7.3.14

MILITARES DESCONTENTES COM AS PUNIÇÕES APLICADAS PELA PRESIDENTE DA REPÚBLICA

JOSÉ CARLOS WERNECK -

A decisão da presidente Dilma Rousseff de punir militares da reserva que criticaram duas ministras do governo por serem favoráveis à revogação da Lei da Anistia piorou o clima na caserna e aumentou o número de adesões ao manifesto Alerta à Nação - eles que venham, por aqui não passarão.

A presidente da República tomou a decisão de puni-los depois que eles a criticaram publicamente por não censurar as ministras dos Direitos Humanos Maria do Rosário e Eleonora Menicucci da Secretaria de Políticas para as Mulheres.

Inicialmente, o manifesto tinha 98 assinaturas.  Após terem tomando conhecimento da decisão de puni-los, o número subiu para 235 e depois chegou a 386 adesões, entre eles 42 oficiais-generais, sendo dois deles ex-ministros do Superior Tribunal Militar.

A presidente já havia se irritado com o manifesto dos Clubes Militares, lançado às vésperas do Carnaval, e depois retirado do site, e ficou mais irritada ainda com esse novo documento, no qual eles reiteram as críticas e ainda dizem não reconhecer a autoridade do ministro da Defesa, Celso Amorim, de intervir no Clube Militar.

A presença de ex-ministros do STM adiciona um ingrediente político à lista, não só pelo posto que ocuparam, mas também porque, como ex-integrantes da mais alta Corte Militar, os signatários têm pleno conhecimento de como seus pares julgam neste caso.

O Ministério da Defesa e os comandos militares ainda estão discutindo com que base legal os militares poderão ser punidos. Diversas reuniões foram convocadas nos últimos dias  para discutir o assunto. Mas não há unanimidade de como as sanções devem ser aplicadas.

Interpretações

Para a Defesa ocorreu "ofensa à autoridade da cadeia de comando", incluindo aí a presidente Dilma e o ministro. Para Celso Amorim, os militares não estão emitindo opiniões na nota, mas sim atacando e criticando seus superiores hierárquicos, em um claro desrespeito ao Estatuto do Militar.

Só que, nos comandos, há diferentes endendimentos a respeito da Lei 7.524, de 17 de julho de 1986, assinada pelo ex-presidente José Sarney, que prevê que os militares da reserva podem se manifestar politicamente e não estão sujeitos a reprimendas.

No artigo 1.º da lei está escrito que "respeitados os limites estabelecidos na lei civil, é facultado ao militar inativo, independentemente das disposições constantes dos Regulamentos Disciplinares das Forças Armadas, opinar livremente sobre assunto político, e externar pensamento e conceito ideológico, filosófico ou relativo à matéria pertinente ao interesse público".

Essa dúvida,quando a interpretação da legislação,entendem os militares, poderá levar os comandantes a serem processados por danos morais e abuso de autoridade, quando aplicarem a punição de repreensão, determinada pela presidente. Nos comandos, há a preocupação com o fato de que a lista de adeptos do manifesto só aumenta, o que faria com que o assunto se transformasse em uma bola da neve.