4.12.14

Ativistas têm prisão decretada a 13 dias do julgamento no TJ-RJ



Os ativistas IGOR MENDES da Silva (nosso colaborador fixo), Elisa Quadros Pinto (conhecida como Sininho) e Karlayne Moraes da Silva Pinheiro (Moa) tiveram as suas prisões decretadas nesta quarta-feira (3) pelo juiz Flavio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal da capital fluminense. A alegação é que os três descumpriram decisão judicial ao participar de um protesto na Cinelândia, em frente à Câmara de Vereadores, em 15 de outubro, “de acordo com investigações da Polícia Civil”.

“O descumprimento de uma das medidas cautelares impostas aos réus em substituição à prisão demonstra que a aplicação das referidas medidas cautelares se mostra insuficiente e inadequada para garantia da ordem pública, tendo em vista que os acusados insistem em encontrar os mesmos estímulos para a prática de atos da mesma natureza daqueles que estão proibidos”, escreveu o juiz em sua decisão.

Durante o dia, Mendes foi intimado e preso pela polícia. Estudante de Geografia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), ele é um dos 23 manifestantes denunciados pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ) por terem, segundo a denúncia aceita pelo Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), terem formado uma quadrilha criminosa e participado de atos de vandalismo em protestos realizados em 2013 na capital.

Segundo o coletivo Frente Independente Popular, Mendes foi encaminhado ao Complexo Penitenciário de Bangu, onde aguardará o julgamento do caso, marcado para o dia 16 de dezembro. O grupo classifica a prisão como “política” em postagem veiculada no Facebook.

Karlayne e Sininho estão foragidas. Sininho, aliás, publicou que policiais civis estiveram durante várias horas em seu prédio, onde a esperavam para prendê-la. A ativista criticou a ação e disse estar “em segurança”, afirmando ainda que outros mandatos de prisão devem aparecer.

A defesa de Sininho e Mendes argumentou ao site G1 que considera os pedidos de prisão um ato de “terrorismo”. Já o Instituto de Defesa dos Direitos Humanos já estaria tentando reverter o pedido contra Karlayne. O advogado Marino D’Icarahy Junior, que representa Sininho e Igor, criticou a decisão: “É mais um ato que só confirma o terrorismo de estado que está sendo feito contra quem se manifesta politicamente neste país. Nós estamos trabalhando para dar uma resposta jurídica adequada para mais um fato de arbitrariedade do juiz da 27ª Vara Criminal. Nós vamos entrar com os recursos apropriados”, afirmou.

A mobilização de vários coletivos aponta que o suposto protesto do dia 15 de outubro, que motivou as prisões, teria sido na verdade um evento cultural, e não político. Assim, o argumento da detenção de quebra dos requisitos – dentre os quais estão o comparecimento em juízo e proibição de participar de manifestações – cairia por terra.

Em agosto, o desembargador Siro Darlan de Oliveira, da 7ª Câmara Criminal do Rio de Janeiro, havia concedido habeas corpus a todos permitindo que aguardassem ao julgamento em liberdade. Em sua decisão, Darlan afirmou que o pedido de habeas corpus dos ativistas foi acatado em razão de que “prisão cautelar é medida excepcional e deve ser decretada apenas quando devidamente amparada pelos requisitos legais”, o que “até o momento, não vislumbro plenamente demonstrados”.

Os coletivos de ativistas do Rio organizam uma série de manifestações para os próximos dias, começando por esta quinta-feira (4), em frente ao TJ-RJ.

O ativismo fluminense quer também a libertação do catador de lixo reciclável Rafael Braga Vieira, preso com um suposto 'Pinho Sol molotov' e que, apesar da falta de provas contundentes, permanece preso.