Por LUIS NASSIF - Via Jornal GGN -
Não são
pequenas as preocupações suscitadas pela crise na China.
A China não é
uma democracia, mas tem alternância de poder. Estas se dão no âmbito do Partido
Comunista Chinês, com movimentos pendulares similares aos das democracias
ocidentais: a uma gestão voltada para o mercado sucede outra com preocupações
sociais e regionais.
De um lado, grupos
políticos baseados em Xangai; de outro, lideranças provinciais bem
sucedidas. O fator de legitimação são as taxas de crescimento, necessárias para
dar conta não apenas da inclusão mastodôntica de chineses ao mercado de
consumo, mas também às aspirações de melhoria contínua na vida dos chineses já
incluídos.
E não tem
jeito. Os grandes crescimentos nacionais sempre se deram através da
urbanização, da incorporação da mão de obra rural nas indústrias.
O final dos ciclos
sempre são marcados por crises de superinvestimento, de criação de
enorme capacidade ociosa nas indústrias pela frustração no ritmo de crescimento
anterior. A frustração do processo de melhoria produz terremotos sociais e
políticos. Os comícios da Vila Euclides ocorreram quando as perspectivas de
melhoria cessaram, mesmo com os metalúrgicos em situação muito melhor do que no
início dos anos 70.
A crise transborda
para a política, obrigando o governo chinês a malabarismos. Sua
estratégia tem sido convencer a opinião pública da importância do avanço
geopolítico para fora das suas fronteiras. Esse desafio externo funciona como
álibi para expurgos que estão sendo realizado nas Forças Armadas - a pretexto
de coibir a corrupção -, visando colocar em cargos-chave generais fiéis ao
presidente, para se contrapor a golpes potenciais advindos do Partido
Comunista.
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Não é pouca
insegurança, em se tratando da segunda economia do planeta.
O componente político
aumenta a volatilidade. O componente real, o econômico, provoca os terremotos
globais. A frustração do ritmo de crescimento das últimas décadas muda o
comércio e o sistema de preços mundial.
O efeito imediato é
a queda das cotações das commodities batendo direto na economia brasileira.
Outro efeito é
a volta atrás na estratégia de substituir exportações por investimentos
internos. As minidesvalorizações da moeda chinesa trazem o fantasma de uma nova
invasão de produtos chineses nos principais mercados globais. Ao mesmo tempo,
há ondas de desvalorizações da moeda de inúmeros emergentes.
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As ondas
subsequentes são complicadas.
A queda nos preços
do petróleo afeta a competitividade de inúmeros setores que nasceram com o
petróleo caro, mais especificamente o xisto nos Estados Unidos e o conjunto de
pesquisas em energias alternativas. Bate na geração de caixa da Petrobras. Por
outro lado, abre espaço para uma recuperação mais rápida da economia mundial.
Pelo tamanho da
China, cada movimento gera ondas tectônicas mudando as correlações de
preços, em ondas sucessivas. As somas de perdas e ganhos impedem qualquer
avaliação objetiva sobre as resultantes, ainda mais incluindo-se nesse quadro
os desdobramentos políticos e geopolíticos.
Enfim, é
um momento aguardado há tempos, que marcou a explosão de todas as grandes
economias globais. Mesmo aguardado, sempre pega o mundo de surpresa.



