Por DAVISON COUTINHO - Via Mídia Informal-
De um lado José Fernando Ferreira da Silva, operário, 44 anos, típico trabalhador que sai ainda jovem do interior e vem para cidade grande em busca de uma vida melhor. Deixou Pernambuco com 18 anos e trabalhava na linha 4 do metro até ter sua vida tirada por um homem com uma origem e história de vida bem diferentes da sua.
Do outro lado, um empresário, seu nome é Ivo Nascimento de Campos Pitanguy, 59 anos, filho de um dos mais renomados cirurgiões plásticos no mundo. Com uma vida bem diferente da vida de um operário, é o responsável por atropelar e matar José Fernando Ferreira da Silva, por dirigir embriagado ao volante. Pitanguy acumula em seu histórico de condutor 70 multas, sendo 14 destas por embriaguez ao volante.
Homens como José Fernando, na favela, são vítimas de diversos outros tipos de violência, mas as mortes são banalizadas, esquecidas e transformam-se em números, quando não são ocultadas. Quantas vítimas não perdemos esses anos nas comunidades, por bala perdida? Na Rocinha, um adolescente de 16 anos perdeu sua vida no último fim de semana e ainda não se tem uma resposta sobre o caso.
Onde estava o Detran desde 2010? Estava fechado? Como pode um condutor com mais de 70 multas de trânsito continuar circulando pela cidade. Quatorze multas por dirigir embriagado. Essa morte poderia ser evitada se não houvesse essa “falha” deste órgão de trânsito. Além de indiciarem o empresário, é preciso uma explicação para que esse tipo de “falha” não se repita e para que respondam também os responsáveis pelo Detran, um órgão já muito criticado pelos cidadãos e que necessita de uma reforma em seu modelo de gestão.
José Fernando deixa dois filhos menores de idade, uma esposa e toda uma família inconsolável com sua morte. Assim como muitos filhos da favela perdem seus pais. E Ivo Nascimento de Campos Pitanguy, qual será o seu destino? Quanto tempo permanecerá preso? Que a justiça seja feita e que se tente ao menos corrigir os danos causados a esta família.



