CARLOS CHAGAS -
Dois meses atrás o procurador-geral da República enviou ao Supremo
Tribunal Federal pedido de abertura de inquérito contra 42 parlamentares no exercício de seus mandatos, supostos de envolvimento no
escândalo da Petrobras, entre eles o presidentes da Câmara, Eduardo
Cunha, e do Senado, Renan Calheiros. De acordo com a decisão do ministro
Teori Savaski eles serão objeto de investigações e denunciados,
tornando-se réus. Ou absolvidos de participação na lambança. No primeiro
caso seriam abertos processos contra eles. Se condenados pela mais alta
corte nacional de justiça, perderão os mandatos e os direitos
políticos.
O diabo é que até agora ignora-se o desenvolvimento dos
inquéritos. Não se sabe se algum dos inqueridos já foi ouvido. Muito
menos sabe-se do inteiro teor de supostas acusações.
O ritmo do Poder Judiciário é diferente, por exemplo, do ritmo da
política. De quando em quando alguém desestabiliza a lentidão, como o
então presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, no caso do mensalão. Só
que o ex-ministro pediu para sair e já está fora. Seu sucessor não dá
sinais de suas decisões, se é que estão sendo tomadas. O resultado é
que mesmo com a Polícia Federal e o Ministério Público aprofundando as
investigações e todos os dias revelando mais detalhes da lambança na
maior empresa pública brasileira, os parlamentares envolvidos sentem-se
blindados.
Convenhamos, o Supremo deve explicações à opinião pública, ao
contrário do que alguns juristas sustentam. Coma designação do
décimo-terceiro ministro, onze meses depois da aposentadoria de Joaquim
Barbosa, desaparecem os pretextos de que iniciar o julgamento seria um
risco, dada a hipótese de um empate de cinco a cinco.
Não há pressões sobre os Meritíssimos, mas apenas ansiedade para que
se pronunciem. Está proibida a transmissão televisiva das sessões de
julgamento, que ao contrário do caso do mensalão, não ficarão a cargo do
plenário, mas de uma das turmas da corte.
Em suma, o país espera a palavra que salva ou a sentença que condena.
Mas esperar não é poder, conforme a letra do cancioneiro popular...



