HELIO FERNANDES -
Bretton Woods verdadeiro
Em julho de 1944, com o fim da guerra se aproximando,
(acabaria menos de 1 ano depois em 8 de maio de 1945) os EUA perceberam que era
importante vencer a guerra, só que mais importante ainda era dominar a economia
do mundo.
Esse Bretton Woods foi convocado por 44 países. Liderado pelo
economista britânico, John Maynard Keynes, que fazia desfazia, já tinha até
nome da nova moeda, que teria curso universal. Seu nome: BANCOR, com garantia
do metal OURO. Mas os EUA estavam longe dessa ideia, convencidos e certíssimos,
que acabada a guerra, viria o choque inevitável com a União Soviética.
A ideia e obsessão americana, era criar um sistema econômico
e financeiro, com o DÓLAR como moeda única de troca para o mundo inteiro. Pela
primeira vez a moeda de um país seria utilizada, OBRIGATORIAMENTE para toda e
qualquer operação, fosse onde fosse. Keynes ficou surpreendidíssimo, não
acreditou nem aceitou.
Os representantes dos EUA, na conferência-encontro, apelaram
para Roosevelt, disseram textualmente: “Presidente, se deixarmos criar essa
nova moeda, perderemos tudo o que ganhamos com a guerra”.
Roosevelt perguntou apenas: “Marcar encontro co Churchill e
pedir a ele para demover Maynard e convencê-lo que a paz e a garantia do mundo,
dependem do DÓLAR como moeda universal”.
Não disseram a ale mas o Chefe de Gabinete e o próprio
General Marshall: “Pode garantir que aceitaremos o “LASTRO” do ouro, não vamos
cumprir mesmo”.
Roosevelt-Churchill
Conversaram dias em Londres mesmo, Roosevelt “explorou” o
lado mais vulnerável do Primeiro Ministro: o horror por Stalin e pela União
Soviética. Quando Roosevelt se convenceu de que não ganharia a guerra sem os
dois, teve que “dobrar” Churchill, que afinal aceitou.
E nas Conferências de Yalta e Teerã, Roosevelt, Stalin e
Churchill apareceram juntos e cordialmente (?) por causa da argumentação do
presidente dos EUA. John Maynard Keynes, como grande economista oficial, não
resistiu, jogou no lixo o BANCOR, fez tudo o que o Primeiro Ministro pediu,
usemos a palavra correta, MANDOU.
O DÓLAR papel pintado
O general Marshall que comandou a guerra e cuidou também da
parte econômica e financeira, teve a percepção ou a intuição correta: terminada
a Segunda Guerra, viria o confronto com a União Soviética. Era a chamada
“Guerra Fria”, o fim da União Soviética.
Se os EUA não tivessem inundado a Europa com esse DÓLAR que
não custava nada para eles, em vez de Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental,
haveria uma Europa totalmente dependente da União Soviética.
Os EUA montaram estados do “Meio Oeste”, fabricas que durante
24 horas trabalhavam imprimindo esse dólar que era desejado no mundo. Saiam das
máquinas, iam direto para o Forte Knox, de lá eram transferidos para a Europa.
O primeiro pacote de dólar falso que chegou à Europa, era de 150 BILHÕES.
Faziam questão de não economizar, afinal era baratíssimo, só ligar as máquinas
e imprimir.
A Guerra Fria, mais cara do que a própria guerra
O custo, em números, foi colossal. Existem livros com
levantamentos espantosos sobre o desperdício de dinheiro. Para os EUA era só
imprimir. A União Soviética foi a primeira a ir ao espaço, embora não tivesse
chegado à Lua. Também construiu o primeiro submarino nuclear, bem antes dos
EUA. Mas não conseguiam fazer um liquidificador. E o automóvel que construíram,
o Lada, tinha autonomia de no máximo 10 quilômetros ou enguiçava.
Tinha um estoque fantástico de armas as mais sofisticadas.
Não resistiu, quando o gasto militar PASSOU DE 70 por cento do orçamento, não
suportaram, a União Soviética desapareceu na véspera do Natal de 1991. Irã e
Iraque travaram guerra durante 2 anos, todo o armamento usado pelos dois
países, vinha do cambio negro com o que existia na União Soviética.
1 ano depois da União Soviética deixar de existir, a revista
Forbes, fez levantamento sobre as 100 maiores fortunas do mundo, 11 eram da ex
União Soviética. (Hoje “exilados” na Europa, donos de clubes de
futebol e até da NBA dos EUA. Sabiam de tudo, “fugiram”, com os bens, são
amigos de Putin, lógico, ele era da KGB).
Fogos de artifício pelos 70 anos
Deturpam deslavadamente os fatos, afirmam o que não sabem e o
que nem existiu. Textual, publicado agora nessa “glorificação” de Bretton
Woods: “Em 1944, a diplomacia brasileira teve papel relevante nessa
conferência, maior do que a sua economia”.
E insistem: “Sem a França, a Alemanha e Japão, e sem a
participação da União Soviética, o Brasil se destacou. E os EUA se voltaram
para a América Latina”. Tudo inverdade e desinformação.
PS – Em Bretton Woods 1944,
só estavam presentes dois brasileiros, apesar de moços, já mortos. Um
jornalista, grande amigo do repórter, me contou histórias maravilhosas, que
desenvolvi.
PS1 – O outro, diplomata começando a carreira,
(era Terceiro Secretário) saíra da turma inicial do Instituto Rio Branco, em
1941. Mais tarde, importante e poderoso, me processou pelo que escrevi, perdeu
duas vezes.
PS2 – A União Soviética não foi convidada,
claro, era tudo contra ela. E os EUA não se voltaram para a América Latina,
queriam “operar sozinhos”, dessa forma se transformaram na potência atual.
PS3 – Se tivessem que pagar pelo Plano Marshall
e pelo que foi gasto na “Guerra Fria”, já teriam ido à falência, como a União
Soviética.
FIM



