Via SINPOSPETRO-RJ -
Em resposta a greve dos caminhoneiros, que acabou derrubando
o presidente-entreguista da Petrobras Pedro Parente - responsável pela nefasta
política de preços dos combustíveis -, o Conselho Administrativo de Defesa
Econômica (CADE) divulgou propostas para reduzir o valor dos combustíveis,
entre as quais a adoção do autoatendimento (self-service) nos postos. Isso
acarretaria no envenenamento de milhões de pessoas, gerando um
prejuízo incalculável pela exposição ao benzeno (presente nos combustíveis) que
em longo prazo é responsável por doenças como o câncer. Tamanha
irresponsabilidade também geraria 500 mil novos desempregados em
todo o Brasil, afetando até 2 milhões de pessoas.
Nos últimos dias, constatamos filas enormes em postos de
combustíveis, algumas pessoas pagando bem mais caro pelo combustível (em função
da demanda e do oportunismo de empresários) e com dificuldade em se locomover nas
ruas e estradas por falta do produto, mas pouco tem se comentado sobre os
prejuízos à saúde que uma substância chamada benzeno, pode causar.
A gasolina contém benzeno, que é um composto comprovadamente
cancerígeno para humanos, que pode causar, por exemplo, alterações auditivas. A
exposição ao benzeno, por suas características toxicológicas levam a alterações
neurológicas, como dores de cabeça, náuseas, irritação das mucosas
respiratórias e oculares, danos no sistema nervoso, irritação do sistema
nervoso central, irritação da pele. Esses sintomas são chamados de benzenismo.
O SINPOSPETRO-RJ, a Federação Nacional dos Frentistas e
outros sindicatos da categoria por todo o país, promovem campanhas periódicas
alertando os trabalhadores em postos de combustíveis sobre os riscos de lidar
com substâncias tóxicas devido aos componentes destes produtos. Essas ações sindicais são
extremamente necessárias para esclarecer os trabalhadores de como devem
proceder para preservar à saúde e evitar acidentes ao abastecer veículos. Vale destacar que é necessário cursos de capacitação para realizar o manuseio de bomba de combustível, seguindo as NRs (Normas Regulamentadoras) e usar EPI (Equipamento de Proteção Individual, definido pela Norma Regulamentadora nº 06 do Ministério do Trabalho) que a população não está capacitada.
Agora imagine uma sociedade como a nossa sem frentistas,
serão literalmente duas tragédias, desemprego e doença em massa (além do risco
de acidentes), é uma afronta criminosa proporem isso como parte da solução. O
contato direto com combustíveis caracteriza atividades de alto risco. A
exposição crônica ao benzeno (que significa baixas concentrações por longos
tempos) pode levar a alterações do sistema sanguíneo e na medula óssea, no
sistema imunológico, alterações no DNA que podem levar a cânceres como a
leucemia.
Em 2011, o trabalhador frentista Gilberto Filiu morreu, em
Dourados, Mato Grosso do Sul, vítima da exposição ao benzeno. O atestado de
óbito comprova que o frentista apresentou exposição ocupacional ao benzeno
durante 29 anos e morreu devido à insuficiência hepática, agravada pela
intoxicação crônica ao benzeno (benzenismo). É importante frisar que essa
exposição afeta a todos, independente da posição, da profissão, da diferença de
classe, de gênero. E além dos trabalhadores expostos, na cadeia produtiva do
petróleo, como os postos de combustíveis e refinarias, também existe uma
exposição ambiental que expõe as populações no entorno.
LUTA - Desde
o ano de 2009, a diretoria do SINPOSPETRO-RJ luta para melhorar as condições de
saúde e segurança nos postos de combustíveis. Em 2010, o sindicato firmou uma
parceria com a Fundação Osvaldo Cruz, FIOCRUZ para a realização da pesquisa
“Avaliação da exposição ocupacional ao benzeno em postos de combustíveis no
Município do Rio de Janeiro: uma abordagem integrada para as ações de
vigilância em saúde”. A parceria segue até hoje e, garante aos trabalhadores
que participam das pesquisas periódicas tratamento de saúde na FIOCRUZ.
* Daniel Mazola, assessoria de imprensa SINPOSPETRO-RJ



