HELIO FERNANDES -
Dois depoimentos importantes, no Senado e na Câmara, não surgiu
esclarecimento. Dona Graça fez pronunciamento profissionalmente surpreendente
pelo conhecimento que revelou. Como eu disse comentando “em cima do laço”, ela
aproveitou muito bem os 33 anos de “casa”.
Mas tinha obstáculos que precisava superar, um deles
dificílimo: absolver Dona Dilma. Mas como absolver um personagem que confessou
o que ela mesma adora identificar como “malfeito?”.
Saiu bem em parte
Dona Dilma e o Planalto "se consideraram" satisfeitos, e o que é que poderiam dizer? Mas na verdade, acharam que ela
devia ter citado nominalmente o diretor internacional Cerveró, que entregou o
relatório para todos os conselheiros lerem e decidirem. Se assinaram sem ler a
culpa é deles.
O depoimento do
diretor internacional
Dona Graça acabou de falar na terça quase noite, no Senado.
No dia seguinte, quarta, bem cedo, Cerveró já estava na Câmara, depondo durante
horas. E usando mais tempo do que Dona Graça, foi quase um diplomata, não
hostilizando Dona Graça ou Dona Dilma, mas não deixando nada sem resposta.
Examinou minuciosamente a fala de Dona Graça, a confissão de
Dona Dilma, mostrou tudo o que forneceu, detalhadamente.
Ainda “gozou” a presidente da Petrobras, que insinuou (não
nominalmente, e precisava?) que ele fora rebaixado. Riu amavelmente, trocou as
palavras, afirmou:
“Fui substituído e transferido como diretor para outro setor
importantíssimo”, (o financeiro, HF). E perguntou, atingindo a própria Graça: “Quem
na empresa, com tantos anos de casa, já não ocupou vários cargos de direção?
Não são maiores ou menores, é a praxe e a carreira”.
Contrariou Dona
Graça, Dona Dilma em suspenso
Defendeu a transação, disse que “foi um bom negócio”, e que “continua
sendo”. Discordou de Dona Dilma no total e no desdobramento. A favor dele: em
quase 40 anos de Petrobras, sua vida é imaculada. Se não é, por que a carreira
sem falhas?
A CPI, longe de ter
sido descartada
Curioso é que nem situação nem oposição estão satisfeitos. E
podem até chegar a um acordo sobre “o negócio” de Pasadena, se foi bom ou mal.
Para o Planalto e Dona Dilma, o grande problema não é mais Pasadena e sim o
ex-diretor preso, Paulo Roberto Costa.
Muitos não dormirão tranquilamente até terça feira, quando
Brasília reabre para balanço. Este repórter que é seguramente o mais antigo e o
mais intransigente petrobrasista, defende a CPI.
Estou convencido que a CPI não vai absolver a todos. Mas a
empresa, retomará o rumo e ritmo da administração, sadia, ética, moral,
responsável, dando enormes alegrias ao povo brasileiro.
Uma chapa, o primeiro
com menos votos do que o segundo, pode ser levada a sério?
Fizeram festa enorme, discursos com fartos elogios entre
Campos e Dona Marina, nenhuma comoção ou repercussão. Seis meses depois da
união, continuam desunidos, e a espera de pesquisas.
Tudo indica que Campos ficará na iminência de manter os dois
dígitos iniciais. Dona Marina tem tudo para ficar perto dos 20 por cento, o
dobro. O cidadão-contribuinte-eleitor entenderá? Ou Campos acabará entendendo?
A bobagem de Dona
Dilma
De qualquer maneira, embora não signifique muito, faturaram
enorme promoção. Nas televisões, nos jornalões, menos nas redes sociais.
Ridícula a manobra de Dona Dilma de “estar” em Pernambuco, no mesmo momento.
Renan recuou
Ontem sua idéia era protelar o mais possível as informações
pedidas pela ministra Rosa Weber. Mas por “sugestão” de gente da cúpula do
próprio PMDB, mudou o rumo. Aceitou o que foi proposto. E ontem mesmo mandou entregar a resposta.
“O melhor é tentar
convencê-la, em vez de ignorá-la”
O conselho da cúpula
do PMDB, era mais inteligente do que tentar prorrogar o tempo da resposta. E
Renan, que não tem caráter mas não é burro, entendeu logo. De acordo com o
entendimento da cúpula do partido, ela poderia se convencer. E votar contra o
pedido da oposição.
Por isso Renan pediu ao departamento jurídico do Senado,
para que a resposta fosse longa, e cheia de argumentos fundamentados. E que
levassem a ministra a demorar a elaborar o voto de relatora. De qualquer
maneira, reposta só na terça feira. Brasília política que trabalha pouco o ano
todo, descansa para valer na Semana Santa, para eles, que palavra.
Além de corrupto,
burro
Quando foi conhecido o escândalo André Vargas, revelei, não
custa repetir e comentar. Lula Chamou o deputado, aconselhou: “Renuncia, agora”.
Vargas riu, respondeu: “Presidente, vou tirar licença de 60 dias, quando voltar
ninguém mais fala no assunto”. Lula não conseguiu demovê-lo.
Agora, menos de 30 dias passados, se licenciou, renunciou à
vice-presidência da Câmara, indiciado na Comissão de Ética, disse, “vou
renunciar ao mandato”. Vai ficar inelegível por 8 anos, era o que Lula estava
prevendo. Perguntinha ingênua, inócua, inútil: como é que um deputado medíocre,
corrupto, burro, chega a vice presidente da Câmara?
Agora “renunciou a renuncia”, está vagando nos escombros do
vazio. O que fazer?
A Venezuela é uma
democracia?
Maduro teve 50,04 dos votos, a oposição, 49,06.
Eleitoralmente o país completamente dividido. Mesmo que essa inexistente
vantagem fosse a favor da oposição, a divisão seria a mesma. Desde o início
insisti que só a conciliação uniria o país.
Mas Chávez, perdão, Maduro, logo no início mostrou uma
volúpia ditatorial, tentando esmagar a oposição, apenas desperdiçou a herança
que recebeu de Chávez. Prendeu arbitrariamente lideres da oposição, presos até
hoje. Cassou mandato de deputados, agora recebidos nos Parlamentos do mundo.
Maduro não sabe o que
é diálogo
Depois de mais de 1 ano, sem saída e sem solução, imprensado
de todos os lados, aceitou conversar e negociar. Mas não imaginava que esse
diálogo fosse mais duro do que está sendo. Se queixa que estão exigindo muito, “não
posso ceder”. Como foi longe de mais na repressão, agora tem que sofrer.
O Millôr dizia, “a incompetência não dói”. Em Maduro está
realmente doendo, só que não percebeu que ainda pode ter um mínimo de salvação
num governo de conciliação. Mas para isso, tem que governar democraticamente.
Na Venezuela de hoje, um poço gigantesco de petróleo, o povo morrendo de fome e
torturado por um “ditador eleito?”.
Maduro, ditador de
fato
Chávez era Chávez, combatia, liderava, mandava, conquistou
espaço. Seu “bolivarianismo” era duvidoso, mas dominava. Maduro não tem nada a
ver. Prende líderes da oposição, que ficam presos até agora, sem resposta.
Cassa mandatos de deputados, que agora são recepcionados nos
Parlamentos do mundo. Tem que se “democratizar”, unir o país, deixar o povo
viver seu dia-a-dia.
Só pode ter sido. Quer conversar, negociar, se entender. Mas se recusa terminante e intransigentemente a soltar líderes da oposição, presos arbitrariamente. Que tipo de diálogo é esse? E o Brasil, omisso, “protegendo” Maduro.


