Por LÚCIO FLÁVIO PINTO - Via blog do autor -
O governo federal iniciou o exercício de 2015 com o
compromisso, estabelecido em lei, de economizar 55,3 bilhões de reais para
pagar os juros – apenas os juros – da dívida pública. Só a da União chega a R$
3,8 trilhões. Anteontem, o Congresso Nacional autorizou o executivo a fechar as
contas do ano com déficit – recorde na história do Brasil – de R$ 120 bilhões.
É um número chocante. Põe fim à fantasia criada por Lula,
mantida e agravada por Dilma, de um Brasil próspero à custa de endividamento
público e privado sem limites, e de canais de vazamento do dinheiro do erário
que transformaram a administração estatal num queijo, cheio de buracos podres,
como os que a Operação Lava-Jato identificou e combate.
A sanidade fiscal chegou ao fim. No seu lugar, entram em
agitação máxima todos os malefícios de um governo que perdeu a capacidade
exigida de uma dona de casa, de equilibrar as despesas com as receitas e gerar
superávit para enfrentar os problemas acumulados, o lixo escondido debaixo do
tapete no consulado de Lula – e para eleger Dilma sua sucessora.
A estabilidade da moeda está sob grave ameaça, ameaça que
vem, sobretudo, pelo desequilíbrio fiscal (com rombo de R$ 33 bilhões até
outubro) e os efeitos perversos da falta de credibilidade do governo, através
do monstro da inflação. O Brasil do Real pode ruir se a gestão estatal
continuar a ser incapaz de reverter o quadro de deterioração geral da economia.
E de acabar com sua demente irresponsabilidade.
Uma amostra grátis do que espera o Brasil foi exibida nos
últimos dias com a débâcle do setor público em função do corte extraordinário
que o governo precisou fazer nas suas despesas, de R$ 10,7 bilhões, para não
incorrer nas penas da Lei de Responsabilidade Fiscal, incluindo a
caracterização do crime de responsabilidade da presidência da república, que
lhe custaria o mandato.
Com a aprovação do ajuste fiscal no Congresso, essa ameaça
desapareceu. O governo vai achar que poderá retomar a irresponsabilidade
fiscal, na esperança de que o ajuste venha por inércia ou por alguma
predestinação de origem divina? Seria uma loucura. Mas quantas já não ficaram
para trás?
O grave momento que o Brasil passa a viver é ainda mais
onerado pela irresponsabilidade das elites políticas e empresariais, que fazem
seus bailes na ilha Fiscal indiferentes ao soar do relógio da história e ao
olhar atônito dos bestializados, mais uma vez.



