Via Terra Brasil -
Um trio elétrico que exibia uma faixa de “Fora Cunha!” puxou o comboio de
19 carros de som que desfilaram na Parada Gay de São Paulo, neste
domingo.
Com o tema “Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim:
respeite-me”, o evento deste ano tem o objetivo de “resgatar a
auto-estima” da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e
Transexuais) – como definiu o presidente da Associação da Parada do
Orgulho GLBT (APOGLBT), Fernando Quaresma – sem deixar de fazer críticas
à agenda conservadora que tomou conta do Congresso Nacional com a
liderança do presidente da Câmara, o evangélico Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
A briga de Cunha com os homossexuais é antiga. Em 2011 ele apresentou
um projeto para instituir o “Dia do Orgulho Hetero” no Brasil e disse
que o objetivo da proposta é “resguardar direitos e garantias aos
heterossexuais de se manifestarem e terem a prerrogativa de se
orgulharem do mesmo e não serem discriminados por isso".
Além de Cunha, foram alvo de críticas o deputado federal Marco
Feliciano (PSC-SP), grande entusiasta do já arquivado projeto da “cura
gay”, bem como do pastor Silas Malafaia, que nesta semana
publicou um vídeo chamando os evangélicos a boicotarem os cosméticos de “O Boticário”, depois que a marca lançou uma campanha com casais homoafetivos para o Dia dos Namorados. O
site de Marco Feliciano foi invadido por hackers na tarde deste domingo. Os invasores deixaram uma mensagem condenando a perseguição aos gays.
Na cerimônia de abertura da Parada Gay, na qual autoridades concederam
entrevista coletiva à imprensa, Quaresma afirmou que “os últimos tempos
foram marcados por um retrocesso no cenário político”. Na sequência, a
senadora Marta Suplicy (sem partido) – chamada de “nossa madrinha” por
ativistas da causa LGBT – lembrou que mais de 300 homicídios contra
LGBTs foram registrados no Brasil em 2014 e prometeu empenho para que a
homofobia seja criminalizada. “Nós temos um momento difícil no
Congresso, que está muito conservador”, disse.
Estado laico
Em sua fala, o prefeito Fernando Haddad (PT) disse que o apoio de São
Paulo com a causa LGBT mostra seu compromisso com o Estado laico.
“Gostaria de frisar o significado mais profundo da nossa presença aqui,
já que essa é uma iniciativa da sociedade civil. Nesse caso específico,
penso que fica sublinhado o compromisso de São Paulo com o princípio do
Estado laico”, disse Haddad. “Fomentar a intolerância e incitar a
violência, no nosso País, é algo que ofende a Constituição. Então, nossa
presença aqui é um compromisso contra qualquer tipo de intolerância,
hoje em particular contra a comunidade LGBT. Não podemos admitir nenhum
tipo de regressão ou retrocesso”, continuou o prefeito.
Via Brasil247 - Um grupo de hackers invadiu nesta tarde o site do deputado federal e
pastor evangélico Marco Feliciano (PSC-SP) e substituiu todas as
informações contidas no portal pela bandeira do arco-íris (símbolo do
orgulho LGBT), uma imagem em alusão a Jesus Cristo fazendo referência à
propaganda de O Boticário e a mensagem: 'Marco Feliciano, você acaba de
tomar no aparelho excretor. Abaixo o preconceito'.
Além disso, uma paródia da música 'I will survive', de Glória Gaynor,
também toca quando o site é acessado. O grupo se auto intitula
'ProtoWave'.
O ataque ocorreu à 19ª Parada do Orgulho LGBT - lésbicas, gays,
bissexuais, travestis e transexuais, que fechou a Avenida Paulista, em
São Paulo, neste domingo.
Com tema 'Eu Nasci Assim, Eu Cresci Assim, Vou Ser Sempre Assim:
Respeitem-Me!', o evento reúne pessoas de diversos perfis e idades nas
ruas da região central da capital.
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