ALCYR CAVALCANTI -
"Quando piso em folhas secas, caídas de uma
Mangueira,
Penso na minha idade, e nos poetas da Estação
Primeira"
(Folhas Secas de Nelson Cavaquinho e
Guilherme de Brito).
Era um domingo de um distante
1973. Eu trabalhava no Correio da Manhã e por exigência contratual minhas
imagens eram também publicadas na Ultima Hora já administrada pela ARCA Editora
de Ari de Carvalho. Era um daqueles finais de semana em pleno governo militar
em que o grande assunto era sempre o futebol no Maracanã. Fui designado pelo
editor de fotografia o Milton Santos, para os amigos Miltinho Palavrão ,
bela e sensível figura humana, mas que sempre completava suas frases com um
sonoro palavrão. Para mim seria mais uma pauta comum, já que era para o UH
Revista o segundo caderno da Ultima Hora, uma pauta suave.
Fui acompanhar o jornalista José Carlos Rego, um
pesquisador de música popular, que também exercia as funções de chefe de
reportagem em algumas ocasiões. Mal sabia que seria uma tarde/noite
inesquecível, uma bela conversa entre amigos na casa do parceiro de Nelson,
Guilherme de Brito em Braz de Pina, conversa que começou às 14 horas e
estendeu-se até a madrugada num bate-papo sem fim regado a litros de whisky e
muita cerveja. Guilherme era o parceiro de todas as horas de Nelson desde
o lendário "Cabaré dos Bandidos" junto ao Teatro Recreio na Praça
Tiradentes.
A maioria das
composições da dupla Nelson/Guilherme nasceu na madrugada boemia. Uma das mais
famosas Flor e Espinho surgiu na noite do Cabaré
dos Bandidos onde os dois fizeram a letra sem que se saiba exatamente quem fez
a maior parte, Guilherme iniciou com o verso famoso "Tire o seu sorriso do
caminho, que eu quero passar com minha dor" e Nelson continuava.
Guilherme por sua timidez era avesso a entrevistas
e aos holofotes da fama e muitas composições famosas ficaram anos e anos na
gaveta, à espera do interesse de alguma gravadora. O trabalho foi
publicado em destaque na capa do Segundo Caderno da Ultima Hora, o UH Revista e
vai reproduzido na postagem.




