CARLOS CHAGAS -
A queda nos índices de preferência da presidente Dilma para concorrer
à reeleição ainda seria absorvível caso não se ampliasse mais, ou pelo
menos se mantidos os níveis capazes de, em outubro assegurar-lhe a
vitória. Concluem analistas e promotores das consultas populares que por
enquanto o segundo mandato não está garantido, quem sabe até no
primeiro turno. Estão sendo gentis, com ou sem interesses subalternos,
quantos vivem e se sustentam por conta das pesquisas. Claro, todos
admitem a ressalva que só os próximos meses revelarão: se a queda se
acentuar e se os adversários crescerem, o segundo mandato poderá ir para
o espaço.
Do que quase ninguém cuida, ao menos de público, é do reflexo da
diminuição dos números de Dilma nas outras eleições, para os governos
estaduais, o Congresso e as Assembleias Legislativas. Será inevitável
que a perda de votos pela presidente determinará também a queda de votos
nos candidatos do PT a governador, senador, deputado federal e
deputado estadual.
É aqui que mora o perigo, primeiro para Dilma, em função do “volta
Lula”, depois para o partido que imaginava preservar maioria na Câmara
e, quem sabe, conquistá-la no Senado. Se hoje, com as atuais bancadas,
os companheiros defrontam-se com sucessivas derrotas parlamentares e não
dominam os grandes estados, imagine-se como ficarão na hipótese do
emagrecimento. O PT gostaria de fazer o novo presidente da Câmara, mas
se vier a dispor de menos deputados do que o PMDB ou mesmo o PSDB, nem
pensar.
Essa redução repercutirá num novo governo do PT, com Dilma ou com o
Lula. As dificuldades para governar serão maiores, em especial quando se
projetam grandes obstáculos para 2015. Reajustar preços, conter a
inflação, atender reclamos do empresariado e estancar a corrupção surgem
como necessidades absolutas. Diante de um Congresso hostil e ciente de
que perderá o papel de condômino do poder, mais difícil ainda.
Pesquisa não ganha eleição, é máxima permanente em política, desde
que surgiram as primeiras consultas eleitorais. Mesmo assim, os números
significam as tendências de um determinado momento. Mágicas, ninguém
faz, ou seja, nem por milagre Dilma irá recuperar os índices folgados
de até um ano atrás. Mas se mantiver o equilíbrio instável do último
Ibope, deverá preparar-se com doses maciças de paciência e tolerância
para enfrentar os próximos quatro anos.



