EMANUEL CANCELLA -
A mídia brasileira, na ocasião, também criou um clima de golpe com uma
série de acusações contra o governo de Getúlio, que denominavam “Mar de Lama”.
Getúlio Vargas foi o presidente que
industrializou o Brasil: criou a Petrobrás, Companhia Siderúrgica Nacional -
CSN, Vale do Rio Doce, a Fábrica Nacional de Motores, etc. Introduziu no Brasil
a CLT e os direitos dos trabalhadores, como férias e 13º salário.
A mídia brasileira, na ocasião, também criou um
clima de golpe com uma série de acusações contra o governo de Getúlio, que
denominavam “Mar de Lama”. A pressão foi tão violenta que Getúlio Vargas, no
dia 24/08/1954, suicidou-se com um tiro no peito, para evitar o
derramamento de sangue do povo, conforme carta testamento “Saio da vida para
entrar na história”. Com isso, as elites brasileiras, com apoio da mídia e
aliadas aos EUA, estancaram o ciclo desenvolvimentista do Brasil.
Depois do suicídio de Vargas, nada se falou do
“Mar de Lama” que, na verdade, era uma grande farsa que tinha o objetivo
concreto de destruir a era Vargas. Dez anos depois, em 1964, veio o golpe
militar no Brasil, financiado pelos EUA e com apoio de o Globo, que durou 21
anos.
Depois, na década de 90, os dois governos do
PSDB de Fernando Henrique Cardoso deixaram como única herança a privatização de
toda aquelas empresas criadas no governo de Getúlio Vargas. Tentaram, Globo e
PSDB, privatizar a Petrobrás, mas só conseguiram quebrar o monopólio estatal do
petróleo. Parte da saga entreguista de FHC e do PSDB é contada no livro
Privataria Tucana.
De 2003 a 2015, dando continuidade a era Vargas,
os quatro governos do PT fortaleceram a Petrobrás. Afastaram a ameaça de
privatização, retomaram a indústria naval, destruída por FHC. Desenvolveram
tecnologia inédita no mundo e descobriram o pré-sal. Com essa reserva de
petróleo está garantido nosso abastecimento de derivados de petróleo, pelo
menos nos próximos 50 anos. Só para se ter idéia da importância do pré-sal, os
EUA só têm petróleo para os próximos 3 anos, por isso fomentam as guerras no
mundo para se apoderar de petróleo alheio, como no caso do Iraque, Líbia, etc,
e conspiram principalmente contra os governos da Venezuela e Brasil.
Agora, ao invés do “Mar de Lama” de Getúlio, temos
contra Dilma e o PT a operação Lava Jato e as “Pedaladas”. Com essas armações e
notícias negativas veiculadas na mídia o tempo todo, contra o governo
Dilma e a Petrobrás, tendo à frente principalmente a Lava Jato e a Globo, visam
tão somente entregar nosso pré-sal para os gringos, principalmente os EUA. Toda
a sociedade é a favor da prisão de corruptos e corruptores mas tem que valer
para todos os escândalos: Zelotes, Swssileaks, Fifa e sonegação da Globo, a
investigação não pode ser só na Petrobrás.
Além dos royalties do petróleo do pré-sal
disponibilizar 50% para a educação e 25% para a saúde, que já estarão sendo
pagos em 2016, o pré-sal sozinho já está atingindo a produção de um milhão de
barris/dia.
Vale lembrar que a Petrobrás, com os impostos que
paga, financia 80% das principais obras do país, e o Brasil é o segundo parque
de obras do planeta só perdendo para China. Nessas obras financiadas pela
Petrobrás estão hidrelétricas e parques eólicos que produzem as chamadas
energias limpas e renováveis.
Com o suicídio de Vargas, houve uma comoção
nacional, será que só depois da entrega do nosso pré-sal, nosso passaporte do
futuro, o povo brasileiro vai se sensibilizar contra essa
farsa?
*Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos
Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional
dos Petroleiros (FNP).



