5.4.14

TROCAR O MELHOR PELO PIOR

CARLOS CHAGAS -


Sérgio Cabral não é mais governador. Desincompatibilizou-se para concorrer às eleições de outubro, provavelmente tentando voltar ao Senado.  Nada haveria a opor, democracia é assim mesmo. Todo cidadão tem o direito de pleitear eleger-se para qualquer mandato.

Não fosse… Não fosse o fato de que haverá uma só vaga de senador por estado, tornando-se as eleições para a Câmara Alta tão importantes quanto as eleições de governador, pois também  majoritárias e igualmente definidoras das tendências e anseios do eleitorado.

Sérgio Cabral, se for candidato, ocupará a vaga de contra-parente, Francisco Dornelles, o  senador mais correto e eficiente da representação do Rio de Janeiro no Congresso. Uma troca que sua condição de governador por dois mandatos torna inevitável, em especial porque Dornelles jamais admitiria  transformá-la numa briga familiar. Não se candidataria contra o ex-marido da prima.

O problema é que a sociedade fluminense sairá perdendo. Nos últimos oito anos, sempre que o Senado viu-se envolvido em questões insolúveis, foi para o ex-ministro da Fazenda que sua maioria apelou, governistas e oposicionistas.  Conservador, jamais deixou de ser democrata. Conhecedor profundo da economia, alter ego de Tancredo Neves, tem sido para ele  que recorrem os colegas,  toda vez  que algum projeto obstrui os trabalhos ou que alguma armadilha impede seu desenvolvimento.

Será uma pena se em vez de continuar essa instância de bom senso e lucidez  vier a assumir alguém contestado, polêmico e ainda não completado para assumir o papel de conselheiro da democracia. Melhor faria Sérgio Cabral se disputasse uma cadeira na Câmara dos Deputados,  certamente puxando razoável bancada fiel à  liderança que exerceu  no governo do Rio de Janeiro.

APAVORADOS

Não todos, é evidente, mas alguns dirigentes do PT andam apavorados.  A começar por Rui Falcão, que nem candidatar-se a deputado ousou, apesar de presidente nacional do PT. Ele joga todas as suas fichas na reeleição de Dilma, imaginando tornar-se ministro no segundo mandato. Mas olha por trás do ombro para a possibilidade de o Lula substituir a presidente, coisa mais garantida para sua permanência no poder. Algum dia ficará esclarecida sua presença na confusão reinante entre os companheiros e sua influência na mídia. Tanto faz, porque prevalece aquela máxima lusitana de décadas atrás, quando um de nossos avozinhos vinha ao Brasil para dirigir um botequim ou um armazém: “quem não tem competência não se estabelece”…