Via Agência Jovem de Notícias -
O Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC)
aponta que eventos extremos relacionados ao clima são mais propensos a
acontecer caso a temperatura média da Terra continue aumentando.
“Você já parou para pensar
sobre como a nossa saúde é afetada pelas mudanças climáticas?”. Esta
pergunta foi feita aos transeuntes da COP20, a Conferência sobre
Mudanças Climáticas da ONU, durante a tarde quente desta terça-feira
(02), em Lima (Peru).
A responsável pelo questionamento é a jovem
estudante de medicina Maria Cisneros Cáceres, de 21 anos. Maria é
coordenadora regional da Federação Internacional de Associações de
Estudantes de Medicina (IFMSA) em seu país (Equador). A organização atua
em 116 países com o objetivo de criar lideranças globais na área de
saúde por meio de atividades em saúde pública, direitos humanos, saúde
reprodutiva e sexual e programas de intercâmbio profissionais e de
pesquisa.
Ao tentar chamar a atenção dos participantes da COP20,
Maria exemplifica diferentes problemas de saúde que poderiam ser gerados
pelas mudanças climáticas: “Digamos que estamos falando de uma moça que
vive no Leste Mediterrâneo, onde o clima já é muito quente. O que
poderia acontecer lá seria um número maior de pessoas morrendo por ondas
de calor. Na Alemanha, poderia haver problemas com alagamentos”.
O
Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC) aponta que
eventos extremos relacionados ao clima são mais propensos a acontecer
caso a temperatura média da Terra continue aumentando.
Podemos
considerar que fazem parte destes eventos as ondas de calor, inundações
costeiras provocadas pelo aumento do nível do mar e urbanas devido a
altos índices de chuva e pouca absorção da água pelo solo.
Outro
item citado pelo IPCC diz respeito à segurança alimentar, ou seja, o
mantimento da qualidade e quantidade de alimentos produzidos pela
indústria. Uma falta de segurança na oferta de alimentos e água poderia
ter impactos diretos na saúde.
Tais impactos vão desde os mais
óbvios, como a falta de água potável, que poderia levar as populações
mais pobres a beber água contaminada e contrair doenças, aos menos
imagináveis, como o aumento de temperatura da água do mar, que levaria
determinadas populações de peixes a migrarem para outras regiões e
provocar escassez de alimento, principalmente para comunidades que
dependem da pesca.
“São coisas sobre as quais não paramos para
pensar, mas sabemos que estão lá. Só precisamos conectar os fatores para
perceber que essas mudanças não acontecem por acaso”, reforça Maria
Cisneros.
Adaptação às mudanças no clima
Para
a prevenção destes fatores, cidades e governos podem adotar medidas de
adaptação às mudanças climáticas previstas por pesquisas científicas. O
estudante Malcolm Araos, da Universidade McGill do Canadá, aponta
algumas medidas de prevenção encontradas durante sua pesquisa de
Mestrado: “A cidade de Nova Iorque, por exemplo, planeja estas medidas à
muito tempo e tem buscado respostas mais rápidas em seus sistemas de
emergência (como corpo de bombeiros e atendimento emergencial em
hospitais) e criado mais espaços verdes. Enquanto que cidades como a
Cidade do Cabo, na África do Sul procuram a prevenção à inundações e a
diminuição da poluição no ar”.
O principal obstáculo apontado por
Malcolm na hora de implementar estas medidas está no campo financeiro e
de planejamento. “Geralmente as cidades não buscam se adaptar porque
suas instituições não têm capacidade para se engajar em iniciativas
deste tipo. São políticas caras de serem criadas”, explica.
O
IPCC deixa claro que para desenvolver medidas de adaptação efetiva, é
necessário envolver diferentes setores da sociedade (empresas, sociedade
civil e governo). Isto pode acontecer por meio do alinhamento entre
políticas públicas e incentivos, diálogo com comunidades locais mais
vulneráveis e governança preocupada com diferentes níveis de risco.



