CARLOS CHAGAS -
Deixa o PMDB mal sem deixar Dilma bem, conclui-se da formação do tal blocão de partidos aliados do governo, constituído para pressionar a presidente da República a abrir mais espaços fisiológicos em sua equipe. Primeiro porque nenhuma das pretensões do PMDB de fazer mais ministros envolve preocupações com a melhoria da performance da administração.
Em vez de sugerir planos e programas para os ministérios pretendidos, ou ao menos pessoas de expressão para gerir cada setor, o maior partido nacional raciocina em termos de dotações orçamentárias para as vagas disputadas. Tanto faz se seus candidatos entendem ou não dos temas para os quais gostariam de ser indicados. Interessa mesmo saber quantos bilhões serão geridos em cada pasta e quantas empreiteiras dividirão os recursos, certamente para cálculo dos percentuais devidos aos gestores.
A moeda, porém, tem duas faces. Desde que empossada, a presidente Dilma jamais recompôs o ministério com tantas nulidades como as que vem nomeando. Vale evitar o constrangimento de fulanizações, mas desafia-se o leitor a lembrar o nome de um sequer dos novos ministros. Como muitos dos antigos.
A impressão é de que a equipe atual lembra um time de quinta categoria, em campo para disputar campeonatos no Aterro do Flamengo ou nas areias do Guarujá, mas obrigado a entrar no Maracanã ou no Itaquerão.
Pelo jeito, Dilma não se interessa pelo ministério mais do que para ficar brigando com os partidos de sua base. Como o ex-presidente Lula também parece desinteressado de o PT demonstrar competência capacidade, a conclusão é de que tanto a sucessora quanto o antecessor imaginam-se num palácio imperial onde o rei e a rainha mandam e a corte obedece.
Nunca se ouviu dizer que o porto separa-se do navio. É o navio que rompe suas amarras, liga as máquinas, abandona o refugio e lança-se no desconhecido. Assim parece o blocão fisiológico dos partidos de apoio ao governo. Sua carta de marear difere fundamentalmente daquela referida por Ulysses Guimarães, Fernando Pessoa e os gregos antigos. Navegar não é preciso, condenam-se mesmo a afundar. Vão para os rochedos e para as profundezas as bancadas que hoje reivindicam ministérios. Assim como arrisca-se a ser engolido por um terremoto o governo que, presumindo-se porto, dá a impressão de estar assentado na areia movediça.
SURPRESAS SEMPRE ACONTECEM
Ninguém se espante caso Celso de Mello, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello e Joaquim Barbosa decidam antecipar suas aposentadorias no Supremo Tribunal Federal. Nessa hipótese, a maior corte nacional de justiça acabará sendo presidida por Luís Roberto Barroso.



