CARLOS CHAGAS -
Quem será prejudicado caso o Congresso aprove o fim da
obrigatoriedade do voto? O trabalhador. Porque se votar tornar-se um
direito, não um dever, quantos optarão por ficar em casa ou ir à praia
em vez de enfrentar filas para escolher candidatos nos quais não
acreditam e até desprezam? O cidadão comum, aquele que não aguenta mais
assistir o festival de roubalheira encenado pela maioria de nossos
políticos, aproveitará a oportunidade para evitar sacrificar-se.
Precisamente aquele que, mesmo a contragosto, costuma eleger gente igual
a ele, apesar das frustrações.
As elites comparecerão às urnas, para continuar ditando as regras que
engordam seus benefícios. Resultado: mais espaço para a permanência do
mesmo de sempre.
Provavelmente esta semana a Câmara decidirá a respeito, dentro do
fracasso que tem sido a reforma política. Basta ver que deputados e que
partidos votarão pelo direito ou pelo dever. De qualquer forma, não há
debate nem discussão a respeito. Parecem anestesiados os integrantes das
bancadas ditas de esquerda, sem noção das consequências.
CONSPIRAÇÃO EM MARCHA
Deve cuidar-se o senador Aécio Neves.
Os paulistas estão em conspiração aberta para impedir sua candidatura às
eleições de 2018. Querem Geraldo Alckmin como candidato, em especial
agora, quando o PT se encontra em curva descendente. Não cuidavam, os
paulistas, de substituir o mineiro quando a candidatura do Lula ia de
vento em popa, depois da reeleição de Dilma. Quando as coisas começaram a
desandar e até os panelaços ganharam as ruas, perceberam que a vitória
deixou de constituir-se num sonho impossível. Para perder outra vez,
Aécio era o preferido. Mas diante da hipótese de o Lula não concorrer,
ou da possibilidade dele perder a eleição, os ventos mudaram.Os
paulistas estão novamente embalados. O primeiro passo será desgastar e
afastar o ex-governador de Minas. Para isso não hesitarão na busca de
pretextos para demonstrar a fragilidade de sua candidatura.
Fernando Henrique, José Serra e outros empenham-se na tentativa de
apresentar Alckmin como a melhor solução. Vem por aí uma campanha
destinada a demonstrar as excelências de seu governo em São Paulo. Ao
mesmo tempo, pretendem avançar nas bases tucanas de outros estados. As
eleições municipais do ano que vem servirão de teste: se elegerem a
maioria dos prefeitos, exceção, é claro, dos candidatos em Minas,
formarão sólida base para o futuro. Em suma, o grande adversário dos
paulistas do PSDB não é o Lula. É Aécio...



