HELIO
FERNANDES –
Começo pedindo desculpas, falei que Joaquim Barbosa, “relator”
da ação da Varig, votou durante 1 hora e 30 minutos, absurdo. O tempo foi esse
mesmo, só que ele não era relator da ação. A ministra Cármen Lúcia, a verdadeira
relatora, deu seu voto magistral em setembro.
Imediatamente Joaquim Barbosa “pediu vista”. Como é do
seu hábito, gosto e convicção, ficou com o processo engavetado, que foi
discutido, votado e decidido depois do desperdício de tempo do presidente, que
no caso era apenas mais um ministro.
Por
que não terminar em 15 minutos?
A questão do tempo é fundamental. Já se sabia que
Barbosa votaria com o governo, por que não parar em 15 minutos? Todos conheciam
seu voto, no site do tribunal, ou distribuído por ele mesmo. Assim que acabou,
veio o inacreditável “intervalo”.
Quando voltaram, Barbosa teve apenas o aplauso de Gilmar
Mendes, que afirmou como sempre disparadamente: “Se a Varig for indenizada o
botequim da esquina tem que receber a mesma indenização”. Piedosamente não
comento esse disparate, que ele mesmo chamou de “universal”.
Voto
magistral de Cármen Lúcia, exaltado, louvado, acompanhado
Como já votaram no ano passado, falou depois de
Barbosa, “não para contestá-lo mas para constatar pontos do processo, que são
indiscutíveis”. Foi rápida e direto, o presidente não se conformou, replicou.
Mas todos que votaram depois, seguiram rigorosamente a
relatoria de Cármen Lúcia. Só interrompendo a argumentação, para os elogios
entusiasmados, indispensáveis e indiscutíveis.
Decisão
fundamental
Foram beneficiados 15 mil funcionários da Varig. 12 mil
do Fundo Aerus. Só aí 27 mil trabalhadores que terão que receber. Fora outros
ainda não identificados. A União, como sempre, não quer pagar. A Varig e os
funcionários ganharam no Supremo, depois da ação ficar lá mesmo, no “mais alto
tribunal do país, desde 2007”.
Ganharam
mais não receberam
A empresa e esses pelo menos 27 mil trabalhadores,
terão que esperar, nem Ministros nem advogados sabem quanto tempo. Surgiu uma
esperança para a Vasp, Panair (esta destruída diretamente pela ditadura),
Transbrasil.
Dizem habitualmente, “o Supremo erra por último”. Agora
acertou, mas ninguém sabe quando e quanto os empregados receberão. O Supremo
terá que ser ouvido novamente. Pelo menos para fixar o valor da indenização. E
a União “combatendo o mau combate”. O Advogado Geral que já esteve para ser
RÉU, agora será DEFENSOR.
Três ministros que habitualmente votam “caninamente”
com Barbosa, não compareceram ou se consideraram “impedidos”. Por quê? Já
viajaram pela Varig ou pelas outras empresas de táxi aéreo?
Desta vez não queriam acompanhar o voto de Barbosa ou
seguir a sua perda de tempo. Esse é um “crime jurídico”, que não pretendiam
cometer, se omitiram. Que República.
Dona
Dilma não percebe o tamanho da crise, se “confronta” com o PMDB
Os juros e a inflação crescem, o PIB não se aguenta,
economistas e analistas, fazem cálculos que precisam recalcular quase que imediatamente.
E sempre se desmentido, para baixo ou para cima.
Dona Dilma, junto com Mantega e o Banco Central
Independente, considera que “nada disso tem importância”. E continua
contradizendo o PMDB, numa briga de rua, travada em palacetes de Primeiro Mundo.
Eduardo
Cunha, protegido pelo Senado, ganha todas de Dona Dilma
Embora digam que Cunha é apenas um lobista vitorioso, vêm
provando que é mais do que isso. Está assuntando o próprio Michel Temer, que
nunca foi tão destratado, ignorado, desprezado, enfrentado. Temer em alguns
momentos chega admitir que sua “reeleição como vice está ameaçada”. Embora seu
cargo não necessite de votos, Cunha nem procura para conversar, como
antigamente.
Cunha
com caminho próprio
É evidente que sua autonomia de voo não dá para ir
muito longe, mas apesar de egoísta e egocêntrico, sabe que não passará de
deputado. Não se aborrece, nem tem motivos para isso. Está satisfeito com as perspectivas,
estimativas e pesquisas, “você será deputado mais votado do estado do Rio”, que
satisfação, ou melhor, que maravilha viver.
4
ministros CONVOCADOS, 6 CONVIDADOS, tudo tática e estratégia dele sozinho
Os 267 votos contra 28 de Dona Dilma e da “base” esfacelada,
tudo “parte do acordo não escrito”. Os senadores do chamado “primeiro time”,
souberam e deram aval antecipado. O resto, surpresa e revolta no Senado-Planalto-Alvorada-Jaburu.
É um jogo complicado, arriscado, só não digo que se
trava entre correligionários, porque nessa disputa entre o Planalto e
congressistas, a palavra não se adapta a ninguém. De um lado ou do outro. São
combatentes sem trincheiras, sem tropas ou sistemas de informação. O blocão não
tem SNI.
A votação de 267 a 28 perdeu o sentido e a importância,
diante das duas vitórias espetaculares do líder do PMDB na Câmara. 1 –
Concretização da investigação sobre suposta corrupção na Petrobras. Mudou até
de nome e de organização, sem que o Planalto (Dona Dilma) ou a cúpula do
Senado, (Renan, Eunício, Jucá, Braga) soubessem de qualquer indício.
2 – Convocação de quatro ministros, e o convite para
seis outros. Qual a diferença entre as palavras? CONVOCADO é obrigado a ir. O
Ministro que recebe CONVITE, pode não ir. Mas no atual clima de “rebelião-ignorada-avalizada”,
o convidado que não for, acaba sendo convocado.
Dona
Dilma se julga vitoriosa, o PMDB também
Na verdade, diante de tudo o que está acontecendo, o
único combatente parece ser Eduardo Cunha. Mais arrogante do que nunca, comanda
tudo. E apesar de atirar para todos os lados, preservou a visão do que interessa.
E foi com sua autorização e aval, que os Ministros da Agricultura e do Turismo
foram preenchidos.
Os indicados para Agricultura e Turismo, sem maior importância,
consultados e indicados pelo Planalto, perguntaram a Eduardo Cunha: “Aceitamos?”.
Assim resumido, e da mesma forma respondida pelo líder: “Aceitem”.
A
presidente exultante
Incrível, Dona Dilma satisfeita. Sem deixar de “trocar”
palavras com Lula. A presidente disse a vários assessores e até a jornalistas
amestrados: “Sou a grande vitoriosa, política ou eleitoralmente”. E quando fala
“sou a grande vitória”, se refere à disputa presidencial.
Nenhuma
preocupação no Planalto
Dona Dilma não ligou para a convocação de Gilberto
Carvalho e Jorge Hage. Tá começando a cuidar ou preservar a presidente da
Petrobras, recebeu um telefonema da própria Dona Graça, afirmando: “Vou
comparecer com toda a tranquilidade, não há nada a esconder”. Dona Dilma
gostou.
João
Paulo quase livre
Sem a presença de Joaquim Barbosa, com Lewandowski presidindo,
o ex-presidente da Câmara foi absolvido da acusação de “lavagem de dinheiro”.
Além da surpresa da absolvição, esse julgamento levou apenas 53 minutos.
Maioria simples.
Marco
Aurélio Mello
Votando pela absolvição, que já tinha maioria, o que não
o preocupa, afirmou, com segurança e ironia visível: “O Tribunal agora é outro”.
Ninguém explicou a ausência de Barbosa.
PS –
Manchete do Globo na Primeira: “PMDB derrota Dilma e terá dois novos Ministros”.
Não é um fato e sim interpretação. Só que na manchete da página 3, o mesmo
Globo, arrisca: “Blocão convoca Ministros e PMDB leva duas pastas”. A última
palavra deixaram para o leitor.
PS2
–
Manchete da Folha, na Primeira: “Polícia Federal vai investigar suspeita de
propina na Petrobras”. Isso depois da intervenção da Câmara, que criou Comissão
externa sobre corrupção na empresa.
PS3 -
No caderno Mercado, bem distante, a Folha amplia a matéria: “Outro inquérito
foi aberto para investigar a Petrobras por suposto prejuízo em compra de
refinaria”. Muito mais amplo, e até elucidativo.


