15.3.14

PMDB: O INIMIGO É O PT

CARLOS CHAGAS -
Da presidente Dilma o PMDB não se afastará. Afinal, ela detém a caneta, tudo indicando que a manterá por mais quatro anos. O partido precisa da chefe do governo assim como o sapo precisa da lagoa.
Agora, depois das provas de inconformismo desta semana, abrindo investigações sobre a Petrobras e convocando onze ministros e altos funcionários do Executivo, a bancada do PMDB na Câmara manterá o PT na alça de mira. São piores do que nunca as relações entre as duas legendas. Os peemedebistas acusam os companheiros de pretender ocupar toda a Esplanada dos Ministérios assim que vitoriosa a reeleição, mas pretendem impedi-los antes. O maior esforço será feito para a eleição de mais deputados e senadores do que os petistas. Dessa forma, daqui até outubro, será travada guerra sem quartel entre eles, com reflexo nas campanhas de governador. Alianças que pareciam asseguradas em diversos estados começam a perigar, apesar da tentativa da presidente Dilma e do ex-presidente Lula em preservá-las.
O Rio será palco de um dos maiores entreveros entre PMDB e PT. Revigorado pela reação dos deputados diante do governo, Sergio Cabral jogará todas as fichas na derrota de Lindbergh Farias, mesmo se Luís Fernando Pezão vier a perder para Anthony Garotinho. Em São Paulo também não haverá quartel: querem revigorar Paulo Scaff para tirar votos de Alexandre Padilha, podendo até apoiar Geraldo Alckmin se num segundo turno ele vier a enfrentar o ex-ministro da Saúde. E assim por diante, na esperança de que candidatos próprios a governador, na maioria dos estados, possam ajudar na eleição para a Câmara e o Senado.
SEGUNDO TIME
Vale insistir no tema, com todo o respeito aos personagens. As recentes escolhas de mais três ministros, esta semana, para os ministérios do Turismo, Cidades e Agricultura revelam ilustres desconhecidos da opinião pública, dos partidos e da mídia. Poderão apresentar excelentes performances, os votos são para que isso aconteça, mas, convenhamos, não serão ministros capazes de empolgar os respectivos setores. Ainda mais porque se a presidente Dilma for reeleita, presume-se que haverá ampla e total reformulação do ministério.
PRÓXIMO ENTREVERO
Depende do líder Eduardo Cunha, do PMDB, colocar ou não em pauta, em abril, o exame do veto da presidente Dilma ao projeto que criava 269 novos municípios no país. Custaria 9 bilhões essa ampliação que, de resto, foi aprovada no Congresso e tornada sem efeito pelo veto presidencial. São poucos os deputados e senadores que se opõem à iniciativa, apesar das despesas.