HELIO FERNANDES -
A grandeza do aplauso e até da vaia, a torpeza burra e inútil do xingamento
Os dois primeiros são compreensíveis, necessários e até indispensáveis. O aplauso vem de longe, é a manifestação pela admiração, presente quase sempre em espetáculos artísticos, teatros, principalmente óperas. Vai ganhando adeptos, os gritos aumentando, as pessoas se levantando, o que provoca o maior registro de elogio: “Foi aplaudido de pé”. É o máximo.
A vaia e o xingamento
A primeira tem a legitimidade e a autenticidade da reação. Só que ao contrário. Mas com a mesma credibilidade. Pagou, assistiu, não gostou, vaiou, só que nunca se ressaltou, “vaiou de pé”.
O xingamento é a combinação da ausência de convicção com a falta de educação. E se agrava e provoca revolta, com a apelação do palavrão, e do recurso a palavras de “baixo calão”. Foi o que aconteceu na abertura da Copa.
O xingamento tem que ser obrigatoriamente pejorativo, agressivo, repulsivo.
As duas vaias colossais, que vi e ouvi no Maracanã
Em 1955, excetuado o jogo Brasil-Uruguai de 1950, o recorde oficial do Maracanã era de 187 mil pessoas, o maior público do mundo. Naquela época, havia um órgão que noticiava, anunciava personalidades presentes, criou o bordão, “a Suderj informa”.
Nesse ano, num domingo de sol lindo, o Maracanã com público enorme, chegou o prefeito Cardoso (da família do próprio FHC), anunciado pela Suderj. Estava há poucos meses no cargo, o Rio há anos sem água.
Foi realmente revoltante, o Maracanã inteiro vaiou, como se ele fosse uma espécie de corrupto que roubasse água. Senti a vaia na alma, na mente e no coração. É que ao lado do prefeito estava sua namorada, minha amiga Ester de Abreu, lindíssima, a maior fadista de todos os tempos.
A vaia ao primeiro “presidente” da ditadura
22 de julho de 1967. Ele morreu, seu corpo estava sendo velado no Clube Militar, não muito longe. No Maracanã, jogavam Botafogo e América, alguém pediu um minuto de silêncio pelo ditador. Começou a vaia que não terminou, surgiu a frase eterna: “O Maracanã é implacável, vaia até minuto de silêncio”.
Fui pra casa, no dia seguinte já estava a caminho de Fernando de Noronha. Nem o primeiro nem o último dos sequestros-desterros-confinamentos.
Reeleição na Colômbia
Juan Manuel Santos, no Poder, esperava ser reeleito direto, o que não aconteceu. Mas ganhou no segundo. A Colômbia também ganhou? Difícil de dizer. A campanha se travou tendo o cadáver das Farcs dividindo o país.
Estão “negociando” desde o fim do ano passado, não chegaram nem chegarão a acordo. Agora, comentaristas do mundo inteiro, chamam o presidente reeleito, de “marxista de direita”.
E assim enganam a população não apenas da Colômbia, mas do mundo todo. Zuluaga, derrotado, se diz “de direita”. Santos não quis imitá-lo, mas “marxista de direita”, revoltante.
Putin corta gás para a Ucrânia
Ditador típico, com o sonho de se tornar Cesarista e imperial, provocou essa guerra sangrenta que acabou com a paz e a tranquilidade. Agora “decreta” o fim da era do gás.
Depois da Copa, Putin vem ao Brasil para reunião dos Brics. Será em Fortaleza, mas guardem seu estoque de vaias para esse Putin ditador. Vaias para ele, durante todo o tempo em que estiver no Brasil.
PS – A Fifa foi imprudente ao escalar o árbitro japonês para um jogo do Brasil. Motivo: ele prejudicou o Brasil em 2010. Agora, examinando o erro clamoroso dele, a favor do Brasil, inocentou-o.
PS1 – Inconsciente ao examinar a atuação do japonesinho, dizendo: “Ele acertou, foi pênalti mesmo”. A Fifa errou pela segunda vez. E apenas na segunda rodada, erros incríveis. O México teve que fazer três gols legítimos para afinal valer um.
PS2 – O melhor desta Copa: a quebra da exclusividade. À disposição de todos: cinco canais abertos. Por assinatura, dezenas. Com isso foram contratados por todos, grandes jogadores, ídolos, consagrados, valorizando o comentário.
PS3 – O Uruguai, depois de 1950, não se classificou para várias Copas. Voltou em 2010, surpreendente, ficou em quarto. Agora estreando, perdeu para Costa Rica, sua situação, dificílima.
PS4 – Na chave, jogaram Itália-Inglaterra. A Itália quase obrigatoriamente tinha que vencer, o que conseguiu com muita dificuldade. Por causa dela mesma, fez apresentação horrível. Mas ganhou os três pontos.
PS5 – Jogo monótono, 2 a 1, decidido aos 5 minutos do segundo tempo. Depois, 40 minutos sem gol. O Técnico Prandelli tentou mudar o rítimo, colocou em campo Immobili, tirou Balotelli que estava imóvel. Faltando 2 minutos para acabar, um brinde de Pirlo: bateu uma falta de longe, a bola fez uma curva no ar, enganou o goleiro mas encontrou a trave. Uma pena que Pirlo tenha dito que vai se aposentar depois da Copa.
PS6 – A França, mediocríssima e até hoje com apenas um título (em casa) ganhou de Honduras por 3 a 0. Um gol de pênalti duvidoso, o segundo marcado pelo próprio goleiro. O fato interessante do jogo: a estreia da tecnologia. Assinalou duas vezes “gols” controvertidos. Excelente.
PS7 – A Argentina estreou, cheia de craques, uma boa seleção no papel, dentro de campo um papelão. Em 90 minutos fez 1 gol, lógico do Messi, também não fez mais nada. O segundo numa Copa do Mundo, jogou três. (2006, 2010, 2014).
PS8 – Nesses 90 minutos sofreu também 1 gol, por que a vitória de 2 a 1? É que com dois minutos de jogo, uma bola foi para a área da Bósnia, ia pra fora, todos pararam, o melhor jogador dos Balkans, jogou pra dentro do gol.
PS9 – A Argentina, se quiser avançar mais (depois da Chave), e Messi ser considerado o melhor, precisam jogar mais do que na estreia. 74 mil no Maracanã, brasileiros e argentinos. Os brasileiros vaiaram, teria acontecido o mesmo no Monumental de Nunes em Buenos Ayres.
PS10 – Duas estreias importantes. Alemanha, uma orquestra sinfônica inteira. Portugal, sem títulos e apenas com um solista. Alemanha, do grupo dos Triunfantes, (3 títulos) Portugal eterno coadjuvante.
PS11 – Com isso inegável, Alemanha não precisava de ajuda, mas recebeu quando o árbitro marcou pênalti inexistente. Não foi “fredismo”, interpretação equivocada do árbitro, marcam muitos pênaltis. Muller bateu, 1 a 0 aos 10 minutos.
PS12 – Aos 32 minutos, num escanteio (detesto corner), a defesa de Portugal falha totalmente, o segundo gol. Angela Merkel aplaudiu de pé, chegou ao Brasil quase na hora do jogo.
PS13 – Novo equívoco do árbitro, É MUITO. Pepe, de Portugal é expulso. Só com Cristiano Ronaldo não dava, com menos um, piorou. Aos 46 o terceiro da Alemanha, sem surpresa ou emoção. E acaba o primeiro tempo sem Cristiano tocar na bola. Se for esse o padrão, continua o melhor do mundo, mas não da Copa.
PS14 – O jogo monótono, a Alemanha não se interessava, Portugal não tinha como se interessar. Até que quase toda a defesa portuguesa falhou. Muller aproveitou, fez o seu terceiro, o primeiro a conseguir isso até agora.
PS15 – Com essa goleada, Portugal que nunca foi triunfante, sempre coadjuvantes, pode passar a decadente.
Hoje o Brasil se classifica
Até com facilidade, mesmo com Fred e Felipão, venceremos o México. Completaremos 6 pontos, passaremos a segunda fase. O México não é o adversário dos nossos sonhos, mas está longe de ser um pesadelo, lamento, obstáculo que preocupa. É um coadjuvante, o Brasil do grupo dos triunfantes.
Mas está custando a convencer que pode conquistar o título.
A grandeza do aplauso e até da vaia, a torpeza burra e inútil do xingamento
Os dois primeiros são compreensíveis, necessários e até indispensáveis. O aplauso vem de longe, é a manifestação pela admiração, presente quase sempre em espetáculos artísticos, teatros, principalmente óperas. Vai ganhando adeptos, os gritos aumentando, as pessoas se levantando, o que provoca o maior registro de elogio: “Foi aplaudido de pé”. É o máximo.
A vaia e o xingamento
A primeira tem a legitimidade e a autenticidade da reação. Só que ao contrário. Mas com a mesma credibilidade. Pagou, assistiu, não gostou, vaiou, só que nunca se ressaltou, “vaiou de pé”.
O xingamento é a combinação da ausência de convicção com a falta de educação. E se agrava e provoca revolta, com a apelação do palavrão, e do recurso a palavras de “baixo calão”. Foi o que aconteceu na abertura da Copa.
O xingamento tem que ser obrigatoriamente pejorativo, agressivo, repulsivo.
As duas vaias colossais, que vi e ouvi no Maracanã
Em 1955, excetuado o jogo Brasil-Uruguai de 1950, o recorde oficial do Maracanã era de 187 mil pessoas, o maior público do mundo. Naquela época, havia um órgão que noticiava, anunciava personalidades presentes, criou o bordão, “a Suderj informa”.
Nesse ano, num domingo de sol lindo, o Maracanã com público enorme, chegou o prefeito Cardoso (da família do próprio FHC), anunciado pela Suderj. Estava há poucos meses no cargo, o Rio há anos sem água.
Foi realmente revoltante, o Maracanã inteiro vaiou, como se ele fosse uma espécie de corrupto que roubasse água. Senti a vaia na alma, na mente e no coração. É que ao lado do prefeito estava sua namorada, minha amiga Ester de Abreu, lindíssima, a maior fadista de todos os tempos.
A vaia ao primeiro “presidente” da ditadura
22 de julho de 1967. Ele morreu, seu corpo estava sendo velado no Clube Militar, não muito longe. No Maracanã, jogavam Botafogo e América, alguém pediu um minuto de silêncio pelo ditador. Começou a vaia que não terminou, surgiu a frase eterna: “O Maracanã é implacável, vaia até minuto de silêncio”.
Fui pra casa, no dia seguinte já estava a caminho de Fernando de Noronha. Nem o primeiro nem o último dos sequestros-desterros-confinamentos.
Reeleição na Colômbia
Juan Manuel Santos, no Poder, esperava ser reeleito direto, o que não aconteceu. Mas ganhou no segundo. A Colômbia também ganhou? Difícil de dizer. A campanha se travou tendo o cadáver das Farcs dividindo o país.
Estão “negociando” desde o fim do ano passado, não chegaram nem chegarão a acordo. Agora, comentaristas do mundo inteiro, chamam o presidente reeleito, de “marxista de direita”.
E assim enganam a população não apenas da Colômbia, mas do mundo todo. Zuluaga, derrotado, se diz “de direita”. Santos não quis imitá-lo, mas “marxista de direita”, revoltante.
Putin corta gás para a Ucrânia
Ditador típico, com o sonho de se tornar Cesarista e imperial, provocou essa guerra sangrenta que acabou com a paz e a tranquilidade. Agora “decreta” o fim da era do gás.
Depois da Copa, Putin vem ao Brasil para reunião dos Brics. Será em Fortaleza, mas guardem seu estoque de vaias para esse Putin ditador. Vaias para ele, durante todo o tempo em que estiver no Brasil.
PS – A Fifa foi imprudente ao escalar o árbitro japonês para um jogo do Brasil. Motivo: ele prejudicou o Brasil em 2010. Agora, examinando o erro clamoroso dele, a favor do Brasil, inocentou-o.
PS1 – Inconsciente ao examinar a atuação do japonesinho, dizendo: “Ele acertou, foi pênalti mesmo”. A Fifa errou pela segunda vez. E apenas na segunda rodada, erros incríveis. O México teve que fazer três gols legítimos para afinal valer um.
PS2 – O melhor desta Copa: a quebra da exclusividade. À disposição de todos: cinco canais abertos. Por assinatura, dezenas. Com isso foram contratados por todos, grandes jogadores, ídolos, consagrados, valorizando o comentário.
PS3 – O Uruguai, depois de 1950, não se classificou para várias Copas. Voltou em 2010, surpreendente, ficou em quarto. Agora estreando, perdeu para Costa Rica, sua situação, dificílima.
PS4 – Na chave, jogaram Itália-Inglaterra. A Itália quase obrigatoriamente tinha que vencer, o que conseguiu com muita dificuldade. Por causa dela mesma, fez apresentação horrível. Mas ganhou os três pontos.
PS5 – Jogo monótono, 2 a 1, decidido aos 5 minutos do segundo tempo. Depois, 40 minutos sem gol. O Técnico Prandelli tentou mudar o rítimo, colocou em campo Immobili, tirou Balotelli que estava imóvel. Faltando 2 minutos para acabar, um brinde de Pirlo: bateu uma falta de longe, a bola fez uma curva no ar, enganou o goleiro mas encontrou a trave. Uma pena que Pirlo tenha dito que vai se aposentar depois da Copa.
PS6 – A França, mediocríssima e até hoje com apenas um título (em casa) ganhou de Honduras por 3 a 0. Um gol de pênalti duvidoso, o segundo marcado pelo próprio goleiro. O fato interessante do jogo: a estreia da tecnologia. Assinalou duas vezes “gols” controvertidos. Excelente.
PS7 – A Argentina estreou, cheia de craques, uma boa seleção no papel, dentro de campo um papelão. Em 90 minutos fez 1 gol, lógico do Messi, também não fez mais nada. O segundo numa Copa do Mundo, jogou três. (2006, 2010, 2014).
PS8 – Nesses 90 minutos sofreu também 1 gol, por que a vitória de 2 a 1? É que com dois minutos de jogo, uma bola foi para a área da Bósnia, ia pra fora, todos pararam, o melhor jogador dos Balkans, jogou pra dentro do gol.
PS9 – A Argentina, se quiser avançar mais (depois da Chave), e Messi ser considerado o melhor, precisam jogar mais do que na estreia. 74 mil no Maracanã, brasileiros e argentinos. Os brasileiros vaiaram, teria acontecido o mesmo no Monumental de Nunes em Buenos Ayres.
PS10 – Duas estreias importantes. Alemanha, uma orquestra sinfônica inteira. Portugal, sem títulos e apenas com um solista. Alemanha, do grupo dos Triunfantes, (3 títulos) Portugal eterno coadjuvante.
PS11 – Com isso inegável, Alemanha não precisava de ajuda, mas recebeu quando o árbitro marcou pênalti inexistente. Não foi “fredismo”, interpretação equivocada do árbitro, marcam muitos pênaltis. Muller bateu, 1 a 0 aos 10 minutos.
PS12 – Aos 32 minutos, num escanteio (detesto corner), a defesa de Portugal falha totalmente, o segundo gol. Angela Merkel aplaudiu de pé, chegou ao Brasil quase na hora do jogo.
PS13 – Novo equívoco do árbitro, É MUITO. Pepe, de Portugal é expulso. Só com Cristiano Ronaldo não dava, com menos um, piorou. Aos 46 o terceiro da Alemanha, sem surpresa ou emoção. E acaba o primeiro tempo sem Cristiano tocar na bola. Se for esse o padrão, continua o melhor do mundo, mas não da Copa.
PS14 – O jogo monótono, a Alemanha não se interessava, Portugal não tinha como se interessar. Até que quase toda a defesa portuguesa falhou. Muller aproveitou, fez o seu terceiro, o primeiro a conseguir isso até agora.
PS15 – Com essa goleada, Portugal que nunca foi triunfante, sempre coadjuvantes, pode passar a decadente.
Hoje o Brasil se classifica
Até com facilidade, mesmo com Fred e Felipão, venceremos o México. Completaremos 6 pontos, passaremos a segunda fase. O México não é o adversário dos nossos sonhos, mas está longe de ser um pesadelo, lamento, obstáculo que preocupa. É um coadjuvante, o Brasil do grupo dos triunfantes.
Mas está custando a convencer que pode conquistar o título.


