HELIO FERNANDES -
O executivo da próxima Copa na Rússia, veio ao Brasil
com ditador Putin. Não querendo apresentar o país como exemplo de ditadura,
definiu assim o clima onde será disputada a próxima Copa: “Na Rússia não temos
cultura de protestos”.
Dona Dilma não devia ter tocado no assunto. Mas em
matéria de discursos, ideias e convicções, é incipiente. Elogiou a posição de
Putin apoiando a Síria, e a permanência no poder do ditador Assad. E sua
reeleição.
Imprudência-presidencial
Não precisava tratar do assunto. Como tratou, ficou em
situação insustentável: não deu uma palavra ou esqueceu do ditatorialismo de
Putin sobre a Crimeia e a Ucrânia. Seu desgaste, desimportante. Mas o desastre
para o Brasil, comentado no mundo inteiro.
Loucura fazer Copa do Mundo num país como a Rússia, discricionária,
cheia de restrições, governada por um ex-KGB, que deixou o cargo, mas não as
convicções. Só quer o Poder longe do povo, zomba dele, fica variando de 5 em 5
anos, entre ser Presidente ou Primeiro Ministro.
Putin-Dilma
unidos pela exportação de omissão, cumplicidade oculta
As exportações do Brasil caíram terrivelmente, difíceis
a recuperação, por muitos motivos. A falta de investimento pela desconfiança
dos empresários, e a ausência total de recursos. Isso não é pessimismo, apenas
realismo, que a presidente tenta mistificar com um otimismo falso, puramente
eleitoral.
Outro motivo que não pode ser refutado com palavreado
de ocasião: queda nas exportações, principalmente de automóveis. A crise da
Argentina, que o ministro da Fazenda dizia, “é puramente local”, rigorosamente verdadeira.
Só que esse efeito “puramente local” atinge duramente o Brasil. De cada 12
carros exportados, 9 eram para a Argentina. Então as montadoras tiveram que
reduzir a produção e demitir, negociam com a Argentina, sem resultado.
Apesar de produzirem 20% menos, os pátios estão
lotados, os executivos desesperados. Foram favorecidos pelos benefícios
chamados de “desonerações”, não adiantou. Só não cortam os bônus cada vez mais
altos dos executivos e super executivos.
Já absurdamente omissa em questões que tinham Putin
como personagem principal, só pelo fato dele fazer parte dos Brics (que deveria
ser tratado com mais cuidado e cautela) agora passará de omissa para cúmplice
pelo fato de ser parceira.
Favorecida
pela covardia
Agora então, Putin-Dilma, que aliança. Critiquei a
presidente, antes, pelo tratamento preferencial dado a ele, durante a Copa do
Mundo. Com medo de vaias, ficou entre Putin e Blatter, que companhias.
Agora, imprensado e oprimido pelas sanções da Europa e
dos EUA, como represália pelo apoio que dá aos “separatistas”, não pode
importar nada da Europa. Se voltou para o Brasil e a amiga Dilma. Então esta
negociando comprar aqui, o que não pode adquirir em outro lugar. Não é um
parceiro comercial, apenas eventual, enquanto durara a opressão sobre a Ucrânia.
Resolvido isso, abandonará o Brasil como vendedor. Como confiar num ex-KGB como
Putin no qual ninguém confia?
PS -
Putin liberou dezenas de frigoríficos que não podiam negociar. Já podem. Mas o
que compram do Brasil é tão pouco, que o aumento permitido temporariamente que
permitiram, não vai entrar nem no orçamento das exportações.
PS1-
E só vão “comprar” carne. Para aumentar a generosidade, colocaram na lista o
que é realmente carne, mas promoveram ate frango e o peixe, a “carne” ou o que
é assim considerado.
PS2
–
È só ingenuidade de Dona Dilma, ou podem ser usados vários adjetivos? E o Ministério
do Exterior, que já teve momentos de apogeu, não diz nada, não aconselha, não
orienta, prefere a omissão e o silencio?
PS3-
De qualquer maneira nada disso interfere ou influencia o resultado da eleição.
O Itamaraty não entende nada de Dilma, a presidente despreza o Itamaraty. Como
acredita que sabe tudo, sua única rendição é diante do espelho.


