A partir da nova democratização, sobreveio a primeira eleição
presidencial direta desde 1961. Montes de candidatos lançaram-se
através da ilusão. Lula, Leonel Brizola, Ulysses Guimarães, Aureliano
Chaves, Mário Covas, Paulo Maluf, Fernando Collor, o dr. Eneias,
Guilherme Afif Domingos, Roberto Freire e mais uns tantos que a memória
não guardou. Apesar da explosão de personalismos eleitorais, ficou clara
a divisão da nação e do eleitorado: prevalecia a velha divisão entre
esquerda e direita, mas, acima dela, o anseio nacional pela permanência
do modelo ocidental de prevalência dos poderosos sobre os miseráveis,
ainda mais depois de 21 anos de regime militar. Acabou prevalecendo
Fernando Collor, dado o pavor que o Lula despertava nas elites e em
parte da classe media, com a pequena diferença que Leonel Brizola
poderia ter mudado a história do país.
A próxima sucessão acentuou a dicotomia: Lula, outra vez, e Fernando
Henrique, campeão da resistência ao inesperado. Prova a mais de que o
país preferia a estabilidade imposta pelas elites do que a aventura de
promessas impossíveis de concretizar-se.
A terceira vez do Lula chegou com o fim das ilusões. O candidato não
era mais o lobisomem das mudanças radicais, senão a garantia da
prevalência das mesmas regras de sempre. Reformas, às vezes, revolução,
nunca. A “Carta aos Brasileiros” ditou os rumos do futuro.
Assim estamos diante da nova sucessão. Nada indica que Dilma pretenda
imprimir rumos diferentes às diretrizes vigentes. Muito menos Aécio
Neves ou Eduardo Campos.
Numa palavra, estamos onde sempre estivemos, desde que foi imposto o
modelo conservador do alinhamento às elites, com Pedro Álvares
Cabral. Seria Dilma Rousseff capaz de mudar o rumo dos ventos? Sendo
assim, explica-se a pasmaceira que até agora cerca a sucessão
presidencial. Qualquer que venha a ser o novo presidente da República,
nada vai mudar.



