21.2.14

FOI O ATO PELA INTERVENÇÃO CONTRA O AUMENTO DAS PASSAGENS E A CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS. LEI ANTITERROR: “REPUDIAMOS ESSA AFRONTA AUTORITÁRIA”

DANIEL MAZOLA –

Faltam 7 dias para o Carnaval, mas o Rio de Janeiro ainda não caiu na folia, segue a luta contra o aumento das passagens na Cidade! Ontem, mais uma vez foram ocupadas as ruas do Centro do Rio numa atividade de intervenção popular. 

Seguindo a decisão da plenária realizada no dia 18/02, panfletos informativos foram distribuídos durante e antes do Ato, convidando-os a voltar às ruas contra o aumento das passagens e a criminalização dos movimentos sociais, na próxima terça-feira, 25/02. 

Os manifestantes se dividiram em três grupos, circularam por locais estratégicos do Centro: Praça XV, Cinelândia e Avenida Presidente Vargas. A maior parte dos policiais do Choque e alfanuméricos estavam concentrados pela Rua Uruguaiana. Cerca de 150 manifestantes, seguiram pela Avenida Presidente Vargas em direção à Rua Primeiro de Março.

“Ô motorista, ô cobrador, me diz aí se seu salário aumentou
  ”. Além dos gritos contra o aumento da passagem, os manifestantes cantavam contra a Copa e o governador Sérgio Cabral e pediam o fim da PM. A Polícia acompanhava tudo pelas laterais e atrás do Ato. 

Catracaço frustrado na Praça XV

Essa semana foi aprovado o aumento da passagem da barca de R$ 4,50 para R$ 4,80, contrariando o que tinha sido afirmado pelo desgoverno cabralzinho no começo do ano. O que mais se cantava era: "Vamos ver quem manda no busão: trabalhador unido ou o bolso do patrão!".

O Ato reafirmou e reforçou que é contra o aumento não só do ônibus, mas também das barcas, do metrô e da SuperVia. E também lembrou que é contra os policiais que torturam, em especial aos que mataram o p
edreiro Amarildo. A maioria dos policiais que acompanharam o Ato estavam sem identificação. Não podem, porque ainda se escondem?

Na estação das Barcas, houve uma tentativa de pular as catracas, o catracaço, mas dessa vez a tentativa durou pouco tempo, poucos conseguiram, logo foi frustrada pela ação da polícia. Já na estação Araribóia, em Niterói, onde também houve uma manifestação, muitos conseguiram pular a catraca. A força policial que acompanhou a manifestação foi intensa e numerosa, o Choque, inclusive, se fez presente desde o início do Ato.

O número de policiais superou a quantidade de manifestantes nesse Ato, foram muitos, centenas. Quem participou do Ato cantou, ironicamente, que a PM aderiu ao movimento das ruas, devido à presença ostensiva da mesma. Quando já eram 19h50, os manifestantes começaram a sair da estação das Barcas e seguiram para as escadarias da Alerj.

Após os manifestantes passarem em frente à sede da Fetranspor, onde uma picape do Choque se encontrava fazendo a segurança, o Ato seguiu pela Rua da Assembleia, até esquina com Av. Rio Branco. Algumas pessoas piscavam a luz dos prédios em apoio ao protesto. 

Por fim, cerca de 50 manifestantes bastante animados seguiram pela Rua Visconde de Rio Branco até a Gafieira Elite, onde houve uma palestra sobre a proibição do uso de máscaras nas manifestações do Rio de Janeiro. A poucos metros da Praça Tiradentes, a PM realizou a primeira revista da noite.

E, mesmo após um Ato tranquilo, que culminou na adesão de dezenas de manifestantes ao debate sem violência na Gafieira Elite, a Polícia permaneceu em peso do lado de fora da casa.

Anota aí! A próxima plenária do Fórum de Lutas contra o aumento da passagem está marcada para 24/02 (segunda-feira), às 18h, no salão nobre do IFCS (Largo de São Francisco). Amanhã vai ser maior!

Violência é a tarifa

Cabralzinho, Paes e os empresários de transporte movem uma campanha de criminalização do movimento social, seja através da perseguição política ou da agressão midiática. É o velho Estado aliado das elites, utilizando o instrumento da repressão para que não haja protestos contra os abusivos aumentos nas passagens.

O modo de atuar do governador e do prefeito representa um ataque aos usuários desse péssimo sistema de transporte coletivo. E atacam ainda mais diretamente os que resolveram se erguer e usar a rua como espaço de exercício político. A redução das tarifas em Junho de 2013, é o símbolo mais forte da força vinda das ruas. Por isso defender a redução das tarifas, é lutar por uma nova e real perspectiva de sociedade, é avançar na luta popular e de massas.

Sendo assim, fica a convocação, o chamado novamente para todos os grupos, indivíduos e coletivos a se juntarem nesta luta, no dia 25/02 às 9h da manhã, saindo da Prefeitura. Será o novo Ato. Toda a população precisa voltar às ruas, milhões de indignados precisam mostrar para esse desgoverno que VIOLÊNCIA É A TARIFA, e que não aceitaremos mais abusos contra o direito de ir e vir. Às ruas!

Primeira audiência do caso Amarildo

Os 25 policiais militares acusados de tortura e desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo, em julho do ano passado, começaram a ser ouvidos ontem (20). A audiência de instrução e julgamento ocorreu no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), no Centro.

O Ministério Público arrolou 19 testemunhas de acusação e 20 foram indicadas pela defesa. Os policiais envolvidos no caso respondem pelos crimes de tortura, ocultação de cadáver, fraude processual, omissão imprópria e formação de quadrilha.

Amarildo desapareceu após ser levado por policiais militares para a sede da Unidade de Polícia PACIFICADORA (UPP) em julho do ano passado, para averiguação de envolvimento com o tráfico. Até hoje Amarildo é lembrado em todas as manifestações populares. “Cabral, cadê o Amarildo?”, ainda é uma das palavras de ordem nas ruas do Rio.

A denúncia, apresentada pelo Ministério Público, aponta que o tenente Luiz Medeiros, o sargento Reinaldo Gonçalves e os soldados Anderson Maia e Douglas Roberto Vital torturaram o ajudante de pedreiro. Outros policiais militares, entre eles o major Edson Santos, antigo comandante da UPP da Rocinha, são acusados de fazer vigília da base, no momento do ato, e de serem omissos, por não terem impedido a tortura.

O projeto da UPP foi "construído" dentro de uma estratégia militar de ocupação de territórios que se assemelha a operações de guerra, é a política do enfrentamento. Com delegacia nova e UPP, o tráfico continua atuando na Rocinha, os varejistas do “movimento” continuam lá. Que estratégia é essa? A população não quer acordos velados, e projetos eleitoreiros. Quantos Amarildos ainda morrerão por culpa dessa política canalha?

Projeto creche Vila Autódromo

Em dezembro do ano passado a Vila Autódromo ganhou o prêmio internacional de urbanismo Urban Age Award por seu Plano Popular. O prêmio é resultado da luta de mais de 20 anos dos moradores da Vila Autódromo pelo direito à moradia.

Com o prêmio de 80mil dólares, os moradores decidiram reformar a Associação de Moradores e construir uma creche no local. Através de assembleias, decidiram o programa da creche e a equipe de assessoria ao Plano Popular (ETTERN/IPPUR e NEPHU/UFF), que elaborou o projeto.

O projeto será submetido aos moradores, e a arquitetos convidados, para que avaliem e opinem, para chegarem ao um desenho final, que será construído.

Todos os apoiadores da Vila Autódromo estão convidados a participarem da atividade, que acontecerá no próximo domingo na comunidade. Será uma oficina, de apresentação do projeto, seguida de debate e propostas, com convidados, e com a comissão de moradores que acompanha passo a passo o desenvolvimento da proposta.

Será no próximo domingo, 23 de fevereiro, das 10h às 16h, na Associação de Moradores da Vila Autódromo.

Lei antiterror: “Repudiamos essa afronta autoritária”

Interesses colossais vêm forçando uma série de justificativas para que o Congresso aprove a chamada lei antiterror. Sendo assim, nos manifestamos através de NOTA PÚBLICA:

Comissão da Associação Brasileira de Imprensa condena tentativa parlamentar de impor legislação que atinge movimentos sociais.

A Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da ABI, considera uma afronta à democracia a tentativa de parlamentares em apresentar projeto de lei autoritário, que eles consideram de combate ao terrorismo, mas que na prática tem o objetivo claro de atingir os movimentos sociais e as justas manifestações populares.

A Comissão também lamenta o tipo de cobertura dos meios de comunicação tradicionais, que na prática serve a interesses conservadores, em nada diferente de tempos passados que levaram o país a um retrocesso a partir de abril de 1964.

O combate a eventuais excessos não necessita de legislação especial, até porque existe já uma legislação penal capaz de coibi-los.

A Comissão da ABI exorta as autoridades e os meios de comunicação a investigarem com rigor, sem manipulações, quem são os verdadeiros responsáveis pelos excessos apresentados com destaque nas coberturas jornalísticas e que demonizam as manifestações populares.

Rio de Janeiro, 18 de fevereiro de 2014.
Mario Augusto (presidente) 
Daniel Mazola (secretário)