30.8.15

UMA GUERRA SEM VENCEDORES NEM VENCIDOS. A GUERRA CONTRA AS DROGAS É UMA GUERRA SEM FIM. PARA JOSÉ MUJICA O NARCOTRÁFICO MATA MAIS DO QUE AS DROGAS

ALCYR CAVALCANTI -


A "Guerra Contra as Drogas" intensificada a partir de 1981  em escala continental pelo Governo Reagan tem provocado mais mortes do que o tão combatido consumo de drogas. Para o ex-presidente do Uruguai José Mujica que em 2013 aprovou a regulação da produção e da distribuição legal da maconha, o combate aos narcotraficantes e usuários de drogas não tem resolvido o problema, e o consumo tem aumentado em todo o planeta.

Mujica esteve na cidade para uma conferência na UERJ a lei não é um incentivo ao consumo, mas foi feita para dar tratamento médico aos dependentes, e evitar a prisão de milhões de pessoas. O narcotráfico é o que existe de pior, incrementa a venda clandestina de armas altamente letais como os fuzis usados por todos os narcotraficantes, e a corrupção generalizada envolvendo membros do aparelho repressivo, do legislativo e do judiciário, além do domínio de um território que deveria ser exclusivo do Estado para dar bem estar às populações.

O comércio de venda de drogas é um fenômeno mundial que tem provocado muitas mortes, mas é altamente lucrativo e perfeitamente inserido na economia capitalista. Podemos falar em uma verdadeira indústria das drogas que gera um enorme capital financeiro bem mais que a assistência oficial para o desenvolvimento humano. Mais de dois milhões de pessoas estão envolvidas na produção, embalagem, transporte  e venda de drogas. Muitos países têm sua economia na dependência desse tipo de negócio. Em contrapartida são gastos milhões de dólares para a tentativa de eliminar sumariamente aqueles que trabalham nessa linha de produção com pouco ou nenhum resultado.

Os narcotraficantes, principalmente os que ficam na "linha de frente" são como meras peças de reposição em uma linha de produção, quando abatidos  são prontamente substituídos nesse macabro círculo por um "exército de reserva", um ciclo de matanças que parece não ter fim.