14.4.14

VIDA QUE SEGUE? (TUDO ACONTECEU NA VOLTA DO MASSACRE NA FAVELA DA TELERJ)

FRANCISCO CHAVES -
 
Quando meus amigos me perguntam se podem utilizar minhas fotografias, a resposta é sempre a mesma: "Claro, meu trabalho imagético é feito para que todos dialoguem com ele".

Agora, quando amigos e interessados em Direitos Humanos querem saber como me sinto após ter sido ameaçado de morte, às 16 horas, na 6ª feira passada, na principal rua do meu bairro, o Méier, respondo meio que angustiado e amedrontado, sim. 

Não tenho medo de enfrentar nas minhas coberturas em manifestações, despejos e atitudes violentas contra a vida, policiais fardados; meu temor é quando esses indivíduos, assassinos de aluguel, estão "a paisana", termo usado por meu agressor para se definir naquela hora.

Aí mora o perigo, você não terá cobertura daqueles que poderiam ou possam ser seus testemunhos, você vira uma caça e o seu interlocutor o caçador; aliás, é incrível verificar que a Rua Dias da Cruz, assim como a maioria das ruas do Rio de Janeiro, estão acobertadas pela pseudo segurança desses bandidos "desfardados", porém armados e ameaçadores. 

Quanto eles ganham para arrebentar, injuriar ou matar um cidadão ou uma cidadã? A resposta varia conforme a importância da vítima, pode-se custar 200 reais ou até 100.000 reais, como pode acontecer de se ser morto gratuitamente, e depois os assassinos, como vários que diariamente sabemos, são acobertados por seus patrões, os políticos, os magistrados, os empresários e essa sociedade hipócrita e covarde, que convive e aprova o arbítrio dessa ditadura político policial que se apoderou do espaço urbano Carioca. 

Estou muito preocupado com a situação por vários motivos: 

1º Sou um midiativista idoso, tenho 65 anos, sou aposentado com 1 salário mínimo, moro ao lado desse local em que aconteceu a injúria e a ameaça. 

2º Aqui, todas as lojas possuem seguranças "policiais, bombeiros e gm", fora que a PMERJ e a GM estão sempre tirando casquinha na padaria, no Rei do Mate, etc. Esse cara também é ligado ao crime organizado, isto é, ele entrou no prédio 505, onde fica um escritório e um ponto de jogo, apesar de estar a dois prédios da escola MAXX, fato preponderante de uma logística criminal.

3º Passo ali duas a três vezes por dia, muitas vezes tarde da noite, eu e minha câmera, fui desmoralizado na frente de mais de uma dezena de pessoas, minha esposa Grace e a minha netinha Laura, 3 anos, estavam a 50 metros do local, esperavam-me, pois fui ao jornaleiro comprar revistinha da "pepa pig", em uma banca que sempre comprei, desde da infância dos meus 5 filhos, hoje, todos adultos, tenho 40 anos de casado e 4 netos. Lá começou a patética agressão verbal e moral à minha pessoa, culminando com a ameaça. Tentei pedir ajuda no "Rei do Mate", detalhe, todos me conhecem, mas, debocharam de mim, o jornaleiro me mandou se foder, os PMs, a quem pedi ajuda para poder passar com minha mulher e netinha novamente pelo local, disseram que nada podiam fazer sem testemunhas, todos me ignoraram, só havia o carro do bandido - SIENA LNP 4605 (verde escuro), totalmente fechado. 

4º Estou muito aflito, pois, ao fazer o BO, na 26ª DP, o inspetor me disse que se algo voltasse a acontecer, eu corresse ou tacasse um pau no cara, melhor seria eu sumir da área, que provavelmente o BO não daria em nada. 

5º Ontem, não saí, não fui naquela área, não fomos comer 1 pizza. hoje não pude ir comprar pão. A situação é essa, hoje, e amanhã ou depois?