CARLOS CHAGAS -
Frederico o Grande, da Prússia, era um monarca
absolutista, muitas vezes pouco esclarecido, fazedor de guerras, mas em
seu longo reinado manteve a liberdade de imprensa. Certa vez, passando
por uma viela no centro de Berlim, notou um pasquim mal afixado no muro,
cheio de vitupérios contra ele. Mandou parar a carruagem, fez o
cocheiro descer e colar aquele monte de acusações à sua pessoa num
local onde pudesse ser lido mais facilmente pelos transeuntes.
Completou depois com uma sentença que deixou os alemães perplexos: “meu
povo e eu chegamos a um acordo que nos satisfaz a ambos: eles podem
dizer o que lhes agrada e eu, fazer o que me agrada”…
Pelo jeito, será essa a postura da presidente Dilma para o segundo
mandato. Desembarcou da esdrúxula e radical proposta do PT para
regulamentar a mídia mas continuará sem fazer caso das criticas e
denúncias ao seu governo, que por sinal vem aumentando de ritmo. Muito
menos pautará suas iniciativas administrativas, políticas, econômicas e
sociais pelo que os meios de comunicação divulgam. Deve ter aderido ao
conceito de um de seus antecessores, o tonitruante general Ernesto
Geisel, que declarava ler os jornais não para informar-se, senão para
saber como o povo vinha sendo informado.
A presidente trás esse vício de origem desde os tempos em que militou
na subversão: despreza a mídia, duvida do noticiário, desconfia que por
trás de cada informação reside um objetivo oculto, ligado aos
interesses das elites e dos oligopólios. Pensa assim desde os tempos em
que preparava para Leonel Brizola resenhas semanais sobre o
comportamento da chamada grande imprensa. Apesar disso, não se dispõe a
seguir adiante na proposta de boa parte dos companheiros que pretendem
garrotear a imprensa. Prefere julgar-se acima e além do que se publica.
A nossa raínha Frederica, nem tão Grande assim, não chega a
concordar com meia dúzia de dondocas ligadas aos empreiteiros presos,
que na porta da cadeia agrediram os jornalistas, dizendo-os
condenados à mediocridade por não terem tido capacidade de estudar.
Mas é quase isso.
A HORA DO CHUMBO GROSSO
A nota oficial distribuída pelo Procurador Geral da República,
sábado, teve o dom de deixar os partidos e o Congresso de orelha em pé.
Rebatendo ilações de uma revista semanal que o acusava de entendimentos
pouco éticos com os empreiteiros, Rodrigo Janot parece ter deixado
claro estar por horas a divulgação da lista de políticos envolvidos no
escândalo da Petrobras. Tomara que essa impressão se confirme.



