DANIEL MAZOLA –
Faltam 7 dias para o
Carnaval, mas o Rio de Janeiro ainda não caiu na folia, segue a luta contra o
aumento das passagens na Cidade! Ontem, mais uma vez foram ocupadas as ruas do Centro
do Rio numa atividade de intervenção popular.
Seguindo a decisão da plenária realizada no dia 18/02, panfletos informativos foram distribuídos durante e antes do Ato, convidando-os a voltar às ruas contra o aumento das passagens e a criminalização dos movimentos sociais, na próxima terça-feira, 25/02.
Os manifestantes se dividiram
em três grupos, circularam por locais estratégicos do Centro: Praça XV,
Cinelândia e Avenida Presidente Vargas. A maior parte dos policiais do Choque e alfanuméricos estavam concentrados
pela Rua Uruguaiana. Cerca de 150 manifestantes, seguiram pela Avenida
Presidente Vargas em direção à Rua Primeiro de Março.
“Ô motorista, ô cobrador, me diz aí se seu salário aumentou ♪ ♫”. Além dos gritos contra o aumento da passagem, os manifestantes cantavam contra a Copa e o governador Sérgio Cabral e pediam o fim da PM. A Polícia acompanhava tudo pelas laterais e atrás do Ato.
Catracaço frustrado na Praça
XV
Essa semana foi aprovado o
aumento da passagem da barca de R$ 4,50 para R$ 4,80, contrariando o que tinha
sido afirmado pelo desgoverno cabralzinho no começo do ano. O que
mais se cantava era: "Vamos ver quem
manda no busão: trabalhador unido ou o bolso do patrão!".
O Ato reafirmou e reforçou que é contra o aumento não só do ônibus, mas também das barcas, do metrô e da SuperVia. E também lembrou que é contra os policiais que torturam, em especial aos que mataram o pedreiro Amarildo. A maioria dos policiais que acompanharam o Ato estavam sem identificação. Não podem, porque ainda se escondem?
Na estação das Barcas, houve
uma tentativa de pular as catracas, o catracaço, mas dessa vez a tentativa
durou pouco tempo, poucos conseguiram, logo foi frustrada pela ação da polícia. Já na estação Araribóia, em Niterói, onde também houve
uma manifestação, muitos conseguiram pular a catraca. A força policial que acompanhou a manifestação foi
intensa e numerosa, o Choque, inclusive, se fez presente desde o início do Ato.
O número de policiais superou
a quantidade de manifestantes nesse Ato, foram muitos, centenas. Quem
participou do Ato cantou, ironicamente, que a PM aderiu ao movimento das ruas,
devido à presença ostensiva da mesma. Quando já eram 19h50, os manifestantes começaram a sair da estação
das Barcas e seguiram para as escadarias da Alerj.
Após os manifestantes passarem em frente à sede da Fetranspor,
onde uma picape do Choque se encontrava fazendo a segurança, o Ato seguiu pela
Rua da Assembleia, até esquina com Av. Rio Branco. Algumas pessoas piscavam a
luz dos prédios em apoio ao protesto.
Por fim, cerca de 50 manifestantes bastante animados seguiram pela Rua Visconde de Rio Branco até a Gafieira Elite, onde houve uma palestra sobre a proibição do uso de máscaras nas manifestações do Rio de Janeiro. A poucos metros da Praça Tiradentes, a PM realizou a primeira revista da noite.
E, mesmo após um Ato
tranquilo, que culminou na adesão de dezenas de manifestantes ao debate sem
violência na Gafieira Elite, a Polícia permaneceu em peso do lado de fora da
casa.
Anota aí! A próxima plenária
do Fórum de Lutas contra o aumento da passagem está marcada para 24/02
(segunda-feira), às 18h, no salão nobre do IFCS (Largo de São Francisco).
Amanhã vai ser maior!
Violência é a tarifa
Cabralzinho, Paes e os
empresários de transporte movem uma campanha de criminalização do movimento
social, seja através da perseguição política ou da agressão midiática. É o
velho Estado aliado das elites, utilizando o instrumento da repressão para que
não haja protestos contra os abusivos aumentos nas passagens.
O modo de atuar do governador e do prefeito representa um
ataque aos usuários desse péssimo sistema de transporte coletivo. E atacam
ainda mais diretamente os que resolveram se erguer e usar a rua como espaço de
exercício político. A redução das tarifas em Junho de 2013, é o símbolo mais
forte da força vinda das ruas. Por isso defender a redução das tarifas, é lutar
por uma nova e real perspectiva de sociedade, é avançar na luta popular e de
massas.
Sendo assim, fica a convocação, o chamado novamente para
todos os grupos, indivíduos e coletivos a se juntarem nesta luta, no dia 25/02
às 9h da manhã, saindo da Prefeitura. Será o novo Ato. Toda a população precisa
voltar às ruas, milhões de indignados precisam mostrar para esse desgoverno que
VIOLÊNCIA É A TARIFA, e que não aceitaremos mais abusos contra o direito de ir
e vir. Às ruas!
Primeira audiência do caso
Amarildo
Os 25 policiais militares
acusados de tortura e desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo, em
julho do ano passado, começaram a ser ouvidos ontem (20). A audiência de
instrução e julgamento ocorreu no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro
(TJ-RJ), no Centro.
O Ministério Público arrolou
19 testemunhas de acusação e 20 foram indicadas pela defesa. Os policiais
envolvidos no caso respondem pelos crimes de tortura, ocultação de
cadáver, fraude processual, omissão imprópria e formação de quadrilha.
Amarildo desapareceu após ser
levado por policiais militares para a sede da Unidade de Polícia PACIFICADORA
(UPP) em julho do ano passado, para averiguação de envolvimento com o tráfico.
Até hoje Amarildo é lembrado em todas as manifestações populares. “Cabral, cadê
o Amarildo?”, ainda é uma das palavras de ordem nas ruas do Rio.
A denúncia, apresentada pelo Ministério Público, aponta que o tenente Luiz Medeiros, o sargento Reinaldo Gonçalves e os soldados Anderson Maia e Douglas Roberto Vital torturaram o ajudante de pedreiro. Outros policiais militares, entre eles o major Edson Santos, antigo comandante da UPP da Rocinha, são acusados de fazer vigília da base, no momento do ato, e de serem omissos, por não terem impedido a tortura.
O projeto da UPP foi
"construído" dentro de uma estratégia militar de ocupação de
territórios que se assemelha a operações de guerra, é a política do
enfrentamento. Com delegacia nova e UPP, o tráfico continua atuando
na Rocinha, os varejistas do “movimento” continuam lá. Que estratégia é essa? A
população não quer acordos velados, e projetos eleitoreiros. Quantos Amarildos
ainda morrerão por culpa dessa política canalha?
Projeto creche
Vila Autódromo
Em dezembro do ano passado a
Vila Autódromo ganhou o prêmio internacional de urbanismo Urban
Age Award por seu Plano Popular. O
prêmio é resultado da luta de mais de 20 anos dos moradores da Vila Autódromo
pelo direito à moradia.
Com o prêmio de 80mil
dólares, os moradores decidiram reformar a Associação de Moradores e construir
uma creche no local. Através de assembleias, decidiram o programa da creche e a
equipe de assessoria ao Plano Popular (ETTERN/IPPUR e NEPHU/UFF), que elaborou
o projeto.
O projeto será submetido aos
moradores, e a arquitetos convidados, para que avaliem e opinem, para chegarem
ao um desenho final, que será construído.
Todos os apoiadores da Vila
Autódromo estão convidados a participarem da atividade, que acontecerá no
próximo domingo na comunidade. Será uma oficina, de apresentação do projeto,
seguida de debate e propostas, com convidados, e com a comissão de moradores
que acompanha passo a passo o desenvolvimento da proposta.
Será no próximo domingo, 23
de fevereiro, das 10h às 16h, na Associação de Moradores da Vila Autódromo.
Lei antiterror: “Repudiamos
essa afronta autoritária”
Interesses colossais vêm
forçando uma série de justificativas para que o Congresso aprove a chamada lei
antiterror. Sendo assim, nos manifestamos através de NOTA PÚBLICA:
Comissão da Associação
Brasileira de Imprensa condena tentativa parlamentar de impor legislação que
atinge movimentos sociais.
A Comissão de Defesa da
Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da ABI, considera uma afronta à democracia
a tentativa de parlamentares em apresentar projeto de lei autoritário, que eles
consideram de combate ao terrorismo, mas que na prática tem o objetivo claro de
atingir os movimentos sociais e as justas manifestações populares.
A Comissão também lamenta o tipo de cobertura dos meios de comunicação tradicionais, que na prática serve a interesses conservadores, em nada diferente de tempos passados que levaram o país a um retrocesso a partir de abril de 1964.
O combate a eventuais excessos não necessita de legislação especial, até porque existe já uma legislação penal capaz de coibi-los.
A Comissão da ABI exorta as autoridades e os meios de comunicação a investigarem com rigor, sem manipulações, quem são os verdadeiros responsáveis pelos excessos apresentados com destaque nas coberturas jornalísticas e que demonizam as manifestações populares.
Rio de Janeiro, 18 de fevereiro de 2014.
Mario Augusto (presidente)
Daniel Mazola (secretário)



