5.12.14

O LIMÃO DO SENADOR. MATANÇAS, UM MÊS DEPOIS

Por LÚCIO FLÁVIO PINTO - Via Agenda Amazônica - 


A nota do Repórter 70 sobre o limão pobre na cabeça do senador Jader Barbalho (PMDB) reavivou a boataria segundo a qual ele estaria com câncer no cérebro. As especulações foram reforçadas pelo Repórter Diário de hoje. A principal coluna do Diário do Pará disse que o ex-governador vai passar a cuidar do seu mandato e da política nacional em Brasília.

A política local ficará entregue totalmente a Helder Barbalho, o candidato derrotado do PMDB ao governo do Estado na eleição de outubro. O ex-prefeito de Ananindeua assumirá a presidência do partido “em tempo integral”.

De fato, um grupo de jovens médicos encontrou indício de câncer na hipófise de Jader ao examinar o senador em São Paulo. Uma análise mais acurada, porém, desfez esse diagnóstico, constatando tratar-se de diabete provocada por disfunção da glândula suprarrenal. O novo diagnóstico foi acompanhado pela recomendação de cuidados e uma vida mais saudável, que não combina mais com a atividade intensa que a política estadual vinha impondo ao senador.

Se não procede o limão podre que O Liberal colocou na cabeça do seu maior inimigo, a condição de saúde de Jader vai provocar o seu gradativo distanciamento da frente de combate pelo poder local. Passará a ser o grande teste sobre a liderança de Helder Barbalho. Aos 35 anos e duplamente derrotado (na sua sucessão em Ananindeua e na eleição para o governo), ele precisará dizer a que veio – e se veio para ficar ou é chuva passageira na política paraense, sem estação própria. 

Matanças, um mês depois 

Completa hoje (4/12) um mês o assassinato de Antonio Marcos da Silva Figueiredo, de 43 anos, cabo da Polícia Militar, em Belém. Não há dúvida que sua morte, com 20 tiros, quando retornava da academia de ginástica para a sua casa, no Guamá, foi uma execução. Um mês depois, entretanto, nenhum nome foi apontado como responsável pelo crime. Nem pelas 10 mortes que se seguiram.

Segundo os condutores da apuração dos fatos, tanto na polícia civil como na justiça militar, o sigilo do trabalho, determinado judicialmente, é necessário para que os participantes sejam descobertos e presos. Já não há mais dúvida também que as 10 mortes posteriores à do cabo foram vingança, praticada quase que certamente por seus colegas de corporação na Rotam, o mais agressivo dos braços armados da ação policial.

De acordo com uma fonte que acompanha a investigação, os policiais que podem ter participado das execuções são homens perigosos, capazes até de investir contra as pessoas que estão à sua cata. Daí todas as cautelas e medidas de proteção. Mas a demora em alguma iniciativa concreta não está ajudando a população a acreditar que os homicídios serão mesmo elucidados.

A primeira versão oficiosa, de que se tratava de disputa entre milícias que atuam na periferia, não resistiu à mais elementar reconstituição dos fatos. Se fossem integrantes de um grupo particular conhecido os matadores do cabo, eles certamente teriam fugido do local e das proximidades.

Só um dos 10 mortos na represália tinha antecedente policial. Os outros podiam passar apenas por “suspeitos”, na genérica – mas inapelável – qualificação que a polícia aplica quando faz alguma repressão em bairros como o Guamá e a Terra Firme, onde ocorreu a maioria dos homicídios. Qualquer má aparência libera a violência. Todos os 10 homens foram mortos aleatoriamente pelo grupo de militares que circulou pelos bairros sedentos por sangue.

Esses dados sugerem que se tratava de uma disputa ou divergência entre milícias paramilitares ou desentendimentos na ação paralela da polícia, o que torna ainda mais perigosa a investigação. Provavelmente ela se estenderá além do primeiro prazo, de 30 dias, a ser renovado. Com isso poderá apresentar resultados conclusivos e servir de apoio à punição dos autores das mortes?

É a pergunta que se faz, um mês depois das matanças.