HELIO FERNANDES –
Estava escrito: Aécio seria presidenciável do PSDB, só era
chamado de jovem candidato. Mas o tempo passou e não havia espaço para sua
candidatura. Ele ainda pode ser presidente da Câmara, governador 8 anos e
quatro no senado.
Candidato sem vice
Até que finalmente o PSDB lançou seu nome. Sem vice, existem
muitos presidentes, nenhum com cacife eleitoral para ajudá-lo. É o que acontece
e aconteceu na República: vice desconhecido, para agradar uma região e não um
candidato.
A curiosidade Serra
Sem dúvida é o candidato de mais cacife verdadeiro. Mas que
seria uma estranha possibilidade. Duas vezes candidato a presidente, obrigando
Lula e Dilma a irem ao segundo turno na hierarquia do poder.
Se Aécio fosse eleito (miragem mas considerável) num
acidente de percurso, Serra poderia chegar ao Planalto-Alvorada, depois dos 72
anos. Ou não acontecer nada.
A idade privada de
FHC
Na carteira de identidade dele, está escrito: completa 83
anos hoje. No currículo político, ético e moral, está gravado em profundidade:
em matéria de privataria, deve estar no mínimo com 166. Sua grande façanha:
inventou a “moeda podre”, e com ela, entregou grandes propriedades do povo.
Já pediu a Aécio: “Quero ser embaixador na ONU”. Aécio
garantiu, quem garante Aécio?
Ia entregando até a Petrobras, não teve coragem, mas no fim
do nome da empresa colocou um X, como se ela pertencesse a Eike Batista. Nenhum
corrupto deu tanto prejuízo ao Brasil.
O Plano Real carregou para fora do país, fortunas colossais.
Depois se reelegeu, modificou a Constituição que não podia ser modificada, para
continuar no Poder.
72 anos depois, um
americano volta a Natal
Atacado no final de 1941 pelos japoneses, os americanos
entraram na guerra. Precisavam de uma base no Atlântico. Examinaram a Ilha de
Trindade, Fernando de Noronha, não serviam. Descobriram Natal, perfeito do
ponto de vista militar. Contataram Vargas, marcaram a data do encontro dele com
Roosevelt.
Na véspera morreu o filho de Getúlio, o mais moço,
Getulinho. Vargas ficou a noite toda no velório. Às 6 da manhã o corpo foi
levado para São Borja, Vargas foi para Natal. Eram aliados contra o nazismo,
fizeram acordo.
Em troca o Brasil ganhou sua primeira siderúrgica. Como o
genro de Vargas, Amaral Peixoto, era interventor no estado do Rio, a siderúrgica
foi para Volta Redonda, longe da matéria prima, de qualquer porto de
exportação, pelo menos 50 anos de atraso. (Só que isso é outra história).
Agora, um vice presidente dos EUA, desconhecido de todos, vai a Natal ver um
jogo dos americanos, ficou poucas horas lá. Roosevelt era um estadista. O de
agora o Joe Bidden.
A hipertrofia de
Joaquim
Expulsou do plenário do Supremo, o advogado de José Genuíno,
que pedia o simples e sem retórica: que o presidente do Supremo colocasse em
pauta o pedido para que seu cliente pudesse cumprir a condenação em casa, por
problemas de saúde. O Procurador Geral da República está a favor (do pedido),
outros Ministros contra (Joaquim) a arbitrariedade.
Imitando a ditadura
de 64
A expulsão do advogado de defesa, não faz bem à egolatria de
Joaquim. Mas faz lembrar do regime torturador e violentador. Sobral Pinto, o
único advogado que defendeu presos políticos em duas ditaduras. A de 30 a 45, a
de 64 a 85, também foi expulso.
Sobral expulso e
preso
Joaquim não prendeu o advogado, o que aconteceu com Sobral.
As três prisões num juizado militar. O Major que presidia a sessão, deu a
palavra a Sobral Pinto. Este nem se levantou, respondeu ao “juiz”.
Com aquele vozeirão assustador, Sobral contestou: “Não vou fazer
defesa nenhuma. O senhor não sabe ler?”. E olhando para uma placa onde estava
escrito, Justiça Militar, concluiu: “Meu cliente é civil, como pode ser julgado
aqui?”.
Ficou três dias desaparecido, todos a procura-lo, os jornais
sem publicarem coisa alguma. Foram encontra-lo dias depois, numa delegacia
desativada, sem comida e sem água. Com um carcereiro que não sabia de nada.
PS – Como não
existem jogos simultâneos, esperavam o Brasil, quase todos os canais abertos
(pelo menos 6) e os pagos (dezenas) transmitiam Belgica-Argélia. Vindo como
surpresa, (classificada direta no grupo, sem repescagem) começou perdendo com
pênalti duvidoso. (Como todos). No segundo tempo, bela virada, 2 gols lindos,
está em excelente situação.
PS1 – O Brasil é
o primeiro país a disputar o segundo jogo. Mas não disputa nem joga, pelo menos
nesses 15 minutos. Mas houve muita coisa. Aos 38 segundos, o mexicano derruba
Neymar, longe da bola. Lance para expulsão e o juiz se impor, não fez nada.
PS2 – Aos 9
minutos, completamente impedido e sem marcação, Fred chuta, a bola bate na rede
pelo lado de fora, ele festeja. Um comentarista do Sportv, grita “Gol”, não é
narrador e sim torcedor. 22 minutos e o que não se vê é futebol.
PS3 – A torcida
brasileira é homérica, traumática, quase histérica. Mas a seleção, (por
enquanto?) não corresponde. Aos 30 minutos, dois terços do tempo, muito barulho
na arquibancada, silêncio dentro do campo. Única exceção: aos 29 minutos, chute
excelente de Neymar, a tecnologia mostrou: a bola ficou em cima da linha.
PS4 – Depois do
acréscimo de um minuto, o árbitro marca o fim desses 45. 0 a 0, as duas
seleções orgulhosas com esse espetáculo inútil, inócuo, insosso, fora lampejos
de Neymar.
PS5 – No
intervalo, susto, receio, nervosismo na casa de Romário. O candidato a senador
convidou personalidades, incluindo o presidenciável do seu partido, Eduardo
Campos. Todos dizem, “foram só 45 minutos”, mas ninguém passou disso.
PS6 – 15 minutos
do segundo tempo, desperdício total. Felipão senta, levanta, coça a cabeça,
cobre o rosto, movimenta os braços para os lados e o alto, só não consegue
movimentar a seleção. Mas não sairá pelo menos um gol?
PS7 – O técnico
do México reclama muito, faz sinal com a mão, quer “tarjeta” para dois
jogadores brasileiros, não houve nada. Quando não existe futebol, o recurso é
apelar. O México está jogando tão mal quanto o Brasil. Estamos repetindo o
fiasco do jogo com a Croácia. Só que na estreia, “o árbitro era nosso”.
PS8 – Já vi jogos
muito melhores nas madrugadas dos 24 campos do Aterro do Flamengo, invenção
genial do saudoso Rafael de Almeida Magalhães. Faltam 15 minutos, tudo pode
mudar. Mas como se parecem todos cansados? Dão a impressão não de jogadores,
mas de maratonistas de 42 quilômetros.
PS9 – Como o jogo não anda nem desanda,
Eduardo Campos pergunta a Romário: “Com esse resultado o Brasil ainda pode se
classificar?”. Aos 38 e meio, Felipão tira Oscar (agora?) coloca William. Aos
40 parece que o Brasil vai desempatar, o goleiro salva, nem ele sabe como vai
explicar em casa.
PS10 – No
primeiro minuto dos três do acréscimo, duas bolas perigosíssimas do Máxico. Na
segunda, defesa sensacional de Júlio César. Acabou, vou responder a Eduardo
Campos: numa chave tão camarada como essa, o Brasil tem 4 pontos, exatamente
como o México. Vão depender de divergências e convergências. Depois da chave, o
que esperar?
PS11 – Como
Odisseia “é um drama com final feliz”, pode ser dito: o Brasil viveu ontem, uma
Odisseia. 90 minutos de drama. E esse 0 a 0, que felicidade.


