MIRANDA SÁ -
Passando dos 80 anos de idade, minha memória (felizmente) ainda está
fresca em relação aos anos 50 do século passado. Lembro que fui com o
meu pai, patriota verde-amarelíssimo, a um comício d’ “O Petróleo é
nosso” na Esplanada do Castelo, Rio, que foi dissolvido numa ação
repressiva da Polícia Especial.
Jovem e afoito levei uma cassetetada que me doeu durante muitos anos.
E com a dor, sedimentei meu amor pela Petrobrás (com assento agudo) que
me acompanhou a vida toda. “A vida toda?”, não; cessou quando a empresa
ícone do povo brasileiro foi privatizada pelos pelegos que ascenderam
ao poder na eleição de Lula da Silva.
Queiram ou não queiram os aparelhados na administração pública e os
intelectueiros chapas-branca, não se pode negar que os desmandos na
Petrobras se fixaram e se ampliaram no PT-governo.
Chegou a ser convocada uma CPI para investigar as multifacetadas
denúncias de que as ratazanas roíam o patrimônio da Petrobras. A CPI foi
abafada com a compra de parlamentares, entre eles o impichado Collor,
que terminou com diretorias e cargos de mando na empresa.
Agora, explodindo a bomba da impudente e desonesta compra da
Pasadena, estalou as cabeças e a consciência dos brasileiros. Parece-me
que chegou a hora de abrir a ‘caixa preta’ da indignidade praticada pela
política governamental na gestão da empresa petrolífera.
O pior de tudo é que o escandaloso prejuízo na refinaria texana não
resume os crimes. Eles se multiplicam e são revelados a cada dia que se
passa desde o afloramento do episódio Pasadena. Vê-se escorrer no ralo
da corrupção o loteamento da direção com partidos devassos, doações a
ONGs, apadrinhamentos imorais, associações delituosas com empreiteiras e
terceirizações.
Revoltante foi dar-se conhecimento da compra de outra refinaria, no
Japão, nos mesmos moldes vergonhosos e rapinagem da ocorrência nos
Estados Unidos. Tudo isto começado no Governo Lula e chancelados pela
presidente Dilma, mamulengo que ele manipula e controla.
No processo das denúncias, assiste-se o malogro de Dilma, vendida ao
eleitorado em campanha eleitoral como uma “Gerentona”. Ela afirmou
desconhecer as cláusulas do contrato de Pasadena – e certamente da
japonesa… Depois, veio com nova versão também enganadora para explicar
“que no momento não sabia”.
Tomou conhecimento depois? Porque não agiu contra? Porque se omitiu
tanto tempo, no período em que transpareceu o caso? Foi traída pelos
diretores que lhe apresentaram o relatório? Porque os manteve, e ainda
promoveu-os?
Esse contrato de compra da parte beneficiária dos belgas deu um
prejuízo de mais de US$ 1 bilhão. E fez pior, abalou e desacreditou a
empresa e seus executivos, por ser impossível encobrir uma transação
desse tipo.
Tal situação além de desastrosa é a ponta do iceberg que representa
somente 10% do seu volume; os 90% restantes oculto à vista traz no seu
interior impurezas que causarão maiores danos econômicos e políticos.
Só em desconfiar do que está por vir no desdobramento das
investigações mancha a administração da Petrobras e do PT-governo.
Degrada a direção da empresa, subverte a confiança na chefia da Nação e
profana a nacionalidade.
Então surgem pífias explicações e justificativas ordinárias e
desprezíveis. Lemos nas entrevistas dos hierarcas do PT e do Ministério
Dilma e nas mensagens da Rede Social a má qualidade dos argumentos que
intentam asilar as tristes figuras do drama pátrio.
Para os escribas e fariseus hipócritas, os críticos e os que exigem o
aprofundamento das investigações são maus brasileiros que querem
manchar a Petrobras e destruí-la. São incapazes de ver que os ‘bons
brasileiros’ que defendem, privatizaram a Petrobras em proveito próprio;
infiltraram-se nas diretorias e se apossaram dela, que perdeu R$ 200
bilhões nos 12 anos de PT-governo e despencou no ranking das grandes
empresas do mundo do 12º lugar para a 112ª posição.
Os que querem impedir uma punição exemplar dos causadores da tragédia
nacional, são os mesmos que defendem o marco civil para censurar a
internet e enterrar a CPI convocada pelos senadores.
A Petrobras que levou multidões às ruas em sua defesa nas
manifestações d’ “O petróleo é nosso”, dos sonhos do meu pai e da minha
adolescência, é o desenho de um logotipo e um nome no papel… Pertence
hoje aos partidos que estão no poder com o PT à frente, e os pilantras
que militam neles… Favorecendo-os, elevando-os e enriquecendo-os.
Vejo, como patriota, que à pergunta “A Petrobras é nossa?” a resposta pronta e resoluta é: “A Petrobras é deles”.



