12.8.14

NO COMBATE À CORRUPÇÃO, A CHAVE DA PARTICIPAÇÃO

CARLOS CHAGAS -

Sem necessariamente seguir a ordem apresentada a seguir, a indignação nacional diante dos sucessivos governos que nos vem assolando envolve a violência urbana e rural, a má prestação de serviços públicos de saúde, educação e transporte de massa, mais a corrupção generalizada que a todos envergonha. A grosso modo constituem os cinco dedos de uma mão.

Agora que na teoria iniciou-se a campanha eleitoral, a hora é de cobrar de cada um dos principais candidatos presidenciais o que fizeram e o que pretendem fazer em cada setor. Não vale dizer, como tem dito Dilma, Aécio e Eduardo, que dedicarão o máximo de seus esforços a desmantelar o crime organizado e o desorganizado, através da melhoria do aparelho policial e de serviços públicos eficientes. É preciso muito mais para devolver ao cidadão comum a garantia de transitar pela rua, a casa e o emprego sem ser assassinado, estuprado ou sequestrado.

Construir muito mais   cadeias é imperativo categórico,assim como aumentar o policiamento nas ruas, mas só isso não basta. Devem devolver à sociedade, através de plebiscito ou referendo, a discussão sobre a pena de morte para autores de crimes hediondos, a prisão perpétua e o confinamento. A extinção de dezenas de recursos hoje em vigência no Direito Processual beneficiando animais. Discutir, também, em casos especiais, a inclusão de menores com mais de 14 anos.

Frente à falência dos serviço públicos, o começo passa inequivocamente pelo combate à corrupção, desde as altas esferas da administração pública e de seus parceiros na atividade privada. Por que não retomar a empreitada de décadas atrás, pela criação de empresas públicas de transporte de passageiros, a começar pela estatização dos trens metropolitanos, de modo a baratear as tarifas e até torná-las gratuitas para estudantes e demais necessitados? Além da imprescindível recuperação e ampliação das ferrovias, enquadrando a aviação civil por meio da livre competição?

Mais médicos, cubanos ou não, enfermeiras, professores e auxiliares de ensino correriam aos montes aos chamados de um governo suficientemente corajoso para bancar concursos, bons salários e acima de tudo imaginação e coragem para encontrar recursos onde eles existem, ou seja, no pantanal da corrupção desenfreada que faz a glória da parte podre do empresariado nacional e estrangeiro aqui estabelecidos. Não se cometerá a injustiça de condenar toda a atividade comercial, industrial e de serviços como empenhados na sanha de enriquecer às custa dos cofres públicos e do interesse nacional, mas a promessa de algumas pauladas no lombo dos já conhecidos amigos do Ali Babá teria o condão de despertar o país para o candidato que melhor apontasse os rumos para essa revisão profunda. Numa palavra, vale repetir, o combate à corrupção constitui-se na chave para a participação.

Dilma começou bem, demitiu ministros e puniu partidos declaradamente empenhados na patifaria. Só que duraram pouco suas intenções de limpar o país, cada dia mais sujo do que véspera. Aécio e Eduardo, da mesma forma, ficaram a   dever nesse quesito. Por isso, até agora, não demarraram. Conseguirão?