Por VINICIUS CAMARGO - Via APN -
É preciso conquistar mais direitos e garantias para o exercício cotidiano dos mesmos.
Os trabalhadores do
COMPERJ estão reivindicando os seus direitos já há dois ou três meses e nem a
negociação com a Alusa, ou com a Petrobrás, ou no Ministério Público e até
Decisão Judicial de Tribunal não resolveram a situação. Já fizeram greve,
manifestação na obra do Comperj, na Sede da Petrobrás, passeatas pelas ruas e
avenidas do Centro do Rio de Janeiro e não asseguraram um direito que, pela
lei, seria líquido e certo de quem trabalhou, que é receber o salário, e de
quem foi demitido, que é receber a rescisão. Imagine ficar sem o próprio
salário por três meses ou ser demitido e não receber sua rescisão? A situação piora
a cada dia. Sem renda, muitos passam dificuldades para manter a família. Mais
de mil famílias já começaram a ser despejadas e muitos sem ter para onde ir,
vivem nas ruas de Itaboraí ou contam com a solidariedade para não dormir na
rua. Um de seus cartazes é emblemático: “Papai cadê o meu biscoito?”.
Os direitos nasceram e
nascem da luta dos trabalhadores e do exercício de cada direito conquistado,
mas só são garantidos no dia-a-dia pela organização coletiva. A conquista ou a
perda de um direito estão ligadas à correlação de forças sociais, de um lado
trabalhadores, do outro lado patrões e governo. É como num cabo de guerra (e é
uma verdadeira guerra), dependendo do lado com mais força para puxar, direitos
são conquistados ou retirados. E os trabalhadores só tem força coletivamente,
como classe.
Os operários do COMPERJ
deram uma lição de coragem ao não se intimidar, que deve ser seguido por mais e
mais trabalhadores conforme a crise se aprofunda e, com isso, resistam aos
ataques por parte dos patrões e do governo. A situação demonstra, de forma
arrebatadoramente triste, como as empresas e a justiça podem mal lidar com a
vida dos trabalhadores e suas famílias, e como, em segundos, toda a lei
desaparece quando se trata de atender os direitos dos trabalhadores contra o
interesse dos ricos e poderosos.
Quando a crise aperta,
estas falsas instituições democráticas mostram sua verdadeira face, a de
superestrutura do Estado que tem como único fim impedir as manifestações e
garantir a exploração e a opressão dos trabalhadores pelos patrões, sob
administração do Governo. É preciso impedir que este tipo de coisa seja
permitido ou aceito. Só a ação coletiva e apoio de instituições dos
trabalhadores e suas manifestações garantirão a conquista do direito de cada
um.
Em situação de pobreza e
fome, vendo sua família lentamente se desfazer em tristeza e desesperança, com
os patrões que tanto lucraram às suas custas lhe dando as costas, com a justiça
lhe dando as costas, lutar e se manifestar é mais do que justo, é necessário. E
não só pela situação especificamente destes trabalhadores, mas por todos os
trabalhadores que são e serão atacados e aviltados para pagar pela crise criada
pelos patrões, até mesmo para quem momentaneamente é afetado por alguma dessas
manifestações.
Quem prejudica a
população é o ladrão e o corrupto. Trabalhadores que se manifestam por direitos
defendem a população toda, inclusive dos ladrões e corruptos. A coletividade, a
população, mais se beneficia do que é prejudicada por manifestações por direitos,
sejam para garanti-los ou os ampliar.
Quando um só trabalhador
se manifesta e luta pelos seus direitos contribui com todos os demais. E quando
muitos se manifestam e lutam por seus direitos fazem a humanidade avançar e
evoluir: assegurando mais direitos para mais pessoas e melhorando os próprios
direitos e as garantias para o exercício cotidiano dos mesmos.
Quem trabalha tem que
receber. Quem foi demitido tem que receber rescisão. E se isso não ocorre, é
necessário se manifestar, é necessário parar as vias, as pontes, parar o
Brasil, pois nosso silêncio é caminho aberto para mais ataques. Nesse sentido,
as lutas do COMPERJ contribuem para garantir o direito ao emprego para muitos
trabalhadores e famílias, não só deste empreendimento, mas do país. E o direito
ao emprego assegura o acesso a muitos dos outros direitos, até do direito de ir
e vir já que sem dinheiro não se passa nem na ponte Rio-Niterói.
* Vinicius é diretor do Sindipetro-RJ.



