26.3.14

MARCO CIVIL DA INTERNET É APROVADO NA CÂMARA, SÓ FALTA O SENADO. "LIBERDADE DE EXPRESSÃO É INTERNET PRO POVÃO!". NOVO CONSELHO DELIBERATIVO DA ABI APROVA ELEIÇÃO DA DIRETORIA PARA 30 DE MAIO

DANIEL MAZOLA -

Cantaram nas galerias, comemorando a aprovação da lei que "estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da Internet no Brasil". Por 17 votos a favor e apenas 1 contra, o Marco Civil da internet (PL-2126/21) foi aprovado na noite de ontem (25) na Câmara dos Deputados. O projeto equivale a uma "Constituição", com os direitos e deveres dos internautas e empresas ligadas à web. 

Em relação à neutralidade da rede, ficou acordado que a regulamentação por decreto deverá seguir os parâmetros estabelecidos na lei, conforme previsto na Constituição. Para regulamentar a neutralidade de rede, a Presidência da República deverá ouvir a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Comitê Gestor da Internet (CGI).

Empresas de telecomunicação como Oi, Vivo, Tim e Claro pressionaram os deputados para ter o poder de dizer o que você pode e não pode ver na internet, dependendo de quanto você e os diferentes sites e aplicativos estiverem dispostos a pagar.

Visivelmente as resistências dos que preferem os interesses privados ao controle público foram vencidas ontem, depois de meses de 'empate'. Quem virou o jogo foi a pressão dos movimentos!

PRINCÍPIOS:
Garantia da Liberdade de expressão, Proteção da privacidade e dos dados pessoais, Neutralidade da Rede e Liberdade dos Modelos de Negócios.

DIREITOS:
Controle sobre os dados pessoais, Inviolabilidade e sigilo das comunicações, Manutenção da qualidade contratada da conexão, Exclusão definitiva de dados pessoais após término de contratos, Informações claras e completas nos contratos.

PROVEDORES DE CONEXÃO:
Guardar, sob sigilo, os dados de conexão dos usuários [endereço de IP, data e hora do início e término da conexão] pelo prazo de um ano.

PROVEDORES DE APLICATIVOS:
Guardar, sob sigilo, os dados de conexão dos usuários pelo prazo de seis meses. Retirar, a pedido das vítimas, imagens e vídeos contendo cenas de nudez ou sexo que não tem a autorização dos envolvidos.

- Decreto do Executivo poderá determinar que os bancos de dados dos provedores de internet estrangeiros estejam localizado no Brasil.

- Os provedores, mesmo que sediados no exterior, deverão respeitar a legislação brasileira, incluindo os direitos à privacidade e ao sigilo dos dados.

Depois veremos na prática como efetivamente serão aplicadas as regras do projeto aprovado na Câmara ontem. Segundo o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ), "LIBERDADE DE EXPRESSÃO É INTERNET PRO POVÃO!". Concordo plenamente com o parlamentar, um dos poucos com moral e credibilidade no Congresso Nacional.

O projeto de lei foi formulado de modo colaborativo, com a participação de diversas entidades da sociedade civil e usuários de internet. Agora está regulamentado, o texto original garante a neutralidade, a liberdade e a privacidade.

O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o poderoso lobby das teles, que queriam desfigurar o projeto perderam essa batalha. Mas a guerra ainda não está vencida. Agora, o projeto tem que ser votado pelo Senado para virar lei.

Precisamos mostrar aos senadores que a sociedade civil não abre mão desses três princípios e quer que o Marco Civil da Internet seja votado sem alterações que possam servir a interesses escusos.

Confira o texto na íntegra:

POR UNANIMIDADE. NOVO CONSELHO DELIBERATIVO DA ABI APROVOU NOVA ELEIÇÃO DA DIRETORIA PARA 30 DE MAIO

Continuem se orgulhando dessa instituição centenária, não conheço outra que tenha prestado serviços mais relevantes à sociedade brasileira. Ontem, por 27 votos contra 12, foi aprovada a nova mesa diretora do Conselho Deliberativo da centenária instituição. Com isso passo a acumular provisoriamente duas primeiras secretarias, (enorme responsabilidade), a da Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos e do Conselho Deliberativo.

Como estava previsto na convocatória da reunião, passou-se, em seguida, ao item “2” da pauta, em que foram aprovados por unanimidade: 1 – Assembleia Geral para o dia 29 de maio às 9h. 2 - Nova eleição para os cargos da diretoria a ser realizada no dia 30 de maio a partir das 9h.

Com isso deixaremos de estar “judicializados”, sob a influência do poder judiciário e das ações que impediram uma administração saudável na entidade. Ocorrer rachas em direções é normal, a Associação Brasileira de Imprensa já teve administrações memoráveis e cruciais para os rumos da política brasileira, mas também tivemos administrações entreguistas e lamentáveis.

Somos uma associação representativa, e convivemos com todo tipo de jornalistas. Vale lembrar: o que temos oficialmente no Brasil (“servido” para a massa) é um jornalismo de mercado, venal, empresas privadas com pouco ou nenhum compromisso com o conjunto da sociedade, um mundo coalhado de jornalistas baba-ovo, vendidos ao mercado. No mundo inteiro existem “jornalistas” que não dignificam a profissão, não cumprem o dever ético de serem os sacerdotes da verdade, fiscalizando os podres poderes, sendo os auditores da sociedade, reféns do patronato.  

Mas o Estatuto da ABI, é claro de cara, começa assim. Capítulo I: Art. 1º - A Associação Brasileira de Imprensa (ABI), fundada em 7 de abril de 1908, com sede na cidade do Rio de Janeiro, na Rua Araújo Porto Alegre, 71, é uma instituição democrática, de direito privado, de fins não econômicos, voltada a assegurar e ampliar as conquistas sociais do povo brasileiro, reunindo profissionais de jornalismo, em suas diversas modalidades, e tendo por finalidade maior a defesa da ética, dos direitos humanos e da liberdade de informação e expressão.
Art. 2º - À Associação Brasileira de Imprensa, na qualidade de fórum da sociedade civil, cabe promover e articular movimentos em defesa do patrimônio e da soberania nacionais.
Há 12 anos militando na ABI, de forma abnegada, com muita satisfação e compromisso, só tenho feito e lutado (ao lado de valorosos companheiros) pelo que está escrito nesses dois importantíssimos artigos, base de tudo, verdadeiro legado dessa entidade que continua causando muito orgulho a maioria dos brasileiros.
Participo de um grupo político em que todos são progressistas, socialistas ou comunistas. Alguns são lideranças reconhecidas nacionalmente, sempre apresentamos os melhores projetos e propostas para a Casa.
Não ficaremos jamais coniventes e alheios às demandas sociais, esperando pra ver o Brasil no momento final, derradeiro e sem volta, essa nação apaixonante e fascinante. Nossos objetivos e responsabilidades continuarão sendo apoiar as lutas sociais (que explodiram a partir de junho de 2013), assim como a ABI fez nos seus momentos mais gloriosos e que representam seu maior legado.
Nosso compromisso é com todos os brasileiros, (não somos sindicato) essa é nossa razão de existir, tenho consciência da minha tarefa hoje, orgulho e satisfação de estar empenhado pessoalmente nessa luta em defesa do verdadeiro papel da ABI, contribuindo nessa importante retomada, intensificando e potencializando todas as lutas necessárias e movimentos sociais para construirmos uma Nação verdadeiramente soberana, democrática e para todos.
Sendo assim, no dia 30 de maio, quem não estiver com a CHAPA PRUDENTE de MORAIS, NETO, neste importante e decisivo momento, pode até ser considerado um TRAIDOR DO POVO BRASILEIRO!
Comissão da ABI elabora documento sobre a violência no País
Integrantes da Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da ABI reuniram-se no último dia 21, e debateram recentes casos de violência e desrespeito aos direitos humanos no País. Durante o encontro, foi elaborado um relatório sobre as diversas violações.
Leia a íntegra do documento (http://www.abi.org.br/109461 ):
“A violência em áreas carentes do Rio de Janeiro provocou mais uma vítima: a trabalhadora Claudia da Silva Ferreira, auxiliar de serviços gerais, que criava oito crianças. Ela foi assassinada por policiais militares, mas a Justiça concedeu a liberdade aos três suspeitos do crime.
A Comissão reitera posicionamentos anteriores que condenam a violência institucional. Entendem seus integrantes que não se trata de uma questão de “educação adequada” dos contingentes policiais, mas sim da impunidade que grassa no País para os responsáveis por crimes cometidos por agentes do Estado.
Claudia não foi tratada como um ser humano, mas como gado, ao ser colocada em uma viatura policial sem condições de prestar socorro; um crime hediondo que não pode ficar impune.
Na avaliação da Comissão, a política de segurança do Estado do Rio de Janeiro parte de um falso conceito de que existe um “inimigo comum” localizado nas favelas cariocas, que deve ser eliminado a qualquer preço. Trata-se, na prática, do prolongamento da guerra ao terror, conceito importado de países imperialistas, como os Estados Unidos, e que serve de justificativa às constantes violações aos direitos humanos.
A Comissão destacou ainda a situação dos moradores das mais de 900 localidades pobres do Rio de Janeiro, que respondem à violência do Estado com atitudes desesperadas. O caso mais recente aconteceu na favela de Manguinhos, onde duas sedes de Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) foram incendiadas, provocando vítimas. A Comissão lamenta a morte de policiais nesta e em outras regiões devido ao descrédito em relação ao aparato repressivo da PM. Questões desta natureza só serão resolvidas com o restabelecimento dos direitos humanos e da cidadania.
Durante o encontro, os membros da Comissão da ABI repudiaram ainda a conduta da jornalista Raquel Sheherazade, apresentadora do “Jornal da SBT”. Ela defendeu, em cadeia nacional, “a justiça feita pelas próprias mãos” ao apoiar o linchamento de um menor, que após uma tentativa de roubo, foi amarrado por transeuntes a um poste de uma rua localizada no bairro do Flamengo, Zona Sul do Rio.
Outro assunto discutido pelos representantes da Comissão foi a invasão a sede do Jornal Pampeano, em Jaguarão, no Rio Grande do Sul, no dia 13 de março, por oito policiais militares, que, de acordo com o editor do veículo, Anibal Ribas, não apresentaram mandado judicial e lhe deram voz de prisão. A Comissão exige a apuração imediata do caso e a punição dos responsáveis pela arbitrariedade que afronta o Estado Democrático de Direito.”