18.6.14

FHC FAZ 83 ANOS HOJE, SE AÉCIO GANHAR QUER SER EMBAIXADOR NA ONU. SOBRAL PINTO, FOI PRESO 3 VEZES NA DITADURA DE 64, COMO ADVOGADO

HELIO FERNANDES

Estava escrito: Aécio seria presidenciável do PSDB, só era chamado de jovem candidato. Mas o tempo passou e não havia espaço para sua candidatura. Ele ainda pode ser presidente da Câmara, governador 8 anos e quatro no senado. 

Candidato sem vice 

Até que finalmente o PSDB lançou seu nome. Sem vice, existem muitos presidentes, nenhum com cacife eleitoral para ajudá-lo. É o que acontece e aconteceu na República: vice desconhecido, para agradar uma região e não um candidato. 

A curiosidade Serra 

Sem dúvida é o candidato de mais cacife verdadeiro. Mas que seria uma estranha possibilidade. Duas vezes candidato a presidente, obrigando Lula e Dilma a irem ao segundo turno na hierarquia do poder.

Se Aécio fosse eleito (miragem mas considerável) num acidente de percurso, Serra poderia chegar ao Planalto-Alvorada, depois dos 72 anos. Ou não acontecer nada. 

A idade privada de FHC 

Na carteira de identidade dele, está escrito: completa 83 anos hoje. No currículo político, ético e moral, está gravado em profundidade: em matéria de privataria, deve estar no mínimo com 166. Sua grande façanha: inventou a “moeda podre”, e com ela, entregou grandes propriedades do povo.

Já pediu a Aécio: “Quero ser embaixador na ONU”. Aécio garantiu, quem garante Aécio?

Ia entregando até a Petrobras, não teve coragem, mas no fim do nome da empresa colocou um X, como se ela pertencesse a Eike Batista. Nenhum corrupto deu tanto prejuízo ao Brasil.

O Plano Real carregou para fora do país, fortunas colossais. Depois se reelegeu, modificou a Constituição que não podia ser modificada, para continuar no Poder. 

72 anos depois, um americano volta a Natal 

Atacado no final de 1941 pelos japoneses, os americanos entraram na guerra. Precisavam de uma base no Atlântico. Examinaram a Ilha de Trindade, Fernando de Noronha, não serviam. Descobriram Natal, perfeito do ponto de vista militar. Contataram Vargas, marcaram a data do encontro dele com Roosevelt.

Na véspera morreu o filho de Getúlio, o mais moço, Getulinho. Vargas ficou a noite toda no velório. Às 6 da manhã o corpo foi levado para São Borja, Vargas foi para Natal. Eram aliados contra o nazismo, fizeram acordo.

Em troca o Brasil ganhou sua primeira siderúrgica. Como o genro de Vargas, Amaral Peixoto, era interventor no estado do Rio, a siderúrgica foi para Volta Redonda, longe da matéria prima, de qualquer porto de exportação, pelo menos 50 anos de atraso. (Só que isso é outra história). Agora, um vice presidente dos EUA, desconhecido de todos, vai a Natal ver um jogo dos americanos, ficou poucas horas lá. Roosevelt era um estadista. O de agora o Joe Bidden. 

A hipertrofia de Joaquim 

Expulsou do plenário do Supremo, o advogado de José Genuíno, que pedia o simples e sem retórica: que o presidente do Supremo colocasse em pauta o pedido para que seu cliente pudesse cumprir a condenação em casa, por problemas de saúde. O Procurador Geral da República está a favor (do pedido), outros Ministros contra (Joaquim) a arbitrariedade. 

Imitando a ditadura de 64 

A expulsão do advogado de defesa, não faz bem à egolatria de Joaquim. Mas faz lembrar do regime torturador e violentador. Sobral Pinto, o único advogado que defendeu presos políticos em duas ditaduras. A de 30 a 45, a de 64 a 85, também foi expulso. 

Sobral expulso e preso 

Joaquim não prendeu o advogado, o que aconteceu com Sobral. As três prisões num juizado militar. O Major que presidia a sessão, deu a palavra a Sobral Pinto. Este nem se levantou, respondeu ao “juiz”.

Com aquele vozeirão assustador, Sobral contestou: “Não vou fazer defesa nenhuma. O senhor não sabe ler?”. E olhando para uma placa onde estava escrito, Justiça Militar, concluiu: “Meu cliente é civil, como pode ser julgado aqui?”.

Ficou três dias desaparecido, todos a procura-lo, os jornais sem publicarem coisa alguma. Foram encontra-lo dias depois, numa delegacia desativada, sem comida e sem água. Com um carcereiro que não sabia de nada. 

PS – Como não existem jogos simultâneos, esperavam o Brasil, quase todos os canais abertos (pelo menos 6) e os pagos (dezenas) transmitiam Belgica-Argélia. Vindo como surpresa, (classificada direta no grupo, sem repescagem) começou perdendo com pênalti duvidoso. (Como todos). No segundo tempo, bela virada, 2 gols lindos, está em excelente situação. 

PS1 – O Brasil é o primeiro país a disputar o segundo jogo. Mas não disputa nem joga, pelo menos nesses 15 minutos. Mas houve muita coisa. Aos 38 segundos, o mexicano derruba Neymar, longe da bola. Lance para expulsão e o juiz se impor, não fez nada. 

PS2 – Aos 9 minutos, completamente impedido e sem marcação, Fred chuta, a bola bate na rede pelo lado de fora, ele festeja. Um comentarista do Sportv, grita “Gol”, não é narrador e sim torcedor. 22 minutos e o que não se vê é futebol. 

PS3 – A torcida brasileira é homérica, traumática, quase histérica. Mas a seleção, (por enquanto?) não corresponde. Aos 30 minutos, dois terços do tempo, muito barulho na arquibancada, silêncio dentro do campo. Única exceção: aos 29 minutos, chute excelente de Neymar, a tecnologia mostrou: a bola ficou em cima da linha. 

PS4 – Depois do acréscimo de um minuto, o árbitro marca o fim desses 45. 0 a 0, as duas seleções orgulhosas com esse espetáculo inútil, inócuo, insosso, fora lampejos de Neymar. 

PS5 – No intervalo, susto, receio, nervosismo na casa de Romário. O candidato a senador convidou personalidades, incluindo o presidenciável do seu partido, Eduardo Campos. Todos dizem, “foram só 45 minutos”, mas ninguém passou disso. 

PS6 – 15 minutos do segundo tempo, desperdício total. Felipão senta, levanta, coça a cabeça, cobre o rosto, movimenta os braços para os lados e o alto, só não consegue movimentar a seleção. Mas não sairá pelo menos um gol? 

PS7 – O técnico do México reclama muito, faz sinal com a mão, quer “tarjeta” para dois jogadores brasileiros, não houve nada. Quando não existe futebol, o recurso é apelar. O México está jogando tão mal quanto o Brasil. Estamos repetindo o fiasco do jogo com a Croácia. Só que na estreia, “o árbitro era nosso”. 

PS8 – Já vi jogos muito melhores nas madrugadas dos 24 campos do Aterro do Flamengo, invenção genial do saudoso Rafael de Almeida Magalhães. Faltam 15 minutos, tudo pode mudar. Mas como se parecem todos cansados? Dão a impressão não de jogadores, mas de maratonistas de 42 quilômetros. 

 PS9 – Como o jogo não anda nem desanda, Eduardo Campos pergunta a Romário: “Com esse resultado o Brasil ainda pode se classificar?”. Aos 38 e meio, Felipão tira Oscar (agora?) coloca William. Aos 40 parece que o Brasil vai desempatar, o goleiro salva, nem ele sabe como vai explicar em casa. 

PS10 – No primeiro minuto dos três do acréscimo, duas bolas perigosíssimas do Máxico. Na segunda, defesa sensacional de Júlio César. Acabou, vou responder a Eduardo Campos: numa chave tão camarada como essa, o Brasil tem 4 pontos, exatamente como o México. Vão depender de divergências e convergências. Depois da chave, o que esperar? 

PS11 – Como Odisseia “é um drama com final feliz”, pode ser dito: o Brasil viveu ontem, uma Odisseia. 90 minutos de drama. E esse 0 a 0, que felicidade.