31.3.14

DILMA NÃO MUDA NADA

CARLOS CHAGAS -

A partir da nova democratização, sobreveio a primeira eleição presidencial direta desde 1961. Montes de candidatos  lançaram-se através da ilusão. Lula, Leonel Brizola, Ulysses Guimarães, Aureliano Chaves, Mário Covas, Paulo Maluf, Fernando Collor, o dr. Eneias, Guilherme Afif Domingos, Roberto Freire e mais uns tantos que a memória não guardou. Apesar da explosão de personalismos eleitorais, ficou clara a divisão da nação e do  eleitorado: prevalecia a velha divisão entre esquerda e direita, mas, acima dela, o anseio nacional pela permanência do modelo ocidental de prevalência dos poderosos sobre os miseráveis, ainda mais  depois de 21 anos de regime militar.  Acabou prevalecendo Fernando Collor, dado o pavor que o Lula despertava nas elites e em parte da classe media, com a pequena diferença que Leonel Brizola poderia ter mudado a história do país.

A próxima sucessão acentuou a dicotomia: Lula, outra vez, e  Fernando Henrique, campeão da resistência ao inesperado. Prova a mais de que o país preferia a estabilidade imposta pelas elites do que a aventura de promessas impossíveis de concretizar-se.

A terceira vez do Lula chegou com o fim das ilusões. O candidato não era mais o lobisomem das mudanças radicais, senão a garantia da prevalência das mesmas regras de sempre. Reformas,  às vezes, revolução, nunca. A “Carta aos Brasileiros” ditou os rumos  do futuro.

Assim estamos diante da nova sucessão. Nada indica que Dilma pretenda imprimir rumos diferentes às diretrizes vigentes. Muito menos Aécio Neves ou Eduardo Campos.

Numa palavra, estamos onde sempre estivemos, desde que  foi imposto o modelo conservador  do alinhamento às elites, com Pedro  Álvares Cabral. Seria Dilma Rousseff  capaz de mudar o rumo dos ventos?  Sendo assim, explica-se a pasmaceira que até agora cerca a sucessão presidencial. Qualquer que venha a ser o novo presidente da República, nada vai mudar.