HELIO FERNANDES -
Em 1940, sem um tiro, Hitler tomou Paris, entrou como conquistador na cidade símbolo do mundo. Formados dois grupos, os “colaboracionistas” e os “resistentes”, estes liderados por Mitterrand, que seria depois duas vezes presidente pelo voto direto. De 1981 a 1988, daí a 1993, ia conquistar o terceiro mandato, veio o adversário invencível, o câncer, morreu sem a vitória.
Em 1941, o Marechal Petain, “herói” na Primeira guerra, “vilão” na Segunda, fugiu e organizou em Vichy um governo nazista. Nomeou Primeiro Ministro o ultra-comunista Pierre Laval, que acabaria como traidor, enforcado.
Nesse mesmo ano, no fim de 1941, Hitler foi pessoalmente a Paris, chamou o general comandante. Ordenou: “Destrua a cidade, quero ver Paris ardendo em fogo, não pode sobrar coisa alguma”. Naquela época a informação era precária, e ainda mais com todos os jornais e revistas fechados, só se ouviam e passavam para o exterior, sussurros e não informações.
(O Fígaro, Le Monde, Le Parisien, a maior revista do mundo, “Paris Match”, na qual eu com 13 anos já me acostumava a admirar o extraordinário fotografo, Cartier-Bresson, que depois republicaria muito na revista “O Cruzeiro”. Todos os jornalistas convocados).
O mundo, perplexo, se perguntava: “Paris está em chamas?”. Quase, mas ninguém sabia que o general-comandante nazista teve um momento de grandeza, desprendimento, generosidade, não acendeu a última centelha que destruiria aquilo que não poderia ser reconstruído.
Paris sobreviveu, Hitler muito longe, já estávamos em 1942, ele tentava avançar e conquistar a União Soviética, para implantar seu objetivo, que chamou de “Reich dos mil anos”. Mandava telefonar com insistência para Paris, as comunicações, precaríssimas, morreu sem saber que Paris estava cada vez mais viva.
Foi feito um filme maravilhoso, com o mesmo titulo da ordem de Hitler para o comandante: “Paris está em chamas?”. Com interrogação e tudo. Hoje, com um “clique”, apertando o “play” de um celular, Hitler destruiria esse templo do mundo.
*Em 5/12/2014.



