CARLOS CHAGAS -
Na mais importante sessão da CPMI da
Petrobras, terça-feira, coube ao réu Paulo Roberto Costa denunciar a
existência de dezenas de políticos envolvidos na roubalheira. Mais
ainda, que a lambança não se limitou à estatal petrolífera pois atingiu
empresas públicas encarregadas dos setores rodoviário, ferroviário, de
portos, aeroportos e hidrelétricas.
Indaga-se há quanto tempo acontece esse conluio entre o poder público e as empresas privadas. Anos? Décadas? Séculos?
Apesar dos louvores que merece a Polícia Federal na
elucidação dos crimes, fica evidente a sua limitação, quando as
investigações esbarram nos maiores responsáveis pela transformação do
Brasil numa imensa caverna do Ali Babá. Porque nada aconteceria não
fosse no mínimo a conivência deles. No caso, para começar, os chefes dos
três poderes da União. Como um delegado ou uma equipe policial
chegariam à suprema direção do Executivo, Legislativo e Judiciário?
Ainda esta semana um grupo de energúmenos ganhou as
ruas pedindo a volta à ditadura militar. Deveriam ser todos
identificados, processados e encarcerados por injúria à democracia, mas
inexistirá outra solução para que se encerre esse longo período de
criminalidade?
Caberia aos presidentes da República, do Congresso e
do Supremo Tribunal Federal reunir-se para propor à nação um remédio
amargo mas essencial à recomposição das instituições. A fiscalização
implacável por parte de qualquer agente do estado e a punição
intransigente dos malfeitos apurados em ritmo meteórico. Nada fora da
Constituição, mas algo capaz de interromper esse festival de ladroagem
incrustado na crônica recente ou longínqua. Por certo que não Atos
Institucionais ou Adicionais, mas a aplicação segura das leis penais e a
utilização do aparato estatal para fazer cumpri-las. Autoridade esse
triunvirato possui, independente das pessoas que os ocupem. Falta-lhe
confiança, fator essencial para o funcionamento da nação, em condições
de ser conquistado na hipótese de assumirem suas responsabilidades na
plenitude de seus poderes. Deixar as coisas como estão é que não será
mais possível.
A MODA JÁ PEGOU
Aprovado o projeto da presidente Dilma que faz o
déficit sepultar o superavit em todas as contas públicas, qual a
consequência imediata, ontem mesmo? Foi de que os governadores, sem
exceção, reivindicaram a mesma distorção. Não há mais lei de
responsabilidade fiscal. Aguarda-se a mesma reação dos prefeitos.



