14.3.14

INDENIZAÇÕES “BILIONÁRIAS” DA VARIG. JOAQUIM DERROTADO AMPLAMENTE. CUNHA, TIDO “APENAS” COMO LOBISTA, VENCE A CÚPULA DO SENADO E DA CÂMARA. EM MENOS DE UMA HORA, JOÃO PAULO CUNHA ABSOLVIDO DA LAVAGEM DE DINHEIRO

HELIO FERNANDES –

Começo pedindo desculpas, falei que Joaquim Barbosa, “relator” da ação da Varig, votou durante 1 hora e 30 minutos, absurdo. O tempo foi esse mesmo, só que ele não era relator da ação. A ministra Cármen Lúcia, a verdadeira relatora, deu seu voto magistral em setembro.

Imediatamente Joaquim Barbosa “pediu vista”. Como é do seu hábito, gosto e convicção, ficou com o processo engavetado, que foi discutido, votado e decidido depois do desperdício de tempo do presidente, que no caso era apenas mais um ministro.

Por que não terminar em 15 minutos?

A questão do tempo é fundamental. Já se sabia que Barbosa votaria com o governo, por que não parar em 15 minutos? Todos conheciam seu voto, no site do tribunal, ou distribuído por ele mesmo. Assim que acabou, veio o inacreditável “intervalo”.

Quando voltaram, Barbosa teve apenas o aplauso de Gilmar Mendes, que afirmou como sempre disparadamente: “Se a Varig for indenizada o botequim da esquina tem que receber a mesma indenização”. Piedosamente não comento esse disparate, que ele mesmo chamou de “universal”.

Voto magistral de Cármen Lúcia, exaltado, louvado, acompanhado

Como já votaram no ano passado, falou depois de Barbosa, “não para contestá-lo mas para constatar pontos do processo, que são indiscutíveis”. Foi rápida e direto, o presidente não se conformou, replicou.

Mas todos que votaram depois, seguiram rigorosamente a relatoria de Cármen Lúcia. Só interrompendo a argumentação, para os elogios entusiasmados, indispensáveis e indiscutíveis.

Decisão fundamental

Foram beneficiados 15 mil funcionários da Varig. 12 mil do Fundo Aerus. Só aí 27 mil trabalhadores que terão que receber. Fora outros ainda não identificados. A União, como sempre, não quer pagar. A Varig e os funcionários ganharam no Supremo, depois da ação ficar lá mesmo, no “mais alto tribunal do país, desde 2007”.

Ganharam mais não receberam

A empresa e esses pelo menos 27 mil trabalhadores, terão que esperar, nem Ministros nem advogados sabem quanto tempo. Surgiu uma esperança para a Vasp, Panair (esta destruída diretamente pela ditadura), Transbrasil.

Dizem habitualmente, “o Supremo erra por último”. Agora acertou, mas ninguém sabe quando e quanto os empregados receberão. O Supremo terá que ser ouvido novamente. Pelo menos para fixar o valor da indenização. E a União “combatendo o mau combate”. O Advogado Geral que já esteve para ser RÉU, agora será DEFENSOR.

Três ministros que habitualmente votam “caninamente” com Barbosa, não compareceram ou se consideraram “impedidos”. Por quê? Já viajaram pela Varig ou pelas outras empresas de táxi aéreo?

Desta vez não queriam acompanhar o voto de Barbosa ou seguir a sua perda de tempo. Esse é um “crime jurídico”, que não pretendiam cometer, se omitiram. Que República.

Dona Dilma não percebe o tamanho da crise, se “confronta” com o PMDB

Os juros e a inflação crescem, o PIB não se aguenta, economistas e analistas, fazem cálculos que precisam recalcular quase que imediatamente. E sempre se desmentido, para baixo ou para cima.

Dona Dilma, junto com Mantega e o Banco Central Independente, considera que “nada disso tem importância”. E continua contradizendo o PMDB, numa briga de rua, travada em palacetes de Primeiro Mundo.

Eduardo Cunha, protegido pelo Senado, ganha todas de Dona Dilma

Embora digam que Cunha é apenas um lobista vitorioso, vêm provando que é mais do que isso. Está assuntando o próprio Michel Temer, que nunca foi tão destratado, ignorado, desprezado, enfrentado. Temer em alguns momentos chega admitir que sua “reeleição como vice está ameaçada”. Embora seu cargo não necessite de votos, Cunha nem procura para conversar, como antigamente.

Cunha com caminho próprio

É evidente que sua autonomia de voo não dá para ir muito longe, mas apesar de egoísta e egocêntrico, sabe que não passará de deputado. Não se aborrece, nem tem motivos para isso. Está satisfeito com as perspectivas, estimativas e pesquisas, “você será deputado mais votado do estado do Rio”, que satisfação, ou melhor, que maravilha viver.

4 ministros CONVOCADOS, 6 CONVIDADOS, tudo tática e estratégia dele sozinho

Os 267 votos contra 28 de Dona Dilma e da “base” esfacelada, tudo “parte do acordo não escrito”. Os senadores do chamado “primeiro time”, souberam e deram aval antecipado. O resto, surpresa e revolta no Senado-Planalto-Alvorada-Jaburu.

É um jogo complicado, arriscado, só não digo que se trava entre correligionários, porque nessa disputa entre o Planalto e congressistas, a palavra não se adapta a ninguém. De um lado ou do outro. São combatentes sem trincheiras, sem tropas ou sistemas de informação. O blocão não tem SNI.

A votação de 267 a 28 perdeu o sentido e a importância, diante das duas vitórias espetaculares do líder do PMDB na Câmara. 1 – Concretização da investigação sobre suposta corrupção na Petrobras. Mudou até de nome e de organização, sem que o Planalto (Dona Dilma) ou a cúpula do Senado, (Renan, Eunício, Jucá, Braga) soubessem de qualquer indício.

2 – Convocação de quatro ministros, e o convite para seis outros. Qual a diferença entre as palavras? CONVOCADO é obrigado a ir. O Ministro que recebe CONVITE, pode não ir. Mas no atual clima de “rebelião-ignorada-avalizada”, o convidado que não for, acaba sendo convocado.

Dona Dilma se julga vitoriosa, o PMDB também

Na verdade, diante de tudo o que está acontecendo, o único combatente parece ser Eduardo Cunha. Mais arrogante do que nunca, comanda tudo. E apesar de atirar para todos os lados, preservou a visão do que interessa. E foi com sua autorização e aval, que os Ministros da Agricultura e do Turismo foram preenchidos.

Os indicados para Agricultura e Turismo, sem maior importância, consultados e indicados pelo Planalto, perguntaram a Eduardo Cunha: “Aceitamos?”. Assim resumido, e da mesma forma respondida pelo líder: “Aceitem”.

A presidente exultante

Incrível, Dona Dilma satisfeita. Sem deixar de “trocar” palavras com Lula. A presidente disse a vários assessores e até a jornalistas amestrados: “Sou a grande vitoriosa, política ou eleitoralmente”. E quando fala “sou a grande vitória”, se refere à disputa presidencial.

Nenhuma preocupação no Planalto

Dona Dilma não ligou para a convocação de Gilberto Carvalho e Jorge Hage. Tá começando a cuidar ou preservar a presidente da Petrobras, recebeu um telefonema da própria Dona Graça, afirmando: “Vou comparecer com toda a tranquilidade, não há nada a esconder”. Dona Dilma gostou.

João Paulo quase livre

Sem a presença de Joaquim Barbosa, com Lewandowski presidindo, o ex-presidente da Câmara foi absolvido da acusação de “lavagem de dinheiro”. Além da surpresa da absolvição, esse julgamento levou apenas 53 minutos. Maioria simples.

Marco Aurélio Mello

Votando pela absolvição, que já tinha maioria, o que não o preocupa, afirmou, com segurança e ironia visível: “O Tribunal agora é outro”. Ninguém explicou a ausência de Barbosa.

PS – Manchete do Globo na Primeira: “PMDB derrota Dilma e terá dois novos Ministros”. Não é um fato e sim interpretação. Só que na manchete da página 3, o mesmo Globo, arrisca: “Blocão convoca Ministros e PMDB leva duas pastas”. A última palavra deixaram para o leitor.

PS2 – Manchete da Folha, na Primeira: “Polícia Federal vai investigar suspeita de propina na Petrobras”. Isso depois da intervenção da Câmara, que criou Comissão externa sobre corrupção na empresa.

PS3 - No caderno Mercado, bem distante, a Folha amplia a matéria: “Outro inquérito foi aberto para investigar a Petrobras por suposto prejuízo em compra de refinaria”. Muito mais amplo, e até elucidativo.