CARLOS CHAGAS -
Sem necessariamente seguir a ordem apresentada a seguir, a indignação
nacional diante dos sucessivos governos que nos vem assolando envolve a
violência urbana e rural, a má prestação de serviços públicos de saúde,
educação e transporte de massa, mais a corrupção generalizada que a
todos envergonha. A grosso modo constituem os cinco dedos de uma mão.
Agora que na teoria iniciou-se a campanha eleitoral, a hora é de
cobrar de cada um dos principais candidatos presidenciais o que fizeram e
o que pretendem fazer em cada setor. Não vale dizer, como tem dito
Dilma, Aécio e Eduardo, que dedicarão o máximo de seus esforços a
desmantelar o crime organizado e o desorganizado, através da melhoria do
aparelho policial e de serviços públicos eficientes. É preciso muito
mais para devolver ao cidadão comum a garantia de transitar pela rua, a
casa e o emprego sem ser assassinado, estuprado ou sequestrado.
Construir muito mais cadeias é imperativo categórico,assim como
aumentar o policiamento nas ruas, mas só isso não basta. Devem devolver à
sociedade, através de plebiscito ou referendo, a discussão sobre a pena
de morte para autores de crimes hediondos, a prisão perpétua e o
confinamento. A extinção de dezenas de recursos hoje em vigência no
Direito Processual beneficiando animais. Discutir, também, em casos
especiais, a inclusão de menores com mais de 14 anos.
Frente à falência dos serviço públicos, o começo passa
inequivocamente pelo combate à corrupção, desde as altas esferas da
administração pública e de seus parceiros na atividade privada. Por que
não retomar a empreitada de décadas atrás, pela criação de empresas
públicas de transporte de passageiros, a começar pela estatização dos
trens metropolitanos, de modo a baratear as tarifas e até torná-las
gratuitas para estudantes e demais necessitados? Além da imprescindível
recuperação e ampliação das ferrovias, enquadrando a aviação civil por
meio da livre competição?
Mais médicos, cubanos ou não, enfermeiras, professores e auxiliares
de ensino correriam aos montes aos chamados de um governo
suficientemente corajoso para bancar concursos, bons salários e acima de
tudo imaginação e coragem para encontrar recursos onde eles existem, ou
seja, no pantanal da corrupção desenfreada que faz a glória da parte
podre do empresariado nacional e estrangeiro aqui estabelecidos. Não se
cometerá a injustiça de condenar toda a atividade comercial, industrial e
de serviços como empenhados na sanha de enriquecer às custa dos cofres
públicos e do interesse nacional, mas a promessa de algumas pauladas no
lombo dos já conhecidos amigos do Ali Babá teria o condão de despertar o
país para o candidato que melhor apontasse os rumos para essa revisão
profunda. Numa palavra, vale repetir, o combate à corrupção constitui-se
na chave para a participação.
Dilma começou bem, demitiu ministros e puniu partidos declaradamente
empenhados na patifaria. Só que duraram pouco suas intenções de limpar o
país, cada dia mais sujo do que véspera. Aécio e Eduardo, da mesma
forma, ficaram a dever nesse quesito. Por isso, até agora, não
demarraram. Conseguirão?



