
mais desacreditados e avacalhados.
Todos
os políticos são corruptos, essa parece ser a maior certeza, mas aquele que
pediu alguma coisa pra apoiar ele na eleição, obrigando ele a gastar o que não
tinha pra se eleger, não se acha pecador, pois foi coisa pequena, então pedir
um lápis por exemplo não é pecado, mas se o deputado roubar 100 mil lápis é
pecado, o problema parece ser ético e cultural, pois ninguém vê que pra se
eleger são 100 mil votos, logo o deputado vai precisa de 100 mil lápis, se cada
um pedir um lápis ao deputado.
Outro
dado alarmante é que no contra ponto do crescimento das igrejas, torna-se
evidente que cresceu o número de teólogos nos gabinetes e a bancada religiosa
ganhou tanta força, que hoje vem ditando as regras e a pauta de nosso congresso
(inclusive foram fundamentais pra eleição do maior operador de corrupção do
Brasil pra Presidente da casa do povo), ora, se os que profetizam a palavra de
Deus estão no comando, como pode crescer a impopularidade da classe política?
Alguma
coisa está muito errada, e pior o futuro de nosso país está sendo comprometido,
pois nossa educação está cada dia mais superficial, nunca se escreveu tanto,
nunca teve tantos livros lançados e nunca se produziu tão pouco conteúdo
intelectual, nossas bases ainda são livros escritos séculos atrás, muito pouco
se construiu de fórmulas de pensamento.
Sem
uma educação de base, continuamos um país agrícola que vive de Commodities, e
para piorar uma pesquisa recente do IBGE mostra que cerca de 705 mil crianças
estão trabalhando no Brasil, isso sim é pecado capital, está ficando comprometido
o futuro de nosso país, essas crianças deveriam estar nas escolas.
Mas
a maior preocupação da mídia não é essa, e sim coisas banais e acabar com um
partido político de base popular que governa o país, como que se trocasse o
partido que governa e alavancou o país na última década, fosse o apanágio da
nação e o livramento de todos os pecados, e fosse tudo resolvido como milagre,
como se os problemas econômicos e a roda financeira não fossem mundiais,
esquecendo-se todos da velha história do fazendeiro monarquista,
que disse que era contra a democracia, pois a única diferença dela pra
república era que trocariam um velho porco gordo (REI), por novos leitõezinhos
sujos e famintos de 4 em 4 anos (PRESIDENTE).



