Por LÚCIO FLÁVIO PINTO - Via Agenda Amazônica -
A nota do Repórter 70 sobre o limão pobre na cabeça do senador Jader
Barbalho (PMDB) reavivou a boataria segundo a qual ele estaria com câncer no
cérebro. As especulações foram reforçadas pelo Repórter Diário de hoje. A
principal coluna do Diário do Pará disse que o ex-governador vai passar
a cuidar do seu mandato e da política nacional em Brasília.
A política local ficará entregue totalmente a Helder Barbalho, o
candidato derrotado do PMDB ao governo do Estado na eleição de outubro. O
ex-prefeito de Ananindeua assumirá a presidência do partido “em tempo
integral”.
De fato, um grupo de jovens médicos encontrou indício de câncer na
hipófise de Jader ao examinar o senador em São Paulo. Uma análise mais
acurada, porém, desfez esse diagnóstico, constatando tratar-se de
diabete provocada por disfunção da glândula suprarrenal. O novo
diagnóstico foi acompanhado pela recomendação de cuidados e uma vida
mais saudável, que não combina mais com a atividade intensa que a
política estadual vinha impondo ao senador.
Se não procede o limão podre que O Liberal colocou na cabeça
do seu maior inimigo, a condição de saúde de Jader vai provocar o seu
gradativo distanciamento da frente de combate pelo poder local. Passará a
ser o grande teste sobre a liderança de Helder Barbalho. Aos 35 anos e
duplamente derrotado (na sua sucessão em Ananindeua e na eleição para o
governo), ele precisará dizer a que veio – e se veio para ficar ou é
chuva passageira na política paraense, sem estação própria.
Matanças, um mês depois
Completa hoje (4/12) um mês o assassinato de Antonio Marcos da Silva
Figueiredo, de 43 anos, cabo da Polícia Militar, em Belém. Não há dúvida
que sua morte, com 20 tiros, quando retornava da academia de ginástica
para a sua casa, no Guamá, foi uma execução. Um mês depois, entretanto,
nenhum nome foi apontado como responsável pelo crime. Nem pelas 10
mortes que se seguiram.
Segundo os condutores da apuração dos fatos, tanto na polícia civil
como na justiça militar, o sigilo do trabalho, determinado
judicialmente, é necessário para que os participantes sejam descobertos e
presos. Já não há mais dúvida também que as 10 mortes posteriores à do
cabo foram vingança, praticada quase que certamente por seus colegas de
corporação na Rotam, o mais agressivo dos braços armados da ação
policial.
De acordo com uma fonte que acompanha a investigação, os policiais
que podem ter participado das execuções são homens perigosos, capazes
até de investir contra as pessoas que estão à sua cata. Daí todas as
cautelas e medidas de proteção. Mas a demora em alguma iniciativa
concreta não está ajudando a população a acreditar que os homicídios
serão mesmo elucidados.
A primeira versão oficiosa, de que se tratava de disputa entre
milícias que atuam na periferia, não resistiu à mais elementar
reconstituição dos fatos. Se fossem integrantes de um grupo particular
conhecido os matadores do cabo, eles certamente teriam fugido do local e
das proximidades.
Só um dos 10 mortos na represália tinha antecedente policial. Os
outros podiam passar apenas por “suspeitos”, na genérica – mas
inapelável – qualificação que a polícia aplica quando faz alguma
repressão em bairros como o Guamá e a Terra Firme, onde ocorreu a
maioria dos homicídios. Qualquer má aparência libera a violência. Todos
os 10 homens foram mortos aleatoriamente pelo grupo de militares que
circulou pelos bairros sedentos por sangue.
Esses dados sugerem que se tratava de uma disputa ou divergência
entre milícias paramilitares ou desentendimentos na ação paralela da
polícia, o que torna ainda mais perigosa a investigação. Provavelmente
ela se estenderá além do primeiro prazo, de 30 dias, a ser renovado. Com
isso poderá apresentar resultados conclusivos e servir de apoio à
punição dos autores das mortes?
É a pergunta que se faz, um mês depois das matanças.



