EMANUEL CANCELLA -
Fui funcionário concursado da Petrobrás, onde trabalhei por 42 anos, hoje sou aposentado. Fui sindicalista e sempre um defensor incansável da Empresa.
Mas aprendi com um dos ícones na luta em defesa da Petrobrás, a saudosa médica Maria Augusta Tibiriçá, em seu livro O Petróleo é Nosso, onde ela escreveu que a luta do petróleo não termina nunca. A história confirma isso e a Petrobrás nunca esteve tão ameaçada como agora!
Moro, em 2006, participou do Mensalão como assistente da ministra Rosa Weber. Daí saiu a condenação do ministro José Dirceu, do PT, com um parecer que entrou para história dos absurdos jurídicos: “Não tenho prova cabal contra Dirceu – mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite” (2).
E Lula, não por acaso, foi condenado e preso a partir de uma denúncia totalmente sem provas, apenas com base em convicção, pelo mesmo juiz Moro (8).
E o mensalão tucano, mesmo sendo anterior ao mensalão do PT, está prescrevendo sem julgamento (3).
Achei no mínimo estranho o surgimento da operação Lava Jato, em março de 2014, chefiada pelo juiz Sérgio Moro.
Primeiro porque Moro fora premiado pela Globo, inimiga nª 1 da Petrobrás. A Globo, junto com FHC, tentou sem sucesso, na década de 90, privatizar a Petrobrás. Assim, na época, a emissora comparava a Petrobrás a um paquiderme e chamava os petroleiros de marajás.
Mas a grande resposta da Petrobrás e dos petroleiros veio com o desenvolvimento de tecnologia inédita no mundo que permitiu a descoberta do pré-sal. Mas a Globo não deu o braço a torcer e, em dezembro de 2015, em editorial escreveu: “O pré-sal pode ser patrimônio inútil” (5).
Desconfiei também porque Moro foi o juiz que chefiou a investigação do Banestado. Segundo o ex-senador Roberto Requião, o Banestado foi a mãe de todos os escândalos, pois surripiou meio trilhão de reais dos cofres públicos, um escândalo exclusivamente tucano e nenhum deles foi preso (1).
Mais um fato estranho. Na Lava Jato, também chefiada por Moro, nenhum tucano foi preso. O tucano Aécio Neves, o recordista em delação na Lava Jato, é o grande exemplo da cumplicidade da Java Jato com os tucanos (6).
O livro que fiz não é uma biografia é um pouco da trajetória do juiz e nunca será um best seller, mas tem algumas peculiaridades. Custou ao autor duas intimações do MP a pedido do juiz Sergio Moro.
Uma das intimações foi na véspera do lançamento. E o livro saiu. O MP alega possíveis ataques à honra do funcionário público, no caso, a do juiz Sergio Moro.
O livro não visa ao lucro, já que a renda é voltada exclusivamente para os demitidos da Lava Jato e foi totalmente custeado pelo autor. Três lotes de sextas básicas já foram entregues a esses trabalhadores (9).
E, nesses tempos tão raros de ícones no jornalismo, a jornalista Fátima Lacerda doou seu pró-labore para a causa do livro. Fátima Lacerda, que já trabalhou entre outras empresas de comunicação, na Globo, e foi candidata do PT a prefeita Niterói, na verdade, é a mãe do livro, pois sem ela, o livro não existiria.
Nas principais livrarias, vários obras exaltam o juiz Sergio Moro. O meu é dos poucos que critica o juiz de forma direta e com fatos.
Vale lembrar que o autor em novembro de 2016 denunciou ao MPF a lava Jato por omissão a gestão criminosa dos tucanos, FHC e Pedro Parente na Petrobrás, até hoje sem resposta (10).
O fato de o Ministério Público me intimar, na véspera do lançamento do livro, num claro intuito de impedi-lo, não me parece uma atitude digna do órgão tido como fiscal da lei (7)!
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