Via Congresso em Foco -
O doleiro Alberto Youssef indicou, durante acareação com o ex-diretor de refino e abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa na sessão da CPI da Petrobras desta terça-feira (25), que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) pode ter recebido dinheiro relativo a contratos da estatal Furnas Centrais Elétricas, em Minas Gerais.
Durante as investigações da Operação Lava Jato, o doleiro declarou que o ex-deputado José Janene (PP-PR), morto em 2010, “dividia algumas operações” com o tucano, na época em que Aécio era deputado federal. O doleiro, no entanto, não esclareceu quando ocorreram estas operações.
Na sessão da CPI desta terça-feira, o deputado Jorge Sola (PT-BA) perguntou a Youssef se ele sabia que Aécio era um possível beneficiado com dinheiro desviado de Furnas. O doleiro respondeu apenas: “Eu confirmo por conta do que eu escutava do deputado José Janene, que era meu compadre e eu era operador”, declarou o doleiro.
Youssef também reafirmou, ao lado do ex-executivo da Petrobras, o teor de depoimentos que já haviam prestado à Justiça Federal, em que apontam o pagamento de propina de R$ 10 milhões para evitar uma CPI no Congresso.
O doleiro confirmou que esse valor foi pago pela empreiteira Camargo Correia ao então presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), que morreu em 2014.
Paulo Roberto Costa acrescentou que foi procurado por Sérgio Guerra e pelo deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) para tratar do pagamento, que seria destinado a “abafar” a CPI.
Em depoimento à comissão, o ex-diretor da Petrobras disse que o deputado intermediou o encontro com Sérgio Guerra, ocorrido em um hotel no Rio de Janeiro. “Confirmo todos os depoimentos anteriores”, disse Paulo Roberto.
ADIADO O PEDIDO DE IMPEACHMENT
A oposição recuou sobre o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff e decidiu aguardar novos fatos no cenário político para alinhar um discurso. A reunião agendada para esta terça-feira (25) foi adiada indefinidamente à espera do "momento adequado".
"Para respaldo ainda maior, é necessária a integração desses movimentos de rua que geraram novo e importante movimento, respaldado por juristas de renome, que podem dizer da substância jurídica desse pedido de impeachment. Envolve aspectos jurídicos e políticos. Temos que aguardar o momento adequado", disse o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PB).
A ideia era reunir PSDB, DEM, PPS e SD para unificar o tom do discurso contra Dilma. Juristas também participariam para embasar os argumentos jurídicos pela saída da petista da Presidência.
Apesar do rompimento público do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com o governo e do agravamento da crise política, a avaliação da oposição é que ainda não conseguiram o apoio necessário para aprovar um pedido de impeachment.
"Estamos em busca do PMDB. Mas ainda estamos na fase de um puxa o PMDB de um lado, o outro puxa do outro. Melhor aguardar", destacou um líder oposicionista.



