CARLOS CHAGAS -
Inusitada
não foi a notícia, numa revista semanal, de que a presidente Dilma
padece de diverticulite, um mal que normalmente não chega a preocupar,
dada a facilidade de ser debelado. Inusitado foi o comportamento da
secretaria de Comunicação Social da presidência da República, por
haver-se negado a comentar a informação. É dessas omissões que nascem os
problemas.
A presidente Dilma tornou-se uma pessoa pública,
daquelas sem direito à privacidade dos cidadãos normais. Como ela, muito
mais gente, do Pelé a Gisele Bündchen e quantos mais? Divulgada a
existência da diverticulite, caberia ao palácio do Planalto confirmar ou
desmentir. A ser verdadeira a nota, caberia enfrentá-la, apesar do
pouco risco que a doença desperta, nos tempos atuais.
Assim comportou-se o
ministro Francklin Martins, quando ministro da Comunicação Social do
Lula, diante da notícia de que a então chefe da Casa Civil e candidata
presidencial, Dilma Rousseff, sofria de câncer linfático. Na mesma hora o
experiente jornalista acompanhou a ministra ao Hospital Sírio Libanês,
em São Paulo, onde foi submetida a uma bateria de exames e a um rigoroso
tratamento, resultando dele sua cura completa. O mesmo aconteceu com o
Lula, já fora do poder, detectado um tumor em sua garganta. Ninguém
escondeu nada e depois de alguns meses, informando diariamente sua
situação à imprensa, o ex-presidente e seus médicos puderam anunciar um
resultado feliz.
O que a gente estranha é o
silêncio, como se fosse possível esconder a notícia da diverticulite,
vale repetir, necessitando ser confirmada ou desmentida. Nos tempos da
ditadura, engolia-se a reação dos detentores do governo com o célebre
“nada a declarar”. Agora, não.
A presidente Dilma é
candidata à reeleição. Em torno de seus percentuais de preferência do
eleitorado debruçam-se as atenções gerais. Uma informação sobre sua
saúde é essencial. Qualquer delonga por parte dos porta-vozes dá margem a
suposições de toda espécie.
PROBLEMAS À VISTA
Faltando
dois meses para a abertura da Copa do Mundo, pelo menos quatro estádios
encontram-se incompletos, sem falar nas obras viárias prometidas ao
redor de quase todos os demais. A previsão é de que as coisas não
funcionem como foi prometido, com ampla circulação das multidões de
torcedores. Adiantará muito pouco apontar responsáveis e culpados, da
Fifa ao governo federal, dos governos estaduais às prefeituras. Claro
que tempo ainda haverá para se completarem as obras, mas a sombra do
vexame será iluminada por toda a imprensa internacional.
O CUSTO DA PERMANÊNCIA
Roseana
Sarney e Cid Gomes resolveram ficar até o fim nos governos do Maranhão e
do Ceará. Desconsideraram a evidência de que poderiam eleger-se para o
Senado ou a Câmara dos Deputados, caso se tivessem desincompatibilizado.
Agora, defrontam-se com sério desafio: eleger os sucessores, hipótese
em aberto mas jamais garantida. José Sarney e Ciro Gomes lideram a
torcida.



