FRANCISCO CHAVES -
Quando meus amigos me perguntam se podem utilizar minhas fotografias, a
resposta é sempre a mesma: "Claro, meu trabalho imagético é feito para
que todos dialoguem com ele".
Agora, quando amigos e
interessados em Direitos Humanos querem saber como me sinto após ter
sido ameaçado de morte, às 16 horas, na 6ª feira passada, na principal
rua do meu bairro, o Méier, respondo meio que angustiado e
amedrontado, sim.
Não tenho medo de enfrentar nas minhas
coberturas em manifestações, despejos e atitudes violentas contra a
vida, policiais fardados; meu temor é quando esses indivíduos,
assassinos de aluguel, estão "a paisana", termo usado por meu agressor
para se definir naquela hora.
Aí mora o perigo, você não terá
cobertura daqueles que poderiam ou possam ser seus testemunhos, você
vira uma caça e o seu interlocutor o caçador; aliás, é incrível
verificar que a Rua Dias da Cruz, assim como a maioria das ruas do Rio
de Janeiro, estão acobertadas pela pseudo segurança desses bandidos
"desfardados", porém armados e ameaçadores.
Quanto eles ganham
para arrebentar, injuriar ou matar um cidadão ou uma cidadã? A resposta
varia conforme a importância da vítima, pode-se custar 200 reais ou até
100.000 reais, como pode acontecer de se ser morto gratuitamente, e
depois os assassinos, como vários que diariamente sabemos, são
acobertados por seus patrões, os políticos, os magistrados, os
empresários e essa sociedade hipócrita e covarde, que convive e aprova o
arbítrio dessa ditadura político policial que se apoderou do espaço
urbano Carioca.
Estou muito preocupado com a situação por vários motivos:
1º Sou um midiativista idoso, tenho 65 anos, sou aposentado com 1
salário mínimo, moro ao lado desse local em que aconteceu a injúria e a
ameaça.
2º Aqui, todas as lojas possuem seguranças "policiais,
bombeiros e gm", fora que a PMERJ e a GM estão sempre tirando casquinha
na padaria, no Rei do Mate, etc. Esse cara também é ligado ao crime
organizado, isto é, ele entrou no prédio 505, onde fica um escritório e
um ponto de jogo, apesar de estar a dois prédios da escola MAXX, fato
preponderante de uma logística criminal.
3º Passo ali duas a
três vezes por dia, muitas vezes tarde da noite, eu e minha câmera, fui
desmoralizado na frente de mais de uma dezena de pessoas, minha esposa
Grace e a minha netinha Laura, 3 anos, estavam a 50 metros do local,
esperavam-me, pois fui ao jornaleiro comprar revistinha da "pepa pig",
em uma banca que sempre comprei, desde da infância dos meus 5 filhos,
hoje, todos adultos, tenho 40 anos de casado e 4 netos. Lá começou a
patética agressão verbal e moral à minha pessoa, culminando com a
ameaça. Tentei pedir ajuda no "Rei do Mate", detalhe, todos me conhecem,
mas, debocharam de mim, o jornaleiro me mandou se foder, os PMs, a quem
pedi ajuda para poder passar com minha mulher e netinha novamente pelo
local, disseram que nada podiam fazer sem testemunhas, todos me
ignoraram, só havia o carro do bandido - SIENA LNP 4605 (verde escuro),
totalmente fechado.
4º Estou muito aflito, pois, ao fazer o BO,
na 26ª DP, o inspetor me disse que se algo voltasse a acontecer, eu
corresse ou tacasse um pau no cara, melhor seria eu sumir da área, que
provavelmente o BO não daria em nada.
5º Ontem, não saí, não
fui naquela área, não fomos comer 1 pizza. hoje não pude ir comprar pão.
A situação é essa, hoje, e amanhã ou depois?



