DANIEL MAZOLA -
“Como você
sempre disse, desde os tempos do colégio Mallet Soares, irrefutavelmente
somos a ‘república dos banqueiros’, não há nada assim no mundo”, disse nessa
segunda-feira em conversa reservada durante o almoço no centro do Rio de Janeiro,
um grande amigo de infância, que atuou muito no movimento estudantil no início dos
anos 90, hoje economista requisitado, trabalha para uma conhecida transnacional.
Os dados e números que ele foi colocando iam tirando
meu apetite, coisa rara, depois causando indigestão, náusea e tristeza. Ele afirmou
que os depósitos no Banco Central deverão proporcionar aos grandes bancos ganhos próximo
a R$ 50 bilhões, só neste ano. No Brasil, o BC juntamente com o Tesouro age com
a aparente finalidade exclusiva de propiciar fabulosos lucros aos bancos, e o correntista-trabalhador-contribuinte-eleitor,
como fica? Não fica.
Muito do que o amigo de boas recordações ia
dizendo, fui anotando rapidamente. “O BC “independente”
remunera com altas taxas de juros os depósitos livres e os compulsórios", toda a conversa começou aí, falamos sobre a "independência" do BC na "república tupiniquim dos banqueiros"...
Estes são atualmente 44% dos depósitos à vista nos bancos, e 20% dos recursos a
prazo e dos investidos em poupança. Os primeiros são remunerados pela taxa
SELIC, cuja meta atual é 11% ano. Sobre os recursos a prazo, disse que a
remuneração costuma ser ainda maior.
É importante colocar em perspectiva e lembrar as
campanhas recorrentes dos serviçais da “república dos banqueiros”, em favor da
independência do Banco Central do Brasil.
Embora
formalmente vinculado à União, o BACEN - desde sua criação, em dezembro
de 1964 – subordina-se por inteiro aos ditames do FMI e à supremacia do dólar,
não admitindo, por exemplo, operações de câmbio entre a moeda brasileira
e outras latino-americanas, apesar de existir acordo que as prevê: o Convênio
de Créditos Recíprocos, firmado em 1968, em Lima.
Além dos ganhos com os depósitos no BC, os bancos
emprestam dinheiro a empresas e a particulares, e, ao fazê-lo, criam depósitos
na conta do tomador, o qual passa a sacar dinheiro e a emitir cheques, que
voltam ao mesmo banco ou a outro, como depósitos.
A liberdade das nações exige que seus bancos sejam
públicos. Se forem privados, os controladores deles acabam por controlar também
o Estado. Na “república dos banqueiros” trata-se de um processo cumulativo, no
qual a cada vez maior concentração do poder financeiro gera cada vez maior
concentração do poder político real nas mãos dos oligarcas da tirania
financeira.
Isso, de novo, acarreta maior concentração e
financeirização da economia, e assim sucessivamente. E quem poderá mudar esse
jogo excludente, imoral e perverso: Dilma, Aécio, Campos? 100% certo que não.
Esses representam a “república dos banqueiros” na gerência administrativa e
política do Brasil.
“Factoide
político” com tantas evidências?
Vamos lá... Se o Brasil operasse em condições
minimamente éticas, o estouro de uma operação policial, como a Lava Jato,
fatalmente geraria um processo de impeachment da Presidente da República. Ainda
mais por que ela comandou o Conselho de Administração da Petrobras e também
porque a atual presidente da empresa, Maria das Graças Foster, é uma indicação
pessoal da própria Dilma Rousseff.
Repetir o ex-Lula e alegar que nada sabe sobre tudo de
errado que acontece na companhia é um atestado público de incompetência e
cinismo. A presidente-candidata Dilma Rousseff só não cai porque o Brasil é a
terra da conivência com os erros, os vícios, os desmandos e a corrupção.
Claramente o Sr. Paulo Roberto Costa é o elo mais frágil de uma já rompida
corrente que liga e confunde os interesses políticos dos ocupantes do governo
com os negócios estratégicos ou operacionais da Petrobras. No entanto, é muita
ingenuidade supor que o ex-diretor de abastecimento da empresa, que tinha o
controle sobre 1832 contas correntes da petrolífera, seja o “chefão” e único
responsável pelas falcatruas.
Uma investigação séria e isenta sobre os contratos da
Petrobras com outras empresas nas “Sociedades de Propósito Específico” deverá
revelar os figurões de um dos maiores esquemas de corrupção nunca antes visto
na história deste País.
Até mesmo o petista Marco Maia, relator da CPMI mista da Petrobras, criada para
ser uma mega-pizza, se vê obrigado a pedir a convocação da contadora Meire
Bomfim Poza – que trabalhava para o esquema do doleiro Alberto Youssef (aquele
que teria dito que, se abrir a boca, impede que haja eleição este ano). Na
investigação da Lava Jato, Yousseff é apontado como “sócio” de Paulo Roberto
Costa. Em depoimentos ao Ministério Público e à Polícia Federal, Miriam teria
revelado (segundo a revista Veja) que a empreiteira Camargo Correa operava um
esquema exclusivo de comissões de negócios acertados dentro da Petrobras com
Paulo Costa. A empresa, claro, nega.
Assim, torna-se inócua a demagógica e temerária a recente declaração de Dilma Rousseff
em defesa de seu governo e da Petrobras: “Se tem uma coisa que tem que se
preservar, porque tem que ter sentido de Estado, sentido de nação e sentido de
país, é não misturar eleição com a maior empresa de petróleo do país. Não é
correto, não mostra qualquer maturidade. Acho fundamental que na eleição, nesse
processo que estamos, haja a maior discussão. Agora, utilizar qualquer factoide
político para comprometer uma grande empresa e sua direção é muito perigoso”.
A “gerentona” Dilma tem condições de classificar, como “factoide político”
tantas evidências em uma lista enorme de problemas a serem investigados com
seriedade e isenção?
O poste que chegou a presidência Dilma Rousseff terá
condições, na campanha, na televisão, de falar abertamente sobre: Pasadena, BR
Distribuidora, PFICO (braço financeiro internacional da companhia), Fundo BB
Millenium 6 (e outros menos votados), refinaria Abreu e Lima (também a mais
votada entre outras que merecem investigação por superfaturamento), o Complexo
Petroquímico do Rio de Janeiro (que corre o risco de ser tudo, menos
petroquímico), Gemini e outras caixas pretas nas SPEs (Sociedades de propósito
Específico) da Petrobras?



