9.8.14

A DIPLOMACIA DO EMBARGO E DO AFAGO MUITA SANÇÃO E POUCA DALILA

HELIO FERNANDES -

O executivo da próxima Copa na Rússia, veio ao Brasil com ditador Putin. Não querendo apresentar o país como exemplo de ditadura, definiu assim o clima onde será disputada a próxima Copa: “Na Rússia não temos cultura de protestos”.

Dona Dilma não devia ter tocado no assunto. Mas em matéria de discursos, ideias e convicções, é incipiente. Elogiou a posição de Putin apoiando a Síria, e a permanência no poder do ditador Assad. E sua reeleição.

Imprudência-presidencial

Não precisava tratar do assunto. Como tratou, ficou em situação insustentável: não deu uma palavra ou esqueceu do ditatorialismo de Putin sobre a Crimeia e a Ucrânia. Seu desgaste, desimportante. Mas o desastre para o Brasil, comentado no mundo inteiro.

Loucura fazer Copa do Mundo num país como a Rússia, discricionária, cheia de restrições, governada por um ex-KGB, que deixou o cargo, mas não as convicções. Só quer o Poder longe do povo, zomba dele, fica variando de 5 em 5 anos, entre ser Presidente ou Primeiro Ministro.

Putin-Dilma unidos pela exportação de omissão, cumplicidade oculta

As exportações do Brasil caíram terrivelmente, difíceis a recuperação, por muitos motivos. A falta de investimento pela desconfiança dos empresários, e a ausência total de recursos. Isso não é pessimismo, apenas realismo, que a presidente tenta mistificar com um otimismo falso, puramente eleitoral.

Outro motivo que não pode ser refutado com palavreado de ocasião: queda nas exportações, principalmente de automóveis. A crise da Argentina, que o ministro da Fazenda dizia, “é puramente local”, rigorosamente verdadeira. Só que esse efeito “puramente local” atinge duramente o Brasil. De cada 12 carros exportados, 9 eram para a Argentina. Então as montadoras tiveram que reduzir a produção e demitir, negociam com a Argentina, sem resultado.

Apesar de produzirem 20% menos, os pátios estão lotados, os executivos desesperados. Foram favorecidos pelos benefícios chamados de “desonerações”, não adiantou. Só não cortam os bônus cada vez mais altos dos executivos e super executivos.

Já absurdamente omissa em questões que tinham Putin como personagem principal, só pelo fato dele fazer parte dos Brics (que deveria ser tratado com mais cuidado e cautela) agora passará de omissa para cúmplice pelo fato de ser parceira.

Favorecida pela covardia

Agora então, Putin-Dilma, que aliança. Critiquei a presidente, antes, pelo tratamento preferencial dado a ele, durante a Copa do Mundo. Com medo de vaias, ficou entre Putin e Blatter, que companhias.

Agora, imprensado e oprimido pelas sanções da Europa e dos EUA, como represália pelo apoio que dá aos “separatistas”, não pode importar nada da Europa. Se voltou para o Brasil e a amiga Dilma. Então esta negociando comprar aqui, o que não pode adquirir em outro lugar. Não é um parceiro comercial, apenas eventual, enquanto durara a opressão sobre a Ucrânia.

Resolvido isso, abandonará o Brasil como vendedor. Como confiar num ex-KGB como Putin no qual ninguém confia?

PS - Putin liberou dezenas de frigoríficos que não podiam negociar. Já podem. Mas o que compram do Brasil é tão pouco, que o aumento permitido temporariamente que permitiram, não vai entrar nem no orçamento das exportações.

PS1- E só vão “comprar” carne. Para aumentar a generosidade, colocaram na lista o que é realmente carne, mas promoveram ate frango e o peixe, a “carne” ou o que é assim considerado.

PS2 – È só ingenuidade de Dona Dilma, ou podem ser usados vários adjetivos? E o Ministério do Exterior, que já teve momentos de apogeu, não diz nada, não aconselha, não orienta, prefere a omissão e o silencio?

PS3- De qualquer maneira nada disso interfere ou influencia o resultado da eleição. O Itamaraty não entende nada de Dilma, a presidente despreza o Itamaraty. Como acredita que sabe tudo, sua única rendição é diante do espelho.