CARLOS CHAGAS -
Falta poucos dias para o PT realizar a convenção nacional destinada a
oficializar a candidatura de Dilma Rousseff à reeleição. Dificilmente
algum orador ousará propor o “volta Lula”, mas a pergunta que fica é se a
decisão dos companheiros convencionais poderá ser considerada
definitiva. Melhor aguardar, porque continuando a cair nas pesquisas, a
presidente estimula a hipótese de ser substituída pelo antecessor, coisa
que a lei eleitoral permite em situações especiais, passíveis de
armação. Uma doença grave, por exemplo, mesmo forjada.
Feita a ressalva, importa seguir adiante com os dados disponíveis, ou
seja, que Dilma é a candidata e que o Lula multiplicará os esforços
para fazê-la vitoriosa. A duvida é saber para que. Até agora não surgiu
uma simples indicação por parte da presidente e de seus auxiliares a
respeito do que pretendem, no segundo mandato. Não vale dizer que vão
continuar a obra em andamento, já que as ruas e as vaias vem rejeitando a
ação e a omissão do governo. Imaginar que a inequívoca reação popular
hoje registrada significa a derrota da candidata é assunto para mais
tarde.
Por enquanto, vale concluir que falta um programa de campanha para
Dilma. Uma definição do que ela deseja em termos de inovação ou
recuperação. Não basta inaugurar obras, distribuir tratores, exaltar as
realizações do PAC e fazer da rotina da administração sua bandeira
eleitoral. É preciso apresentar um plano de mudanças, um roteiro não só
de empreendimentos materiais, mas de ideias capazes de recuperar o apoio
perdido. Apontar os novos rumos para o país, os caminhos alternativos
para a sociedade.
Torna-se imprescindível para a candidata definir-se, não apenas
visando ganhar a eleição, mas em especial para não transformar o segundo
governo num aglomerado de frustrações, um vídeo tape da novela que não
deu certo. Esgotou-se o modelo praticado até agora, sem ter aparecido
um sucedâneo em condições de sensibilizar a população. Resta saber se a
candidata também esgotou-se.
Estas inúteis considerações valem para os adversários de Dilma. Que
metas possuem Aécio Neves e Eduardo Campos, além dos chavões que começam
a repetir? Que tipo de Brasil pretendem, nos campos social, político e
econômico? Apesar de muita gente séria sustentar que não há mais
ideologias no planeta, por conta das contradições verificadas, vale
insistir na sua existência.



