12.3.14

CONDENADOS A CONVIVER

CARLOS CHAGAS -
A nova rodada de negociações entre a presidente Dilma e o PMDB, ontem, teve o efeito de mais um tiro na água. Uma espécie de diálogo de surdos. Fica claro que o vice-presidente Michel Temer está mais para incendiário do que para bombeiro, apesar de toda a pirotecnia ser debitada ao líder do partido na Câmara, Eduardo Cunha, que nem faz parte das negociações. O PMDB quer ministérios de peso orçamentário, além de exigir o apoio do PT a seus candidatos aos governos estaduais. Dilma não se arrisca a desgostar os companheiros que pleiteiam eleger governadores, ao tempo em que se nega a abrir ao PMDB ministérios melhor bafejados de recursos.
O cabo de guerra está posto há várias semanas e mais caracterizará esse impasse de mentirinha entre o governo e sua principal base parlamentar, apesar de nenhum dos lados dar a impressão de ceder. A presidente, para não ser desmoralizada e acusada, na campanha eleitoral, de haver transformado seu ministério num condomínio fisiológico. O PMDB, porque joga em outubro sua sobrevivência como grande partido: deixando de eleger governadores em estados importantes, corre o risco de ter diminuídas suas bancadas na Câmara e no Senado, entregando ao PT as presidências das duas casas. Além de enfraquecer-se para participar do governo do segundo mandato.
O resto são firulas, porque nem o PMDB terá coragem de romper com o governo, nem Dilma ousará deitar ao mar carga tão importante quanto pesada para assegurar a governabilidade em sua segunda administração. Trata-se de uma questão de jeito, de acomodação de interesses em conflito mas nem de longe caracterizando a separação.
A presidente e o partido estão condenados a conviver, apesar do choro e do ranger de dentes de parte a parte. Terá sido um erro darem asas à intransigência, ainda mais quando desde domingo vem se reunindo, mais para tirar efeitos junto à mídia do que para chegarem a um entendimento. Nem por milagre Michel Temer deixará de ser o companheiro de chapa de Dilma, nem se os elefantes voarem a presidente abrirá mão do apoio do PMDB.
EM BOA COMPANHIA
Queixa-se o senador Roberto Requião não ter sido convidado para integrar a comitiva da presidente Dilma, todas as vezes em que ela voou para o Paraná. Não deveria estrilar, o ex-governador. Afinal, durante todo o governo do Lula o senador Paulo Paim deixou de acompanhar o presidente em suas idas ao Rio Grande do Sul. São coisas de ciúme.