HELIO
FERNANDES –
Fui o primeiro a falar que o Maranhão deveria sofrer
intervenção, Roseana processada, investigada, indiciada, fora do governo. Citei
quem podia ou devia representar o povo do estado contra as bandalheiras, o
descaso e o desprezo da filha de Sarney pelo povo.
Mas deixei bem claro, numa frase que se confirmou: “Ninguém
tomará providencias, o ex-presidente é um homem incomum”.
Agora, começam a falar em impeachment para resolver os
crimes do Maranhão. Se não conseguiram intervenção, impeachment então, miragem
ou forma de iludir e enganar o povão. A Assembléia do Maranhão tem 42
deputados. Para aprovar essa medida e deixar Dona Roseana fora do palácio, como
moradora de rua, são necessários 28 votos.
Em
toda a História do Brasil, só um impeachment de governador
Os governadores assumem muitas vezes com minoria na
Assembléia, no dia seguinte, não demora mais do que isso, já dominam
completamente os deputados. (Royalties para Maluf, em menos de 24 horas, já
malufara completamente a Assembléia). Antes de votar um possível mas
imprevisível impeachment, a Assembléia em peso, com as mínimas exceções de
praxe, já terão conversado com Sarney e a filha.
O
impeachment do governador das Alagoas
Contrariou a Assembléia, não quis distribuir os favores
habituais, os privilégios de sempre, resolveram derrubá-lo. Seu nome, Muniz
Falcão. Lutou, mas o grupo já decidira, o impeachment. Falcão saiu, recorreu ao
Supremo Tribunal Federal. 11 meses depois, ganhava, o Supremo determinou que
voltasse ao cargo. Voltou, cumpriu o resto do mandato.
Depois só outro impeachment, o de Collor, acreditou que
seu líder, Renan, era confiável.
Apenas um governador em 125 anos de República. Dona
Roseana não será a segunda. Só sairá “intervencionada”, usemos a palavra certa:
escorraçada.
“Prefiro
morrer a ir para uma dessas penitenciárias”
Essa frase é de José Eduardo Cardozo, pronunciada logo
no início do governo. Queria ser Ministro do Supremo, foi para o Ministério da
Justiça, muitos personagens ocuparam os dois cargos, na ida ou na volta.
Encurralado no começo do trabalho, tendo que examinar
questões a respeito de presos e de penitenciárias, retumbou essa frase,
perfeita.
Não
vai morrer, conheceu uma penitenciária
E logo a pior de todas, (qual delas se salva?) esse
amaldiçoado complexo de Pedrinhas. Confessou a íntimos: “Não pensei que fosse
tão terrível e assustador”. É verdade.
Não pode fazer intervenção, mas estava obrigado a um
relatório exclusivo e confidencial para Dona Dilma. Fez, entregou em mãos, não
se surpreendeu com o horror que viu nos olhos da presidente. Só que não
acontecerá nada, por três motivos.
1 – É ano eleitoral, quem quer “adivinhar” os possíveis
estragos? 2 – A situação não faz, a oposição não cobra. Estão na mesma campanha
eleitoral. 3 – Acima de todos eles, está o incomum servidor da ditadura, feito
presidente como se isso fosse um exercício de democracia.
Está a 43 anos no senado, excluídos naturalmente os 5
anos da “presidência”, sem povo, sem voto, sem urnas.
João
Paulo Cunha e o Congresso, esperam
Voltou o sofisma ou o falso pragmatismo, “da crise
entre poderes”. O ex-presidente da Câmara leu nos jornais e viu nas televisões,
que ia ser preso. Ficou preparado. E convencido que iria preso imediatamente,
declarou: “Não renunciarei ao mandato, sou deputado eleito, só a Câmara pode
cassar meu mandato”.
O presidente da Câmara aceitou a afirmação, convocou a
Mesa da Câmara para decidir. Em fevereiro, assim que acabar o recesso,
examinarão se um cidadão pode ser excelência durante o dia, de terno e gravata,
e à noite, presidiário, até mesmo de “tornozeleira” e não a de atletas.
Barbosa
esqueceu a chave do carro, tudo parado
Saiu de férias, “esqueceu” de assinar o mandado de
prisão do único deputado a ser preso depois de ocupar esse cargo. E se a
Câmara, pela sua cúpula, decidir: “Só quem pode cassar mandatos é o
Congresso?”. Não haverá “choque de poderes”, alguns apostam nisso.
Cármen
Lúcia tem razão, não preside o Supremo
Como o Judiciário está em recesso, os Ministros de
férias, um deles fica de plantão. Joaquim Barbosa e Lewandowski saíram, quem
responde apenas pelas questões que surgirem, é Cármen Lúcia. Lúcida,
interpretando muito bem, soube estabelecer a diferença e decidir: “Essa questão
do João Paulo Cunha e da sua prisão, é do relator e não dá presidente
eventual”.
Cármen
Lúcia será presidente do Supremo, eleita em 2016
O mandato de Joaquim Barbosa termina em novembro deste
2014. Passa o cargo a Lewandowski, que assume com Cármen Lúcia de vice. Em
novembro de 2016, sua presidência termina, a vice é eleita. Rodízio é assim. Se
for reeleita, Dona Dilma terá que preencher quatro vagas, talvez cinco. Isso,
normalmente. No Supremo ninguém é presidente duas vezes.
O
Ministério da Educação, intervem na Gama Filho e na UniverCidade
Justíssima a decisão só que demorou muito. Milhares de
alunos foram prejudicados, funcionários, o excelente centro médico da Gama
Filho, desativado. Salários atrasados, mas os “donos” recebendo em dia, e
desperdiçando o dinheiro.
Agora praticamente falidas, aparecem como sendo
propriedade de um estranho grupo Galileu. O Ministério justificou a medida pela
baixa, baixíssima incapacidade das duas instituições. Elas estavam no auge
quando foram compradas.
Acusações
de O Globo
Há mais de três meses o jornal denunciou os escândalos,
e revelou: “A Gama Filho foi comprada pelo grupo Galileu, de propriedade de
advogados”. Agora, dizem que recorrerão à Justiça. Fácil, são advogados. E as
denúncias do Globo, de que estão respondendo a oito processos por crimes
financeiros?
A intervenção, aplausos para o Ministério da Educação.
Quanto aos crimes, deveriam ser investigados pela OAB, esse estranho grupo
Galileu esconde advogados ricos e pretensamente poderosos. E não esquecer que
compraram o patrimônio da UniverCidade, desbarataram tudo.
O
Grupo Galileu, mente e se desmente
Na impossibilidade de destruir as acusações e de
intervenção, (descredenciamento) do Ministério da Educação, o grupo Galileu,
cujo proprietário é um advogado, revoltado (?) publica esta nota, na íntegra e
textual: “Trata-se de decisão injusta e arbitrária, que leva o caos a duas das
mais tradicionais e respeitáveis instituições do ensino superior do Rio”.
Conheço
a Gama Filho, desde que foi fundada
O Ministro Gama Filho (presidente do Tribunal de
Contas) foi um abnegado, construiu essa Universidade, fazendo uma revolução no
ensino e até mesmo geograficamente no subúrbio. Fomos muito amigos, o bairro da
Piedade se transformou numa realidade, por causa dele.
Freqüentei muito sua casa na Barão de Mesquita, bem
antes do DOI-Codi se localizar nessa rua.
Concordo
com os advogados do Galileu
Antes deles se apossarem da Universidade, a Gama Filho,
era séria, competente, formou dezenas e dezenas de milhares de estudantes.
Agora, a falência, a falta de credibilidade e a imprudência, marcas do grupo
Galileu.
E
o Ministério Público, não investiga o Grupo Galileu?
Esse Galileu tem patrimônio para repor todos os
recursos que desviou da Gama Filho e da UniverCidade. Mais de 10 mil alunos,
alguns que iriam se formar no final do ano passado, não sabem o que fazer.
Não completaram o curso, não podem estagiar ou
trabalhar. Os que ainda não terminaram os cursos, podem ir para outras
universidades. Mas precisam de documentos, o Grupo Galileu diz, “não podemos
fornecer, as universidades estão fechadas”. Por falta de pagamento de
professores, médicos, funcionários.
Universidade
fechada, grupos de fachada
Quando transitava no Congresso a chamada PEC 37, que
tirava os poderes do Ministério Público, fui dos primeiros a combater essa
retaliação. Que acabou derrubada pelo povo nas ruas. Agora é preciso investigar
quem está por trás desse estranho Grupo Galileu.


